As companhias aéreas panamenhas Copa Airlines e Wingo suspenderam voos de e para a Venezuela por dois dias. As empresas se juntam a outras oito que cancelaram voos para o país após um alerta da autoridade de aviação dos Estados Unidos sobre um aumento na atividade militar no Caribe.
Ambas as companhias aéreas anunciaram em comunicados publicados nesta quinta-feira, 4, que “devido a problemas intermitentes com um dos sinais de navegação da aeronave” relatados por seus pilotos, tomaram “a decisão preventiva de suspender temporariamente os voos de e para Caracas na quinta-feira, 4 de dezembro, e na sexta-feira, 5 de dezembro de 2025”.
“Continuamos avaliando a situação e compartilharemos mais informações nas próximas 24 horas”, afirmaram.
Joesley Batista pede renúncia de Maduro
Em reportagem, publicada pela agência de notícias Bloomberg, Joesley Batista, proprietário da JBS, viajou para Caracas na tentativa de persuadir o ditador venezuelano Nicolás Maduro a atender a um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que renuncie e, assim, permita uma transição pacífica do poder.
De acordo com a Bloomberg, o brasileiro se reuniu com Maduro no último dia 23 de novembro, depois que o presidente dos EUA ligou para o líder do país para instá-lo a deixar a Venezuela.
A reportagem destaca o papel de Joesley Batista como mediador, na tentativa de amenizar as tensões políticas entre o governo Trump e a Venezuela.
A Bloomberg diz que autoridades do governo Trump estavam cientes dos planos de Batista de visitar Caracas, mas não foi solicitado a ele viajar em nome dos EUA. “Joesley Batista não é representante de nenhum governo”, disse a J&F SA, holding da família Batista, em comunicado à Bloomberg.
A Casa Branca não comentou a reportagem da agência. O Ministério da Informação da Venezuela e o gabinete da vice-presidente Delcy Rodríguez também não responderam aos pedidos da Bloomberg de comentários sobre a visita de Batista.
A viagem de Batista a Caracas ocorreu em meio a sinais crescentes de que o governo Trump está preparando operações militares dentro da Venezuela. Washington denominou o Cartel de los Soles como uma organização terrorista e acusou Maduro de liderar o esquema.
Os Estados Unidos realizam desde setembro vários ataques letais contra embarcações que supostamente transportam drogas no Caribe e no Pacífico, e acusam o ditador Nicolás Maduro de liderar um cartel de narcotráfico.
Caracas nega e argumenta que o objetivo de Washington é derrubar o presidente venezuelano e tomar o controle do petróleo do País.
A reportagem da Bloomberg destaca que a JBS é proprietária da Pilgrim’s Pride Corp., produtora de frango com sede no Colorado, que doou US$ 5 milhões ao comitê de posse de Trump, a maior doação individual. A agência lembra ainda que a JBS obteve a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários para listar suas ações em Nova York.
Batista se reuniu com Trump no início deste ano para defender a remoção das tarifas sobre a carne bovina. A JBS é a maior fornecedora de carne do mundo e tem mais de 70 mil funcionários nos Estados Unidos e no Canadá.
A Bloomberg lembra também dos laços da família Batista com a Venezuela. Há anos, a JBS e Maduro negociaram um acordo de US$ 2,1 bilhões para o fornecimento de carne bovina e frango à Venezuela, em um momento em que o país passava por uma grave escassez de alimentos e hiperinflação.
Com informação do Estadão de Conteúdo.
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