Na primeira sessão de julgamento de 2026, o Colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou Josué Gomes, diretor-presidente e de Relações com Investidores da Coteminas, ao pagamento de multa de R$ 55 mil. A sanção deve-se à falha na elaboração e no envio tempestivo das demonstrações financeiras referentes ao exercício social de 2023. Josué é filho de José Alencar, fundador da companhia e ex-vice-presidente da República.
Como o Colegiado atualmente tem apenas dois integrantes – o presidente interino, João Accioly, e a diretora Marina Copola -, o superintendente de Relações Institucionais, Thiago Paiva Chaves, atuou como diretor substituto.
Gomes poderá apresentar recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional. Outros dois acusados – Barbara Gomes da Silva e João Batista da Cunha Bonfim, na qualidade de diretores da Coteminas – foram absolvidos.
Procurado para comentar o assunto por meio da Coteminas, Josué Gomes não foi encontrado até o fechamento deste texto.
Recuperação judicial
A empresa do ramo têxtil está em recuperação judicial desde 2024, com dívidas que somam mais de R$ 2 bilhões. Na petição, o conglomerado alega que o seu modelo de negócios — que rendeu grande alavancagem no início das operações — passou a enfrentar desafios de liquidez nos últimos anos. Segundo a companhia, a situação foi agravada pela pandemia de covid-19 e pela desvalorização do real frente ao dólar.
Segundo o magistrado, “os documentos trazidos pelas requerentes (empresas do grupo), ao demonstrar objetivamente a sua situação patrimonial, denota, à primeira vista, a urgência e a necessidade da medida, com indicação de ser aparentemente superável o estado de crise econômico-financeira pelo qual atravessa e também retrata a perspectiva de que possa se soerguer”.
Com informação do Estadão de Conteúdo (Juliana Garçon).
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