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Home Varejo

Mercado de luxo deve somar R$ 120 bilhões em 2026

Pesquisa Serasa Experian/Insights Hub diz que há 7,5 milhões de clientes premium no Brasil

Redação de Redação
17 de janeiro de 2026
no Destaque do dia, Notícias, Varejo
Tempo de leitura: 6 minutos
Mercado de luxo deve somar R$ 120 bilhões em 2026

O mercado de luxo do Brasil ultrapassou uma barreira simbólica em 2025: a dos R$ 100 bilhões. Em 2024, o faturamento foi de R$ 98 bilhões, segundo a pesquisa A Nova Era do Mercado de Luxo, da Bain & Company. Com a previsão de alta de 7% nas vendas do ano passado, projeção feita pela consultoria Euromonitor, o setor se aproximou dos R$ 105 bilhões. Em entrevista, Marcelo Chirico, especialista no segmento luxo, afirma que o mercado pode se aproximar de R$ 120 bilhões e até chegar a R$ 130 bilhões, em 2026. Em 2024, ele era de R$ 41 bilhões.

Mesmo com os números do ano passado ainda sendo consolidados, o movimento mostra o potencial do setor no país. Entre 2022 e 2024, pelo levantamento da Bain & Company, o crescimento médio anual foi de 12%, quatro vezes superior ao da média mundial (3%). Dentro do luxo, os subsegmentos de maior peso são Moda & Itens Pessoais, Imóveis e Automóveis. Cada um movimentou em torno de R$ 21 bilhões, em 2024. Saúde (R 14 bilhões) e Aviação (R$ 6 bilhões) formam o Top 5.

Em termos percentuais, os maiores crescimentos foram registrados nos segmentos de Automóveis (18%), Hotéis & Experiências (16%), Saúde (15%), Imóveis (13%) e Iates (12%). O especialista Chirico afirma que o setor, apesar da performance acima de qualquer indicador macroeconômico ou do varejo em geral, traz também desafios, principalmente relacionados à pressão cambial e à carga tributária sobre os chamados itens supérfluos. Por outro lado, ele avalia que o potencial acordo Mercosul–União Europeia pode aliviar parte dessas tarifas nos próximos anos.

Geração prateada

Outro estudo recente que joga luz sobre esse universo foi divulgado no fim de novembro pela Serasa Experian, realizado por meio da plataforma de inteligência de dados Insights Hub, que identificou 7,5 milhões de clientes premium no Brasil. Destes, metade tem mais de 49 anos, o que evidencia o peso da chamada Geração Prateada no luxo. Para Gustavo Monteiro, diretor da datatech, “esse público tem alta capacidade de gasto e hábitos que mesclam sofisticação, planejamento e conveniência”.

Entre os consumidores premium identificados pela Serasa Experian, predominam homens (56%), 57% possuem renda superior a R$10 mil mensais, 76% são heavy users de cartões de crédito premium, 64% são investidores e 62% são viajantes. Mapear esse perfil é mais do que trabalhar apenas dados, mas entender suas motivações de consumo. Segundo Monteiro, os dados de comportamento e estilo de vida complementam a leitura financeira tradicional. “Isso permite entender o consumidor premium de forma mais completa, indo além do poder de compra”, afirmou Monteiro.

Pelo lado da oferta, o setor enfrenta um problema crônico de todo o varejo: mão de obra. No caso do luxo, segundo o relatório Future of Luxury 2025, elaborado pela Backslash (unidade de inteligência cultural da TBWA\Worldwide) com a agência 180 Luxe, 47% dos principais diretores executivos da Europa consideram a escassez de mão de obra qualificada um dos maiores estressores na cadeia de suprimentos.

Outro ponto importante destacado no relatório é o que os autores chamam de “demanda pela transparência dos bastidores”. Se as marcas não fornecerem esse tipo de transparência, afirmam os autores, pessoas e publicações farão isso por elas. E citam como exemplo a investigação feita pela Bloomberg e publicada em março de 2024 sobre a grife Loro Piana. A reportagem mostrou que a empresa do grupo LVMH, que vende um suéter de US$ 9 mil feito com a melhor lã de vicunha do mundo, paga a seu fornecedor, uma vila peruana inteira, o equivalente a US$ 280 pela fibra para fazê-lo. “Em breve, as marcas serão legalmente obrigadas a permitir a rastreabilidade total.” Confira a entrevista de Chirico sobre esse universo de alta complexidade e igualmente elevadas oportunidades.

Em 2024, o mercado movimentou aproximadamente R$ 98 bilhões e passou dos R$ 100 bilhões em 2025. Qual a estimativa realista para 2026?
As projeções indicam que o mercado brasileiro de luxo pode atingir R$ 120 bilhões em 2026. De forma otimista, R$ 130 bilhões. Esse crescimento pressupõe estabilidade macroeconômica relativa e amadurecimento do consumo de alto padrão.

O que sustenta essa alta?
A sofisticação da demanda, a expansão das experiências premium e o uso estratégico de tecnologia sustentam esse avanço, ainda que riscos fiscais possam moderar o ritmo.

