Rochinha aposta em brasilidade e “fruta de verdade” para crescer no mercado de sorvetes premium

Marca projeta crescer até 25% em 2026 e planeja ampliar atuação no foodservice

Fundada há mais de quatro décadas, a Sorvetes Rochinha vive um momento de expansão e profissionalização, com foco em consolidar sua identidade de brasilidade e “alma caiçara” no concorrido mercado de sorvetes premium. Além da ampliação da rede de franquias, a empresa prevê acelerar sua atuação no foodservice, apostando em sobremesas como uma das principais alavancas de crescimento. Para 2026, a meta é avançar entre 20% e 25%.

“A Rochinha tem raízes profundas na brasilidade, e nosso objetivo é fortalecer esse posicionamento construído ao longo dos últimos 40 anos. O desafio é crescer sem perder aquilo que nos trouxe até aqui”, afirma Adriane Azevedo, CMO da empresa.

Criada em 1983 no litoral Norte de São Paulo, a Rochinha construiu sua identidade a partir da relação com a praia, a Mata Atlântica e os sabores tropicais. O processo de profissionalização teve início em 2014, quando passou a ser administrada pela H&M Participações – grupo que a adquiriria dois anos mais tarde.

Mesmo com o passar dos anos, a associação da marca à brasilidade permaneceu. Ainda hoje, esse conceito se reflete diretamente no portfólio: cerca de 73% dos produtos são feitos à base de frutas. “Quando falamos em fruta, é fruta de verdade. Trabalhamos com a fruta in natura ou com polpa, sempre preservando sabor, textura e naturalidade”, explica Adriane.

O sorvete de coco se mantém como o ícone da marca e sintetiza esse posicionamento. A matéria-prima vem da Bahia e o preparo mantém processos que remetem ao artesanal, mesmo em escala industrial. “O coco queimado, por exemplo, é feito em panela. Somos uma indústria que cresceu sem perder características artesanais”, diz a executiva. Hoje, a marca investe também em sabores tipicamente brasileiros, como cartola e queijo coalho.

Para este verão, a principal aposta é o “coquíssimo” (coco com biscoito de avelã), além dos lançamentos de tapioca, sorbet de morango e sorbet de manga com maracujá.

Rochinha aposta em brasilidade e "fruta de verdade" para crescer no mercado de sorvetes premium
Loja-conceito da Rochinha no bairro de Moema, zona sul de São Paulo

De autosserviço a cremeria

Atualmente, os produtos da Rochinha estão presentes em mais de 3 mil pontos de venda, incluindo padarias, supermercados, restaurantes e pequenos varejistas. A marca também mantém uma relação direta com o consumidor por meio de cerca de 300 “carrinheiros”, vendedores que atuam nas praias e acabam sendo um canal direto de escuta dos consumidores e validação de novos sabores.

A Rochinha opera, ainda, 23 franquias, e tem investido em um novo modelo de loja focado na experiência do consumidor — uma mudança que ganhou força no pós-pandemia. O antigo formato de autosserviço por quilo deu lugar a um conceito de cremeria, com atendimento assistido, ambientação convidativa e estímulo à experimentação.

As unidades de Moema e do Tatuapé, em São Paulo, seguem esse modelo, assim como a de cidades como Bauru, no interior do Estado. A loja principal de Ilhabela, no litoral, passou recentemente por uma remodelação.

“Tomar sorvete virou um programa, uma saída em família. As pessoas buscam um momento de prazer fora de casa”, afirma Adriane. A proposta se estende à curadoria musical, com playlists exclusivamente de música brasileira, e à valorização da conexão com o bairro e a comunidade. “Queremos ser uma marca presente nos momentos da vida das pessoas.”

Tecnologia sem abrir mão do contato humano

A Rochinha testa tecnologias para apoiar a operação, como totens de autoatendimento em lojas com alto fluxo turístico, além de soluções logísticas e delivery operadas pelas franquias. Mas a tecnologia é encarada como suporte, não como substituição da experiência. “O consumidor vem pela experiência e pelo contato. Isso é inegociável”, reforça.

Da mesma forma, a expansão segue uma lógica cautelosa. “Nosso crescimento é pé no chão. Não vamos abrir 200 lojas no próximo ano; o desafio é abrir 10, sempre avaliando cuidadosamente o ponto. Abrir uma loja é um investimento de vida para o franqueado”, diz Adriane. O foco segue concentrado em São Paulo e no Sudeste, com planos de ampliação gradual para o Sul nos próximos três anos.

A Rochinha também mantém parcerias – com marcas igualmente nacionais -, como com o Doce de Leite Rocca e o Brownie do Luiz. “Se vamos crescer, queremos crescer com parceiros que compartilhem nossos valores”, afirma a executiva.

O foodservice é outro pilar estratégico para 2026. A marca já está presente em casas como A Chapa, Joaquin’s e New Dog, seja com produtos próprios, seja compondo sobremesas do cardápio. “Nosso objetivo é oferecer soluções completas de sobremesa, com alto rendimento e constância de qualidade”, diz Adriane.

Imagens: Divulgação

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