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Home Economia

CNI rebate acusações dos Estados Unidos em disputa comercial

Barreiras comerciais levam CNI a se manifestar perante a USTR

Redação de Redação
19 de agosto de 2025
no Economia, Notícias
Tempo de leitura: 4 minutos
CNI pede para depor em audiência da USTR e critica medidas restritivas contra o comércio Brasileiro

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou nesta segunda-feira, 18, pedido para comparecimento e apresentação de depoimento na audiência agendada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) em Washington, em 3 de setembro de 2025, com uma defesa na investigação aberta pelo órgão americano.

Em documento assinado pelo presidente Ricardo Alban, a entidade industrial brasileiro disse que o embaixador Roberto Azevedo poderá depor em nome da CNI perante o Comitê da Seção 301.

“O depoimento do Embaixador Azevedo na audiência deixará claro que o Brasil não adotou atos, políticas ou práticas injustificáveis e que o comércio dos EUA não foi prejudicado ou restringido pelos supostos atos, políticas ou práticas identificados pelo USTR no Aviso do Registro Federal que deu início à investigação atual”, diz a CNI. “Seu depoimento também demonstrará que os Estados Unidos e o Brasil mantêm há muito tempo uma relação comercial mutuamente benéfica e que quaisquer medidas restritivas ao comércio tomadas sob a Seção 301 colocarão em risco as fortes e confiáveis cadeias de suprimentos que promovem o crescimento econômico e a prosperidade em ambos os países”, completa.

Acusações

Na investigação, o USTR acusa o Brasil em seis temas: acesso ao mercado de etanol do Brasil, desmatamento ilegal, falhas na fiscalização de medidas de anticorrupção, tarifas preferenciais injustas, proteção da propriedade intelectual e políticas relacionadas ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, o que inclui o Pix. Na defesa, o governo vai contestar os argumentos americanos.

Diversas associações já protocolaram resposta no órgão americano nos últimos dias, considerando as investigações injustas. Entre elas, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro), e Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit).

Nesta segunda, a Embraer também apresentou seu comentário, sustentando que a imposição, pelo governo americano, de restrições à importação da empresa área seria “diretamente contrário aos interesses” dos próprios norte-americanos.

A resposta completa do governo brasileiro também é aguardada para esta segunda-feira, último dia do prazo para defesa.

Medidas restritivas não justificam alerta da USTR

A confederação disse que as preocupações identificadas pela USTR “não justificam medidas restritivas ao comércio nos termos da Seção 301” e defendeu “abordagens colaborativas” para atingir objetivos compartilhados entre os dois países.

A representação comercial americana acusa o Brasil em seis temas: acesso ao mercado de etanol do Brasil, desmatamento ilegal, falhas na fiscalização de medidas de anticorrupção, tarifas preferenciais injustas, proteção da propriedade intelectual e políticas relacionadas ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, o que inclui o Pix. Na defesa, o governo vai contestar