Avaliada em US$ 73,6 bilhões, a chinesa Moutai é a marca de bebida alcoólicas mais valiosa do mundo em 2026, segundo levantamento Kantar BrandZ. Na sequência aparecem Corona, com US$ 16,5 bilhões, e Budweiser, com valor de US$ 14,3 bilhões.
A Moutai é um baijiu, bebida destilada tradicional da China produzida a partir de sorgo fermentado e com teor alcoólico de 53%. Considerada uma bebida de luxo no país, a marca é associada ao consumo premium e ganhou espaço entre consumidores da classe média chinesa.
O ranking da categoria também conta com duas marcas brasileiras: Brahma, na 9ª posição, avaliada em US$ 6,41 bilhões, e Skol, em 12º lugar, com valor de US$ 4,83 bilhões. Ambas mantiveram as posições registradas no levantamento anterior.
Ao todo, as 20 marcas mais valiosas do setor somam US$ 194 bilhões em 2026, resultado 7% inferior ao registrado no ano anterior. Segundo o estudo, mercados tradicionais registraram queda no consumo de bebidas alcoólicas. Nos Estados Unidos, 54% dos adultos declararam consumir álcool recentemente, o menor índice já registrado no país. A Alemanha também apresentou retração nas vendas de cerveja.
“Esse cenário, no entanto, não significa estagnação para as marcas. Pelo contrário, a lógica dominante passa a ser ‘menos, mas melhor’, impulsionando o crescimento de produtos premium e abrindo espaço para novas propostas, como bebidas com baixo ou zero teor alcoólico”, explica Martin Cena, CEO da Kantar Brasil.
Novos hábitos de consumo
O levantamento aponta que inovação e adaptação a novos hábitos de consumo devem influenciar o crescimento da categoria nos próximos anos. Entre as cervejas, o estudo destaca o avanço das versões sem álcool e a ampliação das ocasiões de consumo.
“Essas marcas vêm ampliando sua presença em ocasiões diversas, de momentos de relaxamento individual a ambientes ligados a esportes e bem-estar, além de investir fortemente no desenvolvimento de versões sem álcool com melhor sabor”, afirma Cena.
O relatório também destaca a expansão em mercados emergentes, como Índia e África, associada à adaptação a novos públicos, especialmente consumidores mais jovens, e novas demandas e oportunidades. Na China, por exemplo, as marcas têm buscado novas ocasiões de consumo e formatos mais leves para atrair a Geração Z, enquanto globalmente cresce a demanda por bebidas mais leves, refrescantes e associadas a experiências casuais.
O sabor segue sendo o principal driver de escolha dos consumidores, inclusive em produtos não alcoólicos. “O aprendizado central para o setor é que premiumização, por si só, não é suficiente. As marcas precisam encontrar novos espaços de atuação e investir em inovação significativa para se manterem relevantes em um cenário de mudança estrutural”, diz Cena.
Imagem: Envato
