Skechers muda estratégia no Brasil e prevê chegar a 100 lojas próprias

Com cinco lojas em operação, marca prevê dobrar a rede em 2026

Skechers

Terceira maior marca de calçados do mundo, com faturamento previsto de mais de US$ 10,5 bilhões neste ano, a Skechers planeja ampliar sua presença no Brasil e chegar a 100 lojas próprias nos próximos anos. Com cinco lojas instaladas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a companhia pretende dobrar sua operação até o final de 2026. A expansão brasileira faz parte da estratégia global da marca, que prevê aumentar sua rede de cerca de 5.300 para 10 mil lojas nos próximos anos.

O plano de expansão começou a ser desenhado há cerca de um ano e meio, quando a matriz decidiu alinhar a operação brasileira aos padrões globais da marca. O processo exigiu uma revisão de processos internos, melhoria do catálogo de produtos e a contratação de uma equipe de liderança local.

“O que fizemos, além de toda a infraestrutura interna e investimento, foi começar a abrir lojas. Já abrimos cinco lojas e colocamos o e-commerce no ar”, afirma Sabrina Mônaco, CEO da Skechers Brasil.

Para iniciar este novo ciclo, a companhia investiu dezenas de milhões de reais, com recursos destinados a campanhas de marketing, aquisição de estoque, ampliação da estrutura de distribuição e um novo escritório corporativo em São Paulo, construído em menos de 65 dias. A companhia projeta dobrar o volume de negócios no Brasil a cada dois ou três anos.

“Não trabalhamos com um teto de investimentos. O valor atual é o mínimo necessário para dar suporte ao negócio”, afirma David Weinberg, COO da Skechers.

Os gargalos do passado

Segundo Weinberg, o Brasil sempre esteve no radar da Skechers, que lidera as vendas no Chile e vem crescendo na Colômbia e no Peru. A expansão no mercado brasileiro, porém, foi adiada por alguns anos devido às particularidades do país.

“No Brasil, a operação foi mais difícil por alguns fatores, como as regras de importação e os preços praticados na época, além da necessidade de desenvolver a produção local e entender melhor o mercado. Enquanto os negócios avançavam em outras partes do mundo, nunca houve dúvida de que o produto teria espaço no Brasil. A questão é que a empresa estava crescendo muito rapidamente em outros mercados e acabou adiando a expansão no País”, diz.

Fora da América Latina, a prioridade estava na expansão da operação nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, que levou a companhia a direcionar investimentos para a construção de grandes centros de distribuição, o que reduziu o espaço para novos aportes no Brasil naquele momento.

Três formatos de varejo físico e estreia no e-commerce

As cinco unidades inauguradas no Brasil até agora estão divididas entre os formatos outlets, lojas Concept e as chamadas BBS (Beautiful Big Big Stores), unidades maiores e de rua, como as que a marca mantém em outros mercados. A próxima loja será aberta no Aricanduva, em São Paulo. A empresa também já tem contrato assinado para uma loja em Ribeirão Preto e mantém negociações para os demais endereços que completarão a rede prevista para este ano.

Além das lojas físicas, a operação brasileira colocou no ar nesta semana uma plataforma de e-commerce integrada à tecnologia global da marca.

Para disputar espaço com marcas esportivas já consolidadas no Brasil, a Skechers aposta na diversificação do portfólio. A estratégia segue o conceito de “supervia” (super highway), com atuação simultânea em dez divisões de produtos, que incluem desde corrida e basquete de alta performance até linhas infantis, trilha e moda casual.

“Alguns dos concorrentes da Skechers são muito focados em uma única categoria. Eu gosto de usar uma analogia de que estamos na supervia. Se existem dez faixas, cinco indo em uma direção e cinco na outra, nós estamos em todas. Todas as categorias são importantes para a Skechers”, diz Michael Greenberg, presidente global da Skechers.

Imagem: Divulgação

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