E em termos de comportamento. O que puxa o mercado de luxo acima de todos os demais setores?
O crescimento recente foi impulsionado principalmente por automóveis premium, hospitalidade de alto padrão e experiências de luxo, como viagens personalizadas, gastronomia autoral e bem-estar. Esses segmentos passaram a capturar uma parcela maior do gasto do consumidor de alta renda. Isso reflete a migração do luxo material para o luxo experiencial, com foco em serviço, recorrência e valor percebido.

Como o desempenho do Brasil se compara, em números, a Ásia, Europa e Estados Unidos?
O Brasil ainda é menor em volume absoluto, mas cresce acima da média dos mercados maduros. Enquanto Europa e Estados Unidos apresentam crescimento anual entre 5% e 7%, o Brasil sustenta taxas mais altas [de 12% em média ao ano entre 2022 e 2024]. Trata-se de um mercado em transição, que cresce menos por escala e mais por sofisticação do consumo.

Quem é esse consumidor?
Esse consumidor é definido menos pela renda mensal e mais por patrimônio acumulado, estabilidade financeira e capital cultural. Em geral, está entre 35 e 60 anos, com alta capacidade de gasto e familiaridade com os códigos do luxo. É pouco tolerante a marcas genéricas ou discursos vazios e valoriza excelência no serviço, coerência entre narrativa e prática e experiências consistentes. O consumo tende a ser seletivo e orientado por valor.

E gerações mais novas?
Atualmente, Millennials (nascidos entre 1981 e 1996) e Gen Z (entre 1997 e 2012) representam cerca de 35% do consumo de luxo no Brasil. A expectativa é que esse percentual se aproxime de 45%. Essas gerações influenciam linguagem, canais e valores das marcas, além de exigir maior transparência, propósito e relevância cultural.

Entre os hábitos mais recentes de consumo está uma cobrança maior sobre as marcas, desde a transparência até a coerência entre discurso e prática. Qual o peso que isso pode levar ao setor?
Esse desalinhamento [entre marca e expectativa do consumidor] pode representar uma perda potencial entre R$ 8 bilhões e R$ 12 bilhões por ano. A ausência de representatividade, estética e simbólica, afasta um público com alto poder de compra e forte recorrência. O impacto é financeiro e também estratégico, pois limita crescimento sustentável e valor de marca.

O luxo migra do objeto para a experiência?
Sim. Hoje, consumidores de alto padrão destinam entre 35% e 40% do orçamento de luxo a experiências, como viagens, gastronomia e bem-estar. A projeção é que esse percentual ultrapasse 45% em 2026. O luxo passa a ser associado a memória, significado e vivência, não apenas à posse.

Como a tecnologia aumenta tíquete médio e fidelização?
O uso de Inteligência Artificial, big data e CRM avançado permite alto nível de personalização no relacionamento. Marcas que utilizam bem essas ferramentas registram aumentos entre 15% e 25% no tíquete médio, além de ciclos de recompra mais curtos. A tecnologia amplifica a experiência e reduz fricções, sem substituir o contato humano.

Como está a complementaridade entre digital e físico no luxo?
Mais de 70% das compras de luxo envolvem algum tipo de interação digital antes da conversão presencial. O consumidor pesquisa, compara e cria expectativas no ambiente online. A loja física continua essencial como espaço de validação sensorial e relacional, enquanto o digital prepara o encantamento.

Sustentabilidade influencia diretamente a decisão de compra no luxo?
Sim. Cerca de 65% dos consumidores de luxo consideram práticas sustentáveis decisivas na escolha da marca. Em 2026, esse percentual deve ultrapassar 70%, especialmente entre Millennials e Gen Z. Sustentabilidade deixa de ser diferencial e passa a ser requisito de legitimidade.

O perfil do consumidor deve permanecer o mesmo?
A base permanece relativamente estável, mas o comportamento evolui. O consumidor se torna mais crítico, menos ostentatório e mais orientado por valor, narrativa, experiência e coerência de marca. O luxo passa a ser uma escolha consciente e cultural, não apenas econômica.

Em termos de oferta, do produtor, biodiversidade e artesania brasileiras já viraram vantagem competitiva?

Sim, principalmente em nichos autorais de moda, design e joalheria. O interesse internacional por esses atributos cresce em torno de 10% ao ano, impulsionando exportações e colaborações. A combinação entre biodiversidade, narrativa cultural e saber artesanal posiciona o Brasil de forma única no luxo contemporâneo.

O que deve marcar o mercado de luxo em 2026?
O mercado tende a eliminar modelos oportunistas e fortalecer marcas com proposta clara e gestão sólida. Os principais sinais serão margens mais saudáveis, menor dependência de descontos e aumento do lifetime value do cliente. O crescimento passa a ser mais qualitativo do que expansivo.

Um risco em 2026?
O principal risco é a banalização do luxo por excesso de promoções e massificação, o que corrói valor de marca.

E uma grande oportunidade?
Posicionar o Brasil como referência em luxo sensorial, cultural e experiencial. O impacto é relevante em valuation, margem e competitividade internacional.

Com informações de Agência DCNews
Imagem: Envato

 

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