A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, marcada para o próximo domingo, 7, na Avenida Paulista, deve movimentar cerca de R$ 466,2 milhões na economia da capital paulista. O valor representa uma queda de 15% em relação a 2025, quando o evento gerou aproximadamente R$ 548,5 milhões. A redução ocorre em meio à perda de 60% dos patrocinadores da edição deste ano, o que vem impactado a organização do evento.
A estimativa é de Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que explica que, com a queda de patrocínios, haverá menos trios elétricos e, consequentemente, um evento de menor escala, com menos pessoas circulando e menor movimentação no comércio local. Neste ano, a Parada terá 14 trios, contra 17 em 2025.
“O comércio deve perceber mais a diferença no número de pessoas, o que está relacionado à escala. Talvez não tanto no valor gasto, mas, sim, no número de pessoas, com certeza”, afirma Gamboa.
Embora menor, a movimentação financeira permanece relevante para a cidade, de acordo com a ACSP, especialmente para os setores de bares, restaurantes, hotelaria, turismo, transporte, comércio informal e venda de adereços, historicamente favorecidos pelo aumento do fluxo de visitantes na região central da capital.
Apesar de ser uma data importante para o comércio paulista no período, Gamboa destaca que o setor não é tão dependente da Parada do Orgulho LGBT+. “Nós também temos uma data importante em junho, que é o Dia dos Namorados. Então, eu acho que a Parada adiciona, mas não acredito que haja tanta dependência, porque é um mês que já tem o Dia dos Namorados alavancando as vendas.”
Evento segue aberto a novos patrocínios
Procurada pela Mercado&Consumo, a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (Apolgbt-SP), responsável pela organização do evento, afirma que “a Parada SP segue aberta ao diálogo com empresas e instituições interessadas em apoiar a realização do evento e das ações do Mês do Orgulho”.
Questionada sobre como a queda de patrocínios deve impactar o evento na edição deste ano, a Apolgbt-SP diz que não está tratando diretamente do assunto, destacando que “a Parada SP acontecerá graças a uma construção coletiva entre artistas, equipes, movimentos sociais, parceiros institucionais e marcas que seguem apoiando o evento”.
Marcas e artistas que seguem em apoio
Entre as empresas que permanecem com investimento financeiro nesta edição, a Amstel segue como patrocinadora oficial pelo oitavo ano consecutivo. O Grupo L’Oréal no Brasil também permanece como copatrocinador pelo quarto ano consecutivo, e Amstel Vibes e Philip Morris Brasil seguem como apoiadoras.
A Amstel anunciou as cantoras Pabllo Vittar e Urias como headliners do seu trio elétrico na Parada. “Este é um ano muito importante para nós e, é claro, eu estaria presente na Parada LGBTQIAPN+ de São Paulo. Essa é a trigésima edição de um evento super necessário, e eu tenho muito orgulho de estar presente nele ao lado da Amstel, que é uma parceira de longa data minha e também da nossa comunidade”, afirma Pabllo.

Diversos artistas que irão se apresentar na edição deste ano abriram mão do cachê completo ou parcialmente. Entre os nomes confirmados, estão Melody, Gloria Groove, Pepita, Jup do Bairro, Dornelles, Isma e o grupo Katy da Voz e as Abusadas, entre outros.
“Estou superfeliz em poder finalmente anunciar que estarei na Parada LGBTQIAPN+ de São Paulo este ano, principalmente ao lado da Amstel, que está presente há tantos anos. Estou muito animada por poder levar a turnê Carranca pra Avenida Paulista e dividi-la com todos que estarão lá”, diz Urias.
A rede Oxxo também marca presença na Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo pelo terceiro ano consecutivo, reforçando ações focadas em apoiar o movimento de diversidade e inclusão. Mais uma vez, a participação da marca acontece em parceria com o Grupo Heineken, por meio de Amstel Vibes.
“A Oxxo faz parte da dinâmica e da cultura das cidades, e estar na Parada LGBT+ pelo terceiro ano consecutivo faz parte da nossa forma de acreditar na construção de espaços mais acolhedores, representativos e conectados com uma agenda tão relevante quanto a equidade de gênero”, afirma Camila Assis, head de Marketing e Comunicação Externa da rede.

Dos patrocinadores da edição de 2025, a Sephora não renovou neste ano. A Mercado&Consumo entrou em contato com a companhia para entender os motivos da decisão, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.
Ano de eleição
Em ano de eleições presidenciais, a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo pretende levar para a Avenida Paulista um debate político. A organização do evento escolheu para a edição deste ano o tema: “A rua convoca, a urna confirma”. A intenção é ampliar o debate sobre a importância do voto e da participação política.
Para a Apolgbt-SP, o voto é um instrumento central para a definição de políticas públicas e garantia de direitos.
“A Parada existe porque a LGBTfobia persiste. Cresce porque a desigualdade permanece. Ocupa as ruas porque o poder ainda exclui. Trinta anos não são apenas uma celebração. São um chamado à ação. Um chamado para ocupar, para enfrentar, para participar e para decidir”, diz o presidente da Apolgbt-SP.

Com informações de Agência Brasil.
Imagens: Agência Brasil e Divulgação















