A Bauducco vai acelerar sua presença no varejo direto enquanto amplia o olhar para produtos associados à saudabilidade. A companhia prevê manter um ritmo de cerca de 12 novas lojas próprias por ano no modelo das chamadas lojas amarelas. Hoje, são 24 desses estabelecimentos. A marca também estuda oportunidades no mercado de proteínas.
A Casa Bauducco, onde o cliente consome no local, também segue em expansão. Segundo França, a rede tem aberto de 30 a 50 unidades por ano. O movimento foi detalhado por Elio França, chief business unit D2C da Bauducco, em entrevista à Mercado&Consumo.
Segundo França, a entrada mais forte da Bauducco no varejo direto nasceu da necessidade de se aproximar do consumidor final e criar novas alavancas para o negócio, além da distribuição tradicional.
Hoje, essa estratégia está concentrada em duas frentes principais: a Casa Bauducco, rede de cafeterias premium da marca, sistema franquias, e as lojas amarelas, que começaram em pontos de estrada e agora avançam para dentro das cidades, que são próprias.
“A gente tem hoje duas unidades, incluindo o e-commerce. A Casa Bauducco, onde a gente traz uma experiência do dia a dia até do panettone, além do café e das nossas receitas italianas. E agora a gente tem o que chamamos de lojas amarelas”, disse França.
“As lojas amarelas começaram na estrada e agora estão indo para dentro das cidades”, afirmou. A última inauguração foi na última sexta-feira (26), no centro de São Bernardo do Campo, em uma operação que reuniu a loja amarela e uma Casa Bauducco no mesmo endereço.
O modelo busca combinar compra de produtos da marca com experiência de consumo no local. O cliente pode tomar café, consumir uma fatia de panettone ao longo do ano e, ao mesmo tempo, comprar o portfólio da companhia, incluindo itens exclusivos para essas unidades.
“Você oferece uma experiência muito importante, porque tem o café, tem a fatia todo dia e, ao mesmo tempo, tem a experiência da compra em toda a linha de produtos e vários produtos exclusivos para essas lojas amarelas”, afirmou França.
A aposta em lojas físicas próprias acontece em um momento desafiador para o varejo alimentar e para o foodservice, pressionados por inflação, renda mais apertada e mudanças no comportamento de consumo. Para a Bauducco, no entanto, a operação direta funciona como forma de reforçar marca, ampliar ocasiões de consumo e testar novos produtos.
Indulgência continua no centro da estratégia
A expansão no varejo direto ocorre em paralelo à discussão sobre saudabilidade. França reconhece que a Bauducco parte de um território essencialmente indulgente, mas afirma que a companhia acredita que indulgência sempre terá espaço no dia a dia do consumidor. “
“O que a gente tem feito é como fazer a Bauducco cada vez mais premium, com receitas cada vez melhores, produtos cada vez mais saborosos e, claro, sem deixar de olhar o que o mercado está buscando também.”
A leitura do executivo é que a marca não deve abandonar sua essência, mas pode incorporar novos atributos ao portfólio. Um exemplo recente foi a entrada de produtos zero açúcar em datas sazonais.
“Dentro da Casa Bauducco, a gente já vem lançando produtos e pensando em lançamentos envolvendo proteína, envolvendo não açúcar. Vai acontecer? Já está acontecendo”, afirmou.
No Natal e na Páscoa, a companhia lançou panettones zero açúcar e colomba zero açúcar. Para França, esse é um caminho para oferecer indulgência a consumidores que querem ou precisam reduzir o consumo de açúcar.
“Já é uma forma de você ter uma indulgência sem envolver o açúcar”, disse. “Isso tem sido uma constante no nosso olhar sobre novos produtos.”
Proteína está em estudo, mas com cautela
O mercado de proteína também está no radar da Bauducco, mas ainda em fase de estudo. França afirma que a companhia acompanha a tendência, mas não pretende entrar na categoria sem garantir aderência ao padrão da marca.
“Proteína dentro de produto vai acontecer? Também estamos numa fase de estudar, mas a gente não pode lançar qualquer proteína”, afirmou.
Para ele, qualquer inovação precisa preservar sabor, qualidade e prazer de consumo. A marca não quer apenas adicionar um atributo funcional ao produto se isso comprometer a experiência.
“A gente tem o nome Bauducco por trás. Então esse produto tem que ser muito bom, tem que ser gostoso, tem que ser um produto que as pessoas tenham prazer em consumir”, disse. “Esse vai ser sempre o nosso objetivo no desenvolvimento.”
Imagem: Divulgação Gouvêa Experience
