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Home Artigos

No futuro normal, mais competição à vista

Marcos Gouvêa de Souza de Marcos Gouvêa de Souza
12 de outubro de 2020
no Artigos, Destaque do dia
Tempo de leitura: 3 minutos

No futuro normal em que recém entramos, superada a fase mais aguda da pandemia global, se tem algo que não podemos desprezar é o acirramento do nível de competitividade que teremos no mercado. Temos e teremos mais competição à vista, à prazo e em quase todos os segmentos de negócios.

O gerador comum dessa situação é a exponenciação do empoderamento do omniconsumidor-cidadão que, de forma geral, criou mais intimidade e tornou-se ainda mais conectado digitalmente no período da pandemia. E hábitos convenientes, facilitadores e menos estressantes não retrocedem.

Durante todo o período da pandemia, a intimidade dos consumidores com tudo que é relacionado com o digital cresceu de forma marcante. Para informação, relacionamento, conexão com outros consumidores – conhecidos ou não -, busca e pedido de produtos e serviços, compras, devoluções, comparação de preços, ofertas e promoções, análise das opiniões de quem já comprou ou usou, reclamações, acesso ao mercado financeiro e tudo mais.

No isolamento contigencial, o digital se transformou no instrumento principal de conexão global, acelerando, de forma dramática, um processo que já vinha em acelerada expansão.

O resultado macro disso é que consumidores mais informados, conectados e empoderados pelo acesso a quase tudo por um clique tornam-se mais discriminantes em seu processo de escolha e compra de produtos e serviços.

De outro lado, o quadro contingente também ampliou a oferta de bens e serviços, e as empresas se viram obrigadas a criar alternativas de conexão direta com os consumidores como forma de ampliar canais e meios de conexão, relacionamento e venda. E essa ampliação da oferta também é indutora da maior competição pela preferência, acirrando a concorrência.

No escaldante calor da semana passada, por exemplo, cresceu de forma exponencial o número de ofertas de ventiladores de mesa nos sites de Magalu, Via Varejo e Americanas, comparado com o que havia dois ou três anos atrás, por efeito da ampliação da oferta das próprias empresas e mais o efeito potencializado da opção marketplace. Sempre com uma infinidade de opções de ofertas, prazos e condições de entrega, extensão de garantia e parcelamentos.

O que demandaria um bom tempo de deslocamento e visita a diversas lojas num mesmo shopping ou nas ruas, comparando e avaliando alternativas, é feito agora com uma amostra muito maior de opções, de forma mais simples e conveniente, no conforto de sua casa. E qual é exatamente a experiência única que a compra de um ventilador pode oferecer num ponto de venda tradicional que motive o deslocamento e o tempo do consumidor?

Da mesma forma, o cliente de lavanderia, que tinha no passado a opção do “do oriental da esquina” (com todo o respeito pelas colônias), tem hoje a multiplicação de redes de lavanderias que chegam patrocinadas ou franqueadas por corporações globais como Unilever e P&G.

O efeito macroeconômico global de tudo isso é um aumento da competitividade entre negócios que tende a continuar crescendo à medida que avança de forma irreversível a penetração do uso do digital na escolha e compra de produtos e serviços. E em cadeia, pois a pressão que chega do consumidor no varejo é repassada em toda a cadeia de abastecimento num efeito espiral.

Esse fenômeno resulta numa constante e crescente pressão sobre a rentabilidade bruta dos negócios e força um esforço concentrado para a manutenção ou melhoria da rentabilidade líquida pela compensação, se possível mais que proporcional, por meio do aumento da eficiência operacional e redução de custos.

Se formos considerar um pensamento “copo meio cheio”, a economia, global e local, estaria sofrendo um processo compulsório de busca de eficiência e produtividade acelerada pela pandemia.

Se formos pelo lado do “copo meio vazio”, o acesso aos instrumentos, processos, tecnologia e recursos para a busca dessa maior eficiência definitivamente não é homogêneo, o que limita os resultados e reduz o espaço competitivo, concentrando o mercado.

É por isso que no futuro normal do qual cautelosamente nos aproximamos, muito mais do que no passado recente, a competição será irreversivelmente crescente. Para o mal e para o bem. Pode escolher sua opção.

Marcos Gouvêa de Souza é diretor-geral e fundador da Gouvêa Ecosystem.

Imagem: Bigstock

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Marcos Gouvêa de Souza

Marcos Gouvêa de Souza

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem, o mais relevante ecossistema de consultorias, soluções e serviços que atua em todas as vertentes dos setores de Varejo, Consumo e Serviços. É membro do Conselho do IDV, IFB e Ebeltoft Group, presidente do LIDE Comércio, conselheiro do grupo BFFC/Bob's, publisher da plataforma MERCADO&CONSUMO e autor/coautor de mais de dez livros relacionados aos temas de sua especialidade.

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