A Nike reduziu sua projeção de vendas após a pressão sobre o orçamento das famílias aumentar ao redor do mundo nos últimos meses. A fabricante de tênis e vestuário afirmou que o bom ritmo observado em março — especialmente na América do Norte — perdeu força rapidamente até meados de abril, principalmente nas divisões de sportswear e de streetwear da marca Jordan. A desaceleração, que coincidiu com a maior cautela dos consumidores diante da guerra no Oriente Médio e da alta da gasolina, exigiu mais descontos e também vem pesando sobre a sua carteira de pedidos futuros.
“Nosso consumidor está sob pressão no mundo todo”, disse o diretor Financeiro da Nike, Matthew Friend, em teleconferência com analistas na terça-feira, 30. A Nike agora projeta que suas vendas cairão em uma faixa de um dígito baixo a médio no acumulado de março até o fim de novembro, piorando a estimativa anterior que previa uma queda de apenas um dígito baixo. Apesar disso, a companhia manteve a expectativa de que o lucro fique “praticamente estável” no período.
“Não esperamos que o ambiente melhore de forma relevante nos próximos seis meses”, disse Friend, acrescentando que a volatilidade associada a mudanças em políticas tarifárias, ao conflito no Oriente Médio e aos preços do petróleo pode elevar custos e/ou pressionar o consumidor.
Diante do cenário econômico e das tendências recentes de escoamento de produtos, a Nike está adotando medidas para reduzir pedidos e administrar estoques. A empresa espera que isso pese sobre a receita, mas contribua para a expansão das margens, segundo Friend.
A atualização da projeção ocorre após a Nike divulgar mais uma queda nas vendas trimestrais, aumentando os desafios do diretor-presidente (CEO), Elliott Hill, para acelerar a melhora do desempenho.
A companhia vem implementando um plano de reestruturação sob Hill, que retornou à empresa em 2024. Houve avanços em algumas frentes – como corrida, atacado e América do Norte -, mas a Nike enfrentou dificuldades na China e com a marca Converse, além do enfraquecimento recente da demanda.
“Sabemos que não estamos atingindo todo o nosso potencial”, disse Hill.
Para o atual primeiro trimestre do ano fiscal, a Nike espera que a receita recue de um dígito baixo a médio. Analistas consultados pela FactSet estimam receita de US$ 11,5 bilhões, o que representa queda de cerca de 1,9% ante um ano antes.
No quarto trimestre fiscal, o lucro da Nike foi de US$ 1,07 bilhão, ou 72 centavos por ação, acima de US$ 211 milhões, ou 14 centavos por ação, um ano antes. O lucro por ação do trimestre inclui um impacto positivo de 52 centavos relacionado à recuperação esperada de tarifas sob a IEEPA.
Analistas consultados pela FactSet projetavam lucro de 12 centavos por ação.
A receita do trimestre recuou 1%, para US$ 10,97 bilhões, ante US$ 11,1 bilhões, e ficou acima da estimativa de analistas, de US$ 10,85 bilhões. A receita no atacado subiu 4%, enquanto a receita direta caiu 7%.
As vendas avançaram 3% na América do Norte e 1% na região de Ásia-Pacífico e América Latina, mas recuaram 1% na região abrangendo Europa, Oriente Médio e África. Na China, a queda foi mais forte: as vendas diminuíram 12%.
Os resultados foram divulgados após a Nike anunciar, na semana passada, um novo diretor financeiro. David Denton, atual CFO da Pfizer, deve assumir o comando das finanças da Nike em 17 de agosto, substituindo Friend.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Com informação do Estadão de Conteúdo (Dow Jones Newswires).
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