Instituto que reúne principais bets pede regulamentação para apostas em previsões

Instituto diz que, sem regulamentação, mercados de previsão podem distorcer o setor e afetar arrecadação

Instituto que reúne principais bets pede regulamentação para apostas em previsões

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (Ibjr), que representa cerca de 75% do mercado brasileiro de apostas, pediu à Secretaria de Prêmios e Apostas (Spa) do Ministério da Fazenda que enquadre as empresas de mercados de previsão (prediction markets). Representantes do instituto se reuniram com a secretaria no dia 27 de fevereiro, quando apresentaram a demanda para que essas empresas sejam conceituadas como apostas e, assim, reguladas conforme o setor pela Lei nº 14.790/2023.

As empresas de mercados de previsão permitem que usuários negociem resultados de acontecimentos como eleições, comportamento dos indicadores econômicos (inflação/juros), clima e cultura pop. Para o Ibjr, ao serem apresentados como “contrato de evento”, “derivativo esportivo” ou “instrumento financeiro”, os prediction markets, esses serviços replicam a lógica das apostas esportivas, com risco binário, resultado incerto e retorno condicionado ao desfecho de um evento. Para as empresas de apostas esportivas que atuam hoje no mercado regulado, o produto dribla o enquadramento legal para operar fora do ambiente regulatório.

Oferecem os serviços de mercados de previsão no Brasil a plataforma americana Kalshi, fundada pela brasileira Luana Lopes Lara, e a plataforma baseada em criptomoedas Polymarket. Regulamentada nos Estados Unidos, a Kalshi firmou uma parceria com a XP para levar o mercado de previsão aos investidores brasileiros.

O objetivo da união é permitir que os clientes tenham acesso a essa nova categoria de instrumentos financeiros derivativos, que permite aos investidores tomar posições sobre os resultados de eventos do mundo real e indicadores econômicos. A parceria se dará por meio da Clear, marca da XP voltada a investimentos especializados em renda variável.

Em nota técnica encaminhada ao secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, e à secretária de Prêmios e Apostas, Daniele Cardoso, o IBJR sustentou que a ausência de enquadramento normativo claro pode gerar assimetrias regulatórias, distorções competitivas e impactos negativos sobre a arrecadação pública.

Segundo o Ibjr, no Reino Unido, tais produtos são claramente tratados como apostas. Nos Estados Unidos, cresce a supervisão e o reforço dos mecanismos de enforcement. Na nota técnica, o Ibjr afirma que nos EUA e também na Austrália autoridades públicas têm enfrentado desafios diante da sobreposição entre mercados financeiros e atividades com natureza materialmente equiparável a apostas.

“Considerando o estágio de consolidação do marco regulatório brasileiro e os objetivos de proteção ao consumidor, integridade do mercado e previsibilidade arrecadatória, o IBJR entende ser estratégico que o tema seja objeto de análise técnica coordenada no âmbito dessa Pasta, a fim de prevenir lacunas regulatórias e mitigar riscos sistêmicos”, conclui o documento, assinado pelo conselheiro e diretor do IBJR, Andre Gelfi.

O que diz o Ministério da Fazenda

Procurada a Secretaria de Prêmios e Apostas disse que, no momento, não há empresas brasileiras formalmente autorizadas pela Spa a atuar nesse segmento. Também afirmou ter recebido a nota técnica de empresas do setor na qual são apresentadas avaliações sobre os chamados mercados preditivos e “trata do tema com cautela, responsabilidade institucional e foco na prevenção de lacunas regulatórias , buscando assegurar coerência com o arcabouço legal vigente”.

“Quaisquer outras avaliações regulatórias sobre o assunto dependem da conclusão das análises técnicas em curso e serão conduzidas em articulação com os órgãos competentes, entre eles a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no intuito de análise acerca de eventuais interfaces regulatórias”, completou a Spa.

Com informação do Estadão de Conteúdo (Flávia Said).
Imagem: Shutterstock     

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