Atualizando a logística frigorificada na era da Inteligência Artificial

Inteligência Artificial

A Inteligência Artificial já está profundamente integrada à logística brasileira, especialmente em armazéns frigorificados, com aplicações que aumentam produtividade, precisão e previsibilidade operacional.

Com o aumento da complexidade das cadeias que atendem o varejo alimentar e o foodservice, a gestão logística necessita cada vez mais de recursos para acompanhamento e decisões em tempo real, além de tecnologias capazes de integrar dados.

Avanços significativos têm ocorrido em operações que já contam com dados estruturados em sistemas como WMS, analytics e plataformas em nuvem.

A era da baixa produtividade baseada em processos manuais, estoques sem acurácia e falta de rastreabilidade ficou para trás.

Aplicações de IA em armazenagem frigorificada de grande porte no Brasil

Descrevemos a seguir as principais práticas que têm contribuído para o desenvolvimento deste importante segmento da logística:

  1. Procurar sempre o menor caminho por meio da otimização de rotas de picking e da  movimentação interna nos armazéns

Sistemas de IA integrados ao WMS analisam padrões de demanda, temperatura, giro de produtos e restrições sanitárias para definir rotas mais rápidas e seguras dentro de câmaras frias.
Essas soluções já são usadas por grandes operadores brasileiros para reduzir deslocamentos e minimizar o tempo de porta aberta, crítico em ambientes congelados.

A redução do tempo de picking com uso da IA é significativa, como exemplificaremos logo mais.

  1. Previsão de demanda e slotting inteligente

A IA realiza previsões de demanda e reorganiza automaticamente o layout (slotting) para posicionar itens de maior giro mais próximos das áreas de expedição, reduzindo o tempo de separação em ambientes de baixa temperatura.

  1. Robôs AMR/AGV operando em câmaras frias

Robôs móveis autônomos (AMRs) e veículos guiados automaticamente (AGVs) já são usados em centros de distribuição refrigerados no Brasil para:

A adoção deixou de ser um projeto-piloto e tornou-se infraestrutura padrão em operações de grande porte.

  1. Visão computacional para inspeção e rastreabilidade

Câmeras com IA monitoram continuamente:

Isso reduz perdas e melhora a rastreabilidade, essencial para proteínas, laticínios e produtos farmacêuticos refrigerados.

  1. Manutenção preditiva de equipamentos frigoríficos

A IA monitora compressores, evaporadores e portas automáticas, prevendo falhas antes que ocorram.
Isso evita paradas e perdas de carga, um dos maiores riscos em armazenagem frigorificada.

  1. Orquestração inteligente entre robôs e operadores

Plataformas de IA coordenam, em tempo real, tarefas entre robôs e humanos, ajustando prioridades conforme:

Esse modelo já é usado por grandes varejistas e operadores logísticos no Brasil.

 Exemplos reais de resultados no Brasil

Empresas brasileiras que adotaram IA em operações de armazenagem, incluindo ambientes refrigerados, reportaram ótimos resultados, como os seguintes:

Por que a IA é especialmente valiosa em armazéns frigorificados?

De todas as modalidades logísticas, a frigorificada é a mais crítica e desafiadora pelos seguintes motivos:

Neste contexto, a IA se destaca como uma aliada essencial porque consegue manter um controle contínuo e extremamente preciso das variáveis críticas, como temperatura, umidade e padrões de consumo energético.

Em ambientes em que qualquer oscilação pode comprometer a qualidade dos produtos, especialmente alimentos, medicamentos e insumos biológicos, a IA atua de forma preventiva, identificando anomalias antes que se tornem problemas reais.

Em resumo, a IA reduz perdas, otimiza custos operacionais e garante um nível de confiabilidade que dificilmente seria alcançado apenas com monitoramento humano. Essa capacidade de antecipação e resposta rápida torna a IA uma recomendação quase obrigatória para quem busca eficiência e segurança máxima em operações frigorificadas.

Natalino Franciscato é gerente de Projetos da Gouvêa Consulting.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Imagem criada por IA

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