I have a dream – Eu tenho um sonho

Momentum nº 1.000

I have a dream – Eu tenho um sonho

Nesta semana completamos 1.000 artigos da série Momentum ocupando esse espaço todas as segundas-feiras na plataforma Mercado&Consumo, a mais acessada no Brasil envolvendo os temas ligados ao varejo.

São 20 anos desse encontro semanal no qual temos exposto ideias, visões e análises envolvendo os setores de varejo e comércio, o maior empregador privado do Brasil e com uma participação crescente no PIB – saltou de 19,7% em 2007 para 27,4% em 2022. E pode crescer mais se questões estruturais forem equacionadas.

E é parte de nossa proposta maior de contribuirmos como negócio – Ecossistema Gouvêa – para a transformação positiva dos setores em que atuamos como nesses 35 anos que completamos agora.

Essa jornada consumiu aproximadamente 3 mil horas pessoais entre estudos, pesquisas e elaboração em si dos artigos, usualmente definidos ao longo dos fins de semana.

Sem falar do tempo e envolvimento de outros líderes do Ecossistema Gouvêa, sempre trazendo sua contribuição e opiniões, os levantamentos e pesquisas do time da Mosaiclab, nosso braço de Inteligência, e mais a revisão técnica final da equipe da Mercado&Consumo.

E por conta disso nos referimos nesta introdução que nós completamos, apesar do sonho pessoal.

Como privilegiado publisher da plataforma, tenho o direito de escolha do dia da publicação de forma a aproveitar os fins de semana para essas reflexões.

Mas em todo esse período foi crescendo o desejo de ver um sonho realizado. Que se tornou ainda mais importante agora.

Do momento em que se iniciou essa jornada ao cenário atual, muita coisa mudou para o Ecossistema Gouvêa, hoje com 18 empresas, quase 40 sócios e perto de 350 colaboradores.

Quando começamos, tínhamos um mercado de varejo dominado por empresas de controle e gestão familiar, com elevado nível de informalidade e baixo profissionalismo. O Brasil evoluiu para um setor de crescente protagonismo, moderno e profissional em sua maior parte, ainda que com um nível de informalidade inadmissível. Ainda que em parte compreensível por conta do defasado, complexo e injusto sistema tributário existente no Brasil.

Mas, ao longo do tempo, a visão do sonho se tornou ainda clara e, principalmente, necessária.

E tem tudo a ver com a integração, o fortalecimento e o reposicionamento da representação dos setores de varejo e consumo e, para além deles, do próprio setor empresarial e privado e o seu papel decisivo no repensar e agir estrategicamente para a transformação estrutural do Brasil.

Nunca foi tão importante rever e agir para transformar o País, especialmente quando dentre os 37 ministros recém-anunciados não existe nenhum representante legítimo do setor empresarial.

E considerando que esse é apenas mais um sintoma de uma visão dogmática que considera que o Estado é o detentor de todo o poder e deve ser onipresente, onisciente, onipotente e pleno em sua atuação. Nada mais retrógrado.

Que se confirma quando o recém-empossado ministro da Indústria, Comércio e Serviços, vice-presidente no atual governo, não atenta que nas economias modernas do mundo o setor de Serviços, que inclui Comércio e Varejo, representa em média 68% do PIB.

Por tudo isso e me dando o direito de só usar o espaço do milésimo artigo para compartilhar esse sonho, quase compromisso, convido à reflexão e, principalmente, à ação, as lideranças, você, para repensarmos nosso papel na transformação positiva do Brasil.

Só haverá mudança estrutural no País se o setor empresarial privado deixar de lado questões menores de curto prazo – e o que ocorreu recentemente na Fiesp é um ótimo exemplo – e pensar de forma ampla, visionária e estratégica para promover a transformação que o País tanto precisa.
Pode ser apenas um sonho. Ou não.

Vai depender muito de como você lê e compartilha, ou não, dessa visão.

Obrigado pela companhia nesses 1.000 artigos.

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e publisher da plataforma Mercado&Consumo.
Imagens: Shutterstock

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