S&P rebaixa Meituan e prevê ritmo mais lento na expansão da Keeta no Brasil

Agência cita guerra de subsídios com a Alibaba e pressão nas margens

A S&P Global Ratings reduziu nesta quarta-feira, 4, a classificação de crédito da chinesa Meituan de A- para BBB+. Entre os motivos para a alteração, a agência de classificação de risco cita o aumento da competição no mercado chinês de entregas sob demanda e a pressão sobre margens e geração de caixa. Ainda de acordo com a S&P, a Meituan “deve reduzir o ritmo de entrada no Brasil”, onde atua por meio da plataforma de delivery Keeta.

O principal fator por trás da decisão é a disputa cada vez mais intensa com a Alibaba. A rival reorganizou sua operação de varejo e passou a direcionar recursos para ganhar participação no delivery, desencadeando uma guerra de subsídios especialmente em bebidas e itens não alimentícios.

Como resultado, a participação da Meituan caiu de cerca de 70% no fim de 2024 para pouco acima de 50% em 2025, enquanto a fatia da Alibaba cresceu de 20% para aproximadamente 40%.

“Não acreditamos que será fácil para a Meituan recuperar a participação perdida, já que a Alibaba demonstra determinação em ampliar sua fatia de mercado, mesmo às custas da rentabilidade do setor. Também observamos uma redução da vantagem da Meituan em custos de entrega por unidade e oferta de produtos”, analisa a S&P.

A S&P indica, ainda, uma perspectiva negativa para a dona da Keeta. Ela reflete o risco de “intensificação da guerra de subsídios nos próximos 12 a 24 meses”. A própria empresa indicou que seu principal negócio de comércio local poderá registrar mais prejuízos no primeiro trimestre de 2026, sugerindo que os subsídios continuam mesmo em um período tradicionalmente mais fraco para entregas.

Ainda de acordo com a agência, esse cenário pode afetar diretamente os planos de expansão internacional da companhia.  A S&P diz que a Meituan deve reduzir o ritmo de sua expansão no Brasil, onde atua por meio da Keeta e conta com investimento anunciado total de US$ 1 bilhão ao longo de cinco anos. “A empresa deve limitar o avanço no país até que o negócio de entregas na China se estabilize”, analisa. Por outro lado, a companhia deve acelerar a expansão no Oriente Médio para ganhar escala e reduzir perdas.

Mesmo com a desaceleração, o Brasil continua sendo visto como um mercado estratégico na expansão global da plataforma. A empresa mantém uma forte posição de caixa, com cerca de 141 bilhões de yuans em recursos disponíveis. Isso garante fôlego financeiro para sustentar investimentos e operações internacionais enquanto enfrenta a disputa doméstica.

Para a S&P, no entanto, a rentabilidade da companhia seguirá pressionada. A agência projeta que a guerra de subsídios no delivery continuará impactando as margens até pelo menos 2027, enquanto empresas como Alibaba e a plataforma de vídeos Douyin ampliam sua presença em segmentos que vão de delivery a serviços locais, hotelaria e viagens.

Keeta no Brasil

A plataforma de delivery de comida Keeta anunciou no fim do mês passado o adiamento do início de suas operações no Rio de Janeiro. Com a decisão, a empresa posterga também todo seu plano de ampliação dos serviços no Brasil.

A estreia da empresa no Rio de Janeiro estava prevista para a próxima semana. A companhia atribuiu a decisão de adiar a entrada em operação ao amplo alcance das cláusulas de exclusividade firmadas por outras plataformas de delivery, como 99Food e iFood, com as redes de restaurantes da cidade – problema que a Keeta já tinha detectado na operação em São Paulo.

A Keeta chegou ao Brasil no ano passado, com planos de investir R$ 5,6 bilhões no País ao longo de cinco anos. A operação em São Paulo teve início em 1.º de dezembro, com investimento de R$ 1 bilhão. Além da capital, a plataforma já atua nos municípios de Guarulhos, São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul, Osasco, Barueri, Diadema e Itaquaquecetuba. Mas sua entrada no Brasil começou com operações de teste em Santos e São Vicente.

O plano de atuar no Rio de Janeiro prevê um investimento de R$ 400 milhões. Segundo a Keeta, seu compromisso de longo prazo de investir R$ 5,6 bilhões no Brasil “permanece firme e inalterado”.

Imagem: Divulgação

Aiana Freitas

Aiana Freitas

Aiana Freitas é editora-executiva da plataforma Mercado&Consumo. Jornalista com experiência na cobertura de tendências de consumo, varejo, negócios, finanças pessoais e direitos do consumidor.

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