Os EUA aceitaram suspender, em uma nova proposta, as sanções petrolíferas contra o Irã, segundo uma fonte próxima à equipe de negociações ouvida pela agência de notícias Tasnim, em mensagem enviada nesta segunda, 18, via Telegram.
“Os americanos, diferentemente dos textos anteriores, aceitaram no novo texto suspender as sanções petrolíferas contra o Irã durante o período de negociações”, diz a mensagem.
A suspensão das sanções significa uma flexibilização temporária das medidas restritivas sobre a commodity iraniana e pode aliviar os preços do petróleo. Mais cedo, o chefe da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou que os estoques comerciais de petróleo estão se esgotando rapidamente.
A Tasnim afirma que o Irã insiste que a retirada de todas as sanções deve fazer parte dos compromissos dos EUA. Já Washington teria proposto apenas suspensões concedidas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA (Ofac, na sigla em inglês) até que se chegue a um entendimento final.
Comércio mundial
O conflito no Oriente Médio pode reduzir o crescimento do comércio mundial, caso os preços de energia permaneçam elevados. A situação possivelmente pressionará o fornecimento de alimentos e o setor de serviços, devido a interrupções em viagens e transportes, avalia a Organização Mundial do Comércio (OMC) no relatório de Perspectivas e Estatísticas do Comércio Global.
Para a OMC, o cenário de deterioração do comércio pode melhorar se a guerra entre os EUA e o Irã terminar rapidamente e o crescimento dos gastos com a Inteligência Artificial (IA) continuar.
A organização projeta que o crescimento do comércio global de mercadorias desacelere para 1,9% em 2026, ante 4,6% em 2025, e acelere novamente a 2,6% em 2027. O avanço do comércio de serviços deve diminuir para 4,8% em 2026, após expandir 5,3% no ano passado, e acelerar novamente para 5,1% em 2027. Juntos, o comércio de bens e serviços deve avançar 2,7% em 2026, ante 4,7% em 2025.
O avanço do Produto Interno Bruto (PIB) global deve moderar de 2,9% em 2025 para 2,8% em 2026, mantendo o patamar em 2027, de acordo com a OMC. No entanto, um possível cenário em que os preços do petróleo bruto e do gás natural liquefeito (GNL) permaneçam elevados ao longo de 2026 pode reduzir 0,3 ponto porcentual (pp) da previsão para o PIB este ano.
Para a organização, consequentemente, isso pode significar um corte de 0,5 pp da previsão de comércio para este ano e até 1,0 pp para regiões dependentes de importações de energia. Isso pode fazer com que os volumes de comércio de mercadorias cresçam apenas 1,4% no cenário de preços altos de energia. O comércio de serviços também cresceria a um ritmo mais lento de 4,1% em 2026.
A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, afirmou que a perspectiva reflete a resiliência do comércio global, mas que a previsão está “sob pressão” do conflito no Oriente Médio.
Com informação do Estadão de Conteúdo (Isabella Pugliese Vellani e Pedro Lima).
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