“É uma grande vitória para o consumidor”, diz presidente da Shein sobre fim da taxa das blusinhas

Abiacom critica a medida e afirma que a isenção cria um privilégio tributário para plataformas internacionais

Na última terça-feira, 12, o governo federal assinou uma Medida Provisória para colocar fim à chamada taxa das blusinhas, isentando impostos federais sobre compras de até US$ 50. A decisão foi vista com bons olhos por empresas asiáticas, como a Shein. “Reconhecemos que essa é uma grande vitória para o consumidor e acreditamos que a decisão contribui para ampliar o acesso da população a produtos de qualidade, a preços acessíveis e a uma maior diversidade de oferta, preservando a competitividade, a inclusão econômica e a liberdade de escolha dos brasileiros”, afirma Felipe Feistler, presidente da empresa no Brasil.

A Shein também afirmou, em nota, entender a medida como “um passo importante para democratizar o acesso e proteger o poder de compra da população brasileira”, especialmente entre as classes sociais mais baixas.

Assim como a Shein, a AliExpress também manifestou apoio ao fim da taxa das blusinhas, sob a justificativa de que a decisão amplia o acesso do consumidor brasileiro a produtos, tecnologias e marcas globais “que muitas vezes não estão disponíveis no mercado nacional”.

“Acreditamos que iniciativas que reduzam barreiras ao consumo contribuem para oferecer mais variedade e poder de escolha a consumidores de todas as classes sociais. O AliExpress segue comprometido com o desenvolvimento da digitalização do varejo no Brasil, sempre respeitando a legislação aplicável aos mercados em que opera”, acrescenta.

A Shopee afirma que cumpre a legislação vigente e está em conformidade com as recentes mudanças implementadas pelo governo federal em relação à tributação de compras internacionais.

“Desde o início da operação da plataforma no Brasil, o foco sempre esteve no fortalecimento do ecossistema de e-commerce local. 95% das vendas são realizadas por vendedores brasileiros, reflexo do compromisso contínuo com o empreendedorismo, a geração de renda e a contribuição para a economia do País”, diz.

Apesar do apoio das empresas internacionais de e-commerce, a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e Comércio Eletrônico (Abiacom), que representa as empresas do País, criticou a decisão, alegando que a isenção para importados “não representa uma defesa do consumidor, mas sim um privilégio tributário concedido às plataformas estrangeiras”.

A associação afirma que as empresas que desejam vender para consumidores brasileiros devem seguir as mesmas regras aplicadas às companhias nacionais.

“Se o governo pretende reduzir impostos, a Abiacom defende que essa redução alcance todos os agentes do mercado, especialmente aqueles que produzem, investem e geram empregos no País. O movimento global tem sido o de fechar brechas em remessas internacionais de baixo valor, e o Brasil não deveria seguir na contramão dessa tendência”, diz.

Impacto nas plataformas estrangeiras

De acordo com Paulo Brenha, executivo especialista em comportamento do consumidor, essa mudança afeta diretamente a estratégia competitiva de plataformas como Shein, AliExpress e Shopee no Brasil, pois durante o período de maior taxação, os marketplaces internacionais precisaram adaptar suas operações, ajustando logística, precificação e comunicação para reduzir o impacto na experiência do consumidor.

“Muitos aceleraram a criação de centros de distribuição locais, estabeleceram parcerias no País e desenvolveram estratégias para manter a competitividade. Com o fim do imposto federal, essas plataformas recuperam parte importante da sua atratividade comercial, especialmente nas categorias mais sensíveis a preço”, afirma.

Segundo o especialista, isso fortalece novamente empresas como Shein, Shopee e AliExpress, que já operam em escala global, com cadeias altamente eficientes e forte capacidade promocional.

“No fim do dia, essas plataformas não competem apenas por preço. Elas competem por conveniência, variedade, desejo de consumo e velocidade de tendências, o que amplia ainda mais a pressão competitiva sobre o varejo nacional”, destaca.

Por que o fim da taxa das blusinhas preocupa o setor?

O especialista afirma que o varejo brasileiro tende a sentir mais o impacto do fim da taxa das blusinhas porque já compete em um ambiente desafiador, com carga tributária elevada, custos logísticos, aluguel, folha de pagamento, energia, crédito caro e margens comprimidas.

“Quando o produto importado chega com menos imposto federal, essa diferença competitiva aumenta. E o problema não está apenas nas grandes redes. O pequeno comércio local tende a sentir ainda mais, especialmente lojas de bairro, pequenos varejistas digitais e empreendedores que atuam em categorias de baixo ticket, como moda popular, acessórios e utilidades, produtos que ajudam a gerar fluxo, giro e recorrência”, explica.

Como isso impacta o consumidor?

Brenha destaca que, do ponto de vista do bolso, a medida pode estimular os consumidores a retomarem as compras em plataformas internacionais em maior volume.

“O consumidor brasileiro ficou mais global e passou a comparar preço, prazo, conveniência e experiência com empresas que operam em escala mundial”, acrescenta.

Diante disso, o especialista ressalta que o varejo nacional precisará agir com mais inteligência e em várias frentes. “Não é mais possível competir apenas no preço. O caminho passa por experiência de atendimento, confiança, facilidade de troca, entrega rápida, curadoria de produtos e construção de relacionamento e marca”, diz.

Imagem: Envato

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