Fundada em 2011 com um investimento inicial de R$ 10 mil, a brasileira Wishin projeta alcançar R$ 69 milhões em faturamento em 2026. A marca nasceu de forma simples, com um lote de apenas 20 sapatilhas vendidas no porta-malas de um carro, e hoje se consolida como um case de crescimento no setor de calçados ao apostar no conceito de “conforto inteligente”. Seu movimento mais recente é a entrada em shopping centers.
A Wishin foi criada pela estilista Anna Shin em parceria com sua irmã, a designer Joana. Muito antes de a pandemia de Covid-19 impulsionar a busca por conforto, as fundadoras já questionavam a lógica do salto alto no dia a dia..
“Percebemos que o conforto é fundamental e que o sapato ideal é aquele que você nem lembra que está usando. Achamos um parceiro que abraçou a ideia, e assim nasceu nosso primeiro modelo, uma sapatilha desconstruída e macia. Começamos vendendo no porta-malas do carro para amigas e depois em feiras, como a da Benedito Calixto, em São Paulo”, conta Anna em entrevista à Mercado&Consumo.
A primeira loja física veio pouco tempo depois, na rua Maria Antônia, próxima à Universidade Mackenzie, marcando o início da construção de uma marca que hoje comercializa quase 200 mil pares de calçados por ano. Além dos sapatos femininos, o portfólio inclui acessórios como bolsas, carteiras, cintos, meias e itens para cuidados com os produtos. O ticket médio é de R$ 312.
A presença digital da Wishin explodiu nos últimos anos, e a marca saltou de 10 mil seguidores em 2020 para mais de 510 mil atualmente. A própria Anna passou a ter maior presença nas redes sociais. “O consumidor quer ver quem está por trás, entender os valores. Isso gera proximidade e confiança. Nossa produção de conteúdo é interna e busca sanar as dúvidas das clientes, como o toque do material ou o ajuste no pé, para que elas se sintam confortáveis em comprar pelo site.”
O e-commerce da Wishin é responsável por cerca de 60% do faturamento. A marca opera, ainda, com cinco lojas físicas em São Paulo e em Belo Horizonte e estreou recentemente num shopping center, o Morumbi. “Para nós, o e-commerce fortalece a loja física de forma orgânica; muitas clientes veem o sapato no site e vão provar na loja”, conta Anna. “A loja do shopping tem um modelo diferente, com dinâmicas e custos distintos da loja de rua, mas o convite do shopping nos deu a força necessária para esse novo passo.”
Um dos diferenciais da Wishin é a taxa de recompra. Modelos que estão no portfólio há vários anos seguem entre os mais vendidos. “A cliente busca o que é familiar e funcional para o dia a dia. Chamamos isso de ‘conforto inteligente’: algo que facilita a vida e não gasta energia. A pandemia acelerou esse questionamento sobre a ‘obrigação’ do salto alto. As mulheres descobriram que podem se sentir belas, amadas e poderosas sem ele. O antigo não quer dizer que é velho, mas sim que é funcional dentro dos nossos contextos atuais.”
Imagem: Divulgação















