Retail media in-store: quando o varejo vira uma plataforma de mídia de verdade

Retail media in-store: quando o varejo deixa de ser local de transações e vira uma plataforma de mídia de verdade

O amadurecimento silencioso que está redesenhando a relação entre varejo, indústria e agências no Brasil. Durante muito tempo, a lógica era simples e confortável:

Só que a digitalização do PDV avançou tão rapidamente quanto a mudança de comportamento do consumidor. E o mercado, finalmente, começou a responder.

O que estamos vivendo agora com o retail media in-store no Brasil não é uma moda nem um “novo formato de tela”. São transformações de modelo e de modo de pensar. E elas acontecem quando toda a cadeia de planejamento de mídia entende que o varejo não é apenas um ponto de venda, é um veículo com audiência e contexto, com a capacidade real de medir conversão.

É exatamente nesse ponto que estamos trabalhando: de enxergar o varejo, não como apenas um ponto de transações de compra e venda, mas como um ponto de conexão entre marcas e shoppers dentro PDV, ajudando a empurrar e amadurecer, o mercado de mídia e performance como um todo.

O negócio do varejo começa a aprender a falar outra língua: a  da mídia. E isso muda tudo.

Segundo a Deloitte, em 2024, 71% dos varejistas globais que operam retail media já utilizavam modelos de closed-loop analytics, conectando exposição às vendas reais. Não é sobre impacto visual. É sobre métrica, governança e performance. É o varejo se posicionando como publisher, com responsabilidade editorial, dados e credibilidade.

Do outro lado do balcão, as agências também estão reaprendendo. Durante anos, o planejamento parava no OOH e nas avenidas de alto fluxo. Agora, ele entra na loja, em um ambiente com regras próprias, fluxos específicos, tempos de atenção diferentes e missões de compra muito claras. Planejar mídia in-store exige entender varejo de verdade. Não dá mais para aplicar o mesmo racional do outdoor ou do digital.

Quando isso acontece, toda a cadeia amadurece:

Como a velocidade desse tema é altíssima, muito se falou na NRF 2026 sobre o impacto da IA agêntica e como as plataformas de IA começarão a fazer compras pelo usuário. Isso tem impacto direto no varejista, que tem seu poder de influência alterado caso não estiver bem indexadoe integrado no mundo da Inteligência Artificial e seus agentes.

A McKinsey mostra que estratégias bem estruturadas de retail media físico podem gerar uplift de vendas entre 3% e 8%. Mas o número, sozinho, não conta a história inteira. O verdadeiro ganho está na mudança de mentalidade: o PDV passa a ser uma plataforma de monetização e inteligência.

Diferentes estudos já apontam o retail media in-store como um dos territórios de maior experimentação de verba global, justamente porque obriga marcas e agências a repensarem linguagem, KPIs e jornada. Os indicadores de performance são temas de discussão constante, inclusive nesta última NRF, que estimulou a discussão entre indicadores de mídia online, mídia offline e retail media. Existe compatibilidade entre esses três meios para o anunciante medir a performance e o lift de vendas das campanhas? “Resposta ainda em construção”.

O que estamos vendo no Brasil é o início dessa virada. Ainda em construção, ainda com muitas avenidas de oportunidades a serem pavimentadas, mas irreversível.

O retail media in-store não é somente digitalização + tecnologia no ponto de venda. É cultura. É linguagem. É estratégia. É resultado mensurável.

Seja você um varejo, uma indústria ou agência, quem entender essa nova linguagem e estratégia não vai apenas acompanhar o movimento, vai liderar. A pergunta que fica é simples e incômoda: sua empresa ainda enxerga a loja apenas como ponto de venda ou já entendeu que ela virou mídia? Sua agência, já enxerga o varejo como extensão da sua estratégia de mídia e relacionamento com seus clientes?

Alexandre van Beeck é diretor de Operações de Retail Media da ConvertaAds.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Imagem: Envato

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