O uso crescente de medicamentos para perda de peso, como as canetas emagrecedoras, tem alterado o comportamento alimentar do brasileiro. A redução do apetite associada a esses tratamentos tem levado à busca por refeições menores, porém mais nutritivas, com destaque para produtos proteicos.
Segundo o estudo Bain Consumer Pulse 2026, da Bain & Company, o fenômeno já influencia diretamente o mercado de consumo. “O uso desses remédios está alterando a cesta de compras, com o aumento no consumo de suplementos, proteínas e academia, e redução em fast food e roupas plus size”, diz Ricardo De Carli, sócio da Bain na América do Sul.
De olho nesse filão, a Vida Veg vai lançar seis novos produtos ricos em fibras e proteínas ainda neste semestre. Entre os destaques do portfólio está o shake VegPro, disponível nos sabores morango e chocolate, sem adição de açúcar e com possibilidade de armazenamento fora da geladeira. Outra novidade é o IogVeg Zero, à base de aveia, com proteína de ervilha e creme de coco.
“Reformulamos nossas embalagens com destaque maior para quantidade de fibras e proteínas. Com o combate à obesidade ficando cada vez mais acessível e a mudança acelerada no padrão alimentar da população, vamos seguir inovando com lançamentos de opções saudáveis que auxiliem nesta jornada de emagrecimento com saude”, Álvaro Gazolla, CEO da Vida Veg.
A Scala e a Mais Um, de alimentos e bebidas saudáveis, fizeram uma collab para lançar um snack proteico salgado feito exclusivamente com queijo parmesão. O produto tem 134 kcal por porção e não utiliza aditivos artificiais, seguindo o conceito clean label.
“O snack de parmesão surge justamente para preencher essa lacuna, oferecendo ao consumidor uma alternativa salgada, prática, nutritiva e alinhada às novas demandas por produtos mais naturais e funcionais”, afirma Maria Cerchi, diretora administrativa da Queijos Scala.
A Konjac Mass, de macarrão instantâneo, também desenvolveu uma linha proteica, com um macarrão instantâneo com 32g de proteína vegetal por unidade e preparo em três minutos. Outra aposta é o Konjac Power Espaguete, que oferece 47 g de proteína e 13 g de fibras a cada 100 g, voltado ao preparo tradicional.
Já a Jasmine criou uma linha premium com proteína incluindo as versões cacau, com 38 g de proteína por 100 g, e a salgada, com 34 g de proteína por 100 g. “Diante do avanço da busca por proteína, desenvolvemos soluções que atendem diferentes momentos de consumo e estilos de vida”, afirma Ravenna Chaves, gerente de Saudáveis da M. Dias Branco
Além dos lançamentos de produtos, a JBS inaugurou, em Florianópolis, em Santa Catarina, um centro de biotecnologia dedicado ao desenvolvimento de proteínas funcionais e ingredientes bioativos. A estrutura reúne laboratórios voltados à pesquisa e validação de novas tecnologias aplicadas à produção de alimentos.
“A JBS Biotech é capaz de desenvolver desde proteínas funcionais, as chamadas superproteínas, até novos ingredientes bioativos para o mercado de suplementos e alimentos. Mais do que produzir um produto acabado, nosso objetivo é desenvolver conhecimento e tecnologia, acelerar provas de conceito e abrir caminhos para futuras aplicações em escala industrial”, destaca o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni.
A mudança no prato é global
Esse movimento da indústria e do varejo acompanha uma tendência global. Em 2025, 61% dos consumidores aumentaram a ingestão de proteínas, segundo levantamento da Cargill Protein Profile. Nos Estados Unidos, restaurantes já adaptam seus cardápios com miniporções e foco em densidade nutricional. No Brasil, sinais dessa mudança começam a aparecer.
“Os menus evoluem para high-protein mais fibra, com porções menores. Não é categoria separada, mas adição proteica em pratos clássicos. Aqui no Brasil vemos purês enriquecidos com whey protein, sorvetes, massas ricas em proteínas etc.”, afirma Cristina Souza, cofundadora e CEO da Tanjerin.
Cristina destaca que o impacto também é percebido no consumo fora do lar, com redução da frequência e do volume das refeições. “Em classes de maior poder aquisitivo os impactos são sentidos em restaurantes de alta gastronomia e casual dining. As mudanças visíveis: menos álcool, pratos proteicos, sushis sem arroz. Isso pode elevar ticket médio em 15% com upsell proteico, mas desafia em volume”, diz.
Imagem: Envato















