O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva nesta segunda-feira, 20, que impõe tarifas de 50% sobre uma ampla gama de exportações canadenses.
A alíquota foi imposta em resposta ao que a Casa Branca descreve como “retaliação do Canadá à política comercial dos Estados Unidos e sua discriminação contra veículos automotores, laticínios e álcool americanos”.
“O presidente Trump está tomando medidas para responsabilizar o Canadá por sua discriminação contínua e pelo tratamento injustificado e desigual dado ao comércio dos EUA, o que tem onerado e prejudicado americanos trabalhadores”, diz o comunicado da Casa Branca.
O representante comercial dos Estados Unidos (USTR, em inglês), Jamieson Greer, acusou o Canadá de continuar a retaliar contra os Estados Unidos por seus esforços para reequilibrar o comércio e proteger a indústria dos EUA em setores sensíveis à segurança nacional.
“Especificamente, o Canadá retira produtos alcoólicos dos EUA das prateleiras canadenses, concede melhor acesso de mercado a produtos lácteos da União Europeia e impõe um limite às exportações de veículos dos EUA”, afirmou Greer.
Embora energia, potássio, minerais críticos e peixe fiquem isentos, outros produtos que até agora entram nos Estados Unidos sem tarifas, sob os termos do Acordo Canadá-Estados Unidos-México (USMCA), são atingidos.
As tarifas, que se enquadram na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, entram em vigor 30 dias após a assinatura, segundo o comunicado da Casa Branca. A medida dá ao presidente o poder de impor uma tarifa máxima de 50% sobre importações de países considerados discriminatórios contra a indústria dos Estados Unidos.
A alíquota de 50% é cinco vezes maior do que o imposto atualmente aplicado às exportações do Canadá para os EUA que não cumpre os regulamentos de regras de origem do USMCA.
Tarifa de 12,5%
O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, disse na sexta-feira, 17,que o governo americano pode fazer um anúncio sobre a nova tarifa de 12,5% que pode ser aplicada sobre produtos brasileiros, devido a práticas associadas ao trabalho forçado, nessa semana.
“Parece que haverá alguma manifestação do governo americano na semana que vem sobre esse assunto, vamos ver”, disse Müller, durante entrevista coletiva sobre as tarifas americanas. “Nós não temos outra alternativa, pelo menos não como agência de promoção de exportações, a não ser de seguir preparando as nossas empresas, seguir buscando novos mercados.”
A ApexBrasil realizou, na sexta-feira, uma entrevista coletiva para comentar o impacto consolidado da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros anunciada pelos EUA na noite de quarta-feira, 15, após a conclusão de uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.
Müller afirmou que haverá atenção especial a setores tarifados pelos EUA e com benefício tarifário na União Europeia (UE), com redução de tarifas decorrente do acordo do bloco com o Mercosul.
Com informação do Estadão de Conteúdo (Darlan de Azevedo).
Imagem: Envato















