Consumidores saem menos para consumir fora de casa, mas gastam mais a cada visita

Mudanças na rotina e a busca por praticidade impulsionam o consumo de refeições e lanches

Consumidores saem menos, mas gastam mais a cada visita

Apesar da queda na frequência de visitas dos consumidores brasileiros a estabelecimentos fora do lar, os gastos em cada visita continuam crescendo, com o valor desembolsado por viagem subindo 28,3%, enquanto as ocasiões de consumo recuaram 7,1% no primeiro trimestre de 2026, de acordo com dados do estudo Consumer Insights, da Worldpanel by Numerator.

Essa transformação também está ligada às mudanças no estilo de vida dos consumidores, especialmente à retomada das atividades presenciais. As refeições ganharam relevância, impulsionadas por formatos ligados à alimentação cotidiana, como quilo, buffet à vontade e prato feito. A categoria registrou crescimento de 49,6% em valor e 51,1% na frequência. O avanço foi observado em diferentes perfis, com destaque para as classes D/E (+59,9%) e consumidores de 30 a 39 anos (+92,4%).

“Esse movimento reflete uma reorganização do consumo fora de casa e está diretamente ligado à lógica dos pequenos luxos. Em vez de manter a frequência de consumo, o brasileiro passou a ser mais seletivo. Se decidir gastar, ele busca opções que façam mais sentido para sua rotina e ofereçam maior valor agregado”, explica Lyandra Nakagawa, diretora de Contas da Worldpanel by Numerator.

Busca por conveniência

Com menos tempo disponível para preparar refeições em casa, os consumidores passaram a recorrer a soluções convenientes para o dia a dia. Nesse contexto, os lanches, como sanduíches e hambúrgueres, cresceram 19,3% em valor. A principal alavanca foi justamente a falta de tempo, que impulsionou o consumo em todas as classes sociais e, especialmente, entre as mulheres (+64,2%).

“O consumo fora de casa continua relevante, mas observamos uma mudança importante na forma como ele acontece. O brasileiro está mais criterioso na escolha das ocasiões, priorizando experiências que entreguem conveniência, funcionalidade ou valor percebido. Esse movimento favorece categorias ligadas à alimentação do dia a dia e ao consumo individual, que vêm ganhando espaço dentro do mercado”, conclui a especialista.

As bebidas não alcoólicas, por sua vez, registraram um dos maiores crescimentos do período, com avanço de 45,4% em valor. O desempenho foi puxado por ocasiões individuais (+10,1 pontos percentuais) e pelo fortalecimento da categoria junto às refeições. Aqui, “matar a sede” aparece como um dos principais motivadores de escolha (+50%), reforçando o caráter funcional dessas bebidas nos momentos de alimentação fora do lar.

Em contrapartida, as bebidas alcoólicas registraram retração de 7,7% em valor, com desaceleração mais intensa entre consumidores de 18 a 29 anos (-39%). A tendência acompanha uma mudança geracional, com os mais jovens reduzindo gradualmente a ingestão de álcool e ampliando o interesse por alternativas como energéticos.

Apesar disso, alguns ambientes tradicionalmente ligados à socialização apresentaram recuperação. As boates e baladas mais que dobraram sua frequência de consumo (+112,5%), enquanto os restaurantes avançaram 35,7%. Os resultados mostram que esses espaços continuam relevantes como locais de convivência, embora cada vez menos associados exclusivamente à ingestão de álcool.

Imagem: Envato

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