De uma pequena loja de artigos para pesca a um hub para os amantes do esporte. Em quase 80 anos de existência, a Dicks’ Sporting Goods segue se reinventando para atender aos novos desejos dos consumidores. Com cerca de 850 lojas, a rede é uma das maiores do país focada em artigos esportivos dos Estados Unidos e aposta, cada vez mais, em vender mais do que produtos, mas vivências.
O presidente-executivo do Conselho de Administração da empresa, Ed Stack, foi a primeira atração do palco principal da NRF Retail’s Big Show, que começou neste domingo, 11, de Nova York. Ele contou a Bob Eddy, CEO da BJ’s Wholesale Club, a trajetória da empresa por seu pai em 1948, falou sobre o impacto da Inteligência Artificial no varejo e destacou a importância do foco nas pessoas.
Stack começou a trabalhar aos 13 anos, sem entusiasmo, e só voltou por necessidade após a faculdade. “Em algum momento, eu me apaixonei por esse negócio, e esse amor segue vivo”, contou. Nesse período, acompanhou e liderou diversas transformações da marca, sendo a mais recente delas – e talvez a maior – a aposta no modelo “House of Sport”.
Essa lojas têm até 14 mil m², com quadras, campos, rinques, áreas de treino e experiências imersivas. Oferece uma série de serviços, como ajuste de tacos de golfe, manutenção de bicicletas e customização de luvas de baseball. A ideia é que o espaço seja mais do que um ponto de venda: seja um hub de comunidade, serviço e vivência esportiva.
Por trás do projeto da House of Sport, a ambição era grande e provocadora: imaginar um conceito que, se um concorrente montasse na frente de uma loja da Dick’s, isso acabaria com o negócio dela. Ou seja, um modelo capaz de canibalizar a própria Dick’s. “Precisávamos criar o conceito que mataria a Dick’s Sporting Goods se alguém fizesse primeiro”, disse Stack.
A resposta veio por meio da construção de um verdadeiro ecossistema. “O futuro do varejo é sobre comunidade. A loja deve ser um espaço em que pessoas vão mesmo quando não pretendem comprar, para jogar, treinar, participar de eventos ou simplesmente conviver.” Hoje, a Dick’s opera cerca de 35 unidades House of Sport e planeja abrir mais 15 no próximo ano. A meta, segundo Stack, é chegar a 75 a 100 lojas até 2028.

Dick’s compra Foot Locker e foca na cultura
Durante a palestra inicial da NRF 2026, Stack também foi questionado sobre o objetivo da aquisição da Foot Locker em agosto de 2024. Para ele, a marca é um ativo “com problemas”, mas com grande potencial de valorização, especialmente por causa da forte presença nos grandes centros. “Há comunidades que nunca conseguiríamos atender com uma Dick’s. A Foot Locker nos permite chegar a esses lugares.”
A Foot Locker também está em diversos países da Europa e da Ásia, terrenos novos para a Dick’s. “Isso nos dá uma porta de entrada internacional que não tínhamos”, disse. A integração das duas marcas segue em andamento.
A cultura foi destacada por Stack como grande diferencial competitivo da Dick’s. A filosofia é clara: menos ego, mais colaboração. “Não toleramos ‘brilliant jerks‘’”, disse, referindo-se a profissionais tecnicamente brilhantes, mas tóxicos no ambiente profissional. A empresa também criou o Left Tackle Award, prêmio interno para reconhecer quem faz o trabalho essencial longe dos holofotes.
Outra regra cultural é o “Yes, if“. Em vez de responder a novas ideias com “não, porque”, os times são estimulados a dizer “sim, se”, buscando caminhos para viabilizar propostas. “Isso muda completamente a mentalidade das pessoas,”, afirmou.
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Imagem: Aiana Freitas/Mercado&Consumo















