Os empregados do varejo estão entre os mais propensos a desenvolver alguma doença psicológica no ambiente de trabalho. De acordo com um estudo realizado pela Alper Seguros, 31% desses trabalhadores estão em alto risco, podendo apresentar ideação suicida, enquanto 46% possivelmente enfrentam algum sofrimento psicológico.
O estudo, realizado por meio do programa “Trilha da Mente”, avaliou sete setores da economia — concessionárias de rodovias, agronegócio, indústria e equipamentos, saúde, tecnologia, comércio e varejo — utilizando o Questionário de Saúde Mental SQR-20. Segundo a pesquisa, no setor varejista, apenas 17% demonstraram estar mentalmente saudáveis, e 4% apresentam algum ponto de atenção para a saúde mental.
“Identificamos que certos segmentos empresariais apresentam maior vulnerabilidade quando se trata de saúde mental, com índices significativamente acima da média. Fatores como alta pressão por resultados, longas jornadas, instabilidade econômica do setor e baixo suporte organizacional estão diretamente relacionados a esse quadro”, afirma Paula Gallo, diretora de Gestão de Riscos e Saúde da Alper Seguros.
Os funcionários da saúde também enfrentam riscos. Dos entrevistados, 8% demonstraram tendências suicidas, enquanto 31% revelaram vivenciar algum sofrimento mental permanente. Aqueles que apresentam algum ponto de atenção somam 26%, enquanto 35% estão com a saúde mental em dia.
O comércio apresenta um cenário um pouco diferente: 12% dos trabalhadores vivem em risco, 25% passam por algum sofrimento mental, 38% têm pontos de atenção e 25% estão mentalmente saudáveis.
“Nossa experiência com o programa ‘Trilha da Mente’ nos permitiu criar uma metodologia eficaz para mapear processos e avaliar riscos, ajudando as organizações a obterem o certificado de empresa promotora de saúde mental”, destaca a diretora.
Já na indústria, 54% dos trabalhadores não enfrentam qualquer problema com sua saúde mental. No setor, apenas 7% demonstraram estar em alto risco. Entre os trabalhadores de concessionárias, apenas 5% precisam de ajuda psicológica imediata, enquanto 35% necessitam de algum acompanhamento e 30% estão saudáveis.
Quanto aos colaboradores dos setores de tecnologia e agronegócio, o levantamento da Alper Seguros mostra um perfil semelhante: menos de 10% necessitam de atenção imediata por estarem em alto risco. Cerca de 20% estão em algum risco, enquanto mais de 40% demonstram estar psicologicamente saudáveis.
Apoio das empresas
Esse cenário destaca a necessidade de adaptação das empresas à Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), uma importante aliada na proteção da saúde mental dos trabalhadores brasileiros.
Em agosto de 2024, o Ministério publicou a Portaria nº 1.419, que atualiza a NR-1 para incluir, pela primeira vez, os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) ocupacionais. As empresas têm até maio de 2025 para se adequar às novas exigências, sob pena de multas, embargos e interdições.
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