Em um cenário de forte concorrência, em que o consumidor exige velocidade e conveniência, a Hope, uma das maiores marcas de moda íntima do Brasil, com cerca de 300 lojas, acelerou a reestruturação de seus processos internos para competir de igual para igual com o ritmo imposto pelo e-commerce. “A nossa missão hoje é que a gente não entregue em mais de 24 horas”, disse José Luis Fernandes, CEO da marca, ao M&C Talks. Ele foi um dos painelistas do Inside Fashion Business, evento promovido pela Gouvêa Experience em São Paulo.
Para isso, a empresa vem trabalhando em um amplo movimento de omnicanalidade que envolve toda a cadeia – dos processos internos à rede de franqueados – para garantir que o produto chegue ao consumidor no tempo que ele espera, independentemente de onde comprou. Para ele, 2026 é o ano de decolar nessa frente: depois de um 2025 dedicado a ajustar processos e engajar franqueados, chegou a hora de colocar a estratégia em prática em escala.
Confira, a seguir, os principais trechos de entrevista concedida pelo executivo à ao M&C Talks:
Mercado&Consumo — Qual é a grande aposta da Hope para enfrentar a concorrência, inclusive da China?
José Luis Fernandes — A grande opção é levar a venda promovida pelo e-commerce para as lojas físicas, crescer na omnicanalidade. A marca trabalhou internamente seus processos em 2025 e vê 2026 como o momento de decolar nessa frente junto aos franqueados.
A Hope está entrando no segmento de praia e fitness. Como está esse movimento?
Os produtos já eram comercializados em lojas franqueadas de rua, e agora estão sendo levados para os shopping centers, em teste. Esse ano vai ser um ano de muito trabalho para viabilizar também toda a implantação do produto de praia e fitness em todas as nossas lojas monomarcas.
Competir com marcas consolidadas como Track&Field é o objetivo?
Não é necessariamente brigar de cara a cara, mas apresentar propostas muito boas. Entendo que existe espaço para todo mundo. Esse mercado vem crescendo a taxas muito aceleradas
A meta era abrir 100 lojas em 2025. Foram 60. Para 2026, qual é o número?
A marca trabalha com 60 lojas novas. A cautela vem do custo do dinheiro – os juros não caíram na velocidade esperada – soma-se a isso pressão inflacionária e incertezas geopolíticas. Acaba afetando o planejamento.
Vocês têm cerca de 6% do mercado de underwear, que é muito pulverizado. Como avançar?
Presença constante na mídia, inovação de produto, entrada no mercado masculino e abertura de novos clientes, sejam multimarcas, sejam exclusivos Hope. O mais poderoso instrumento de crescimento, porém, continua sendo o consumidor sair da loja satisfeito, entendendo que pagou preço justo por boa qualidade.
Qual foi a grande conclusão do painel sobre cenários incertos para a cadeia de moda no Brasil?
Unir toda a cadeia produtiva é a chave para enfrentar todas as questões que virão pela frente — competitividade, eficiência e rapidez às demandas do consumidor.
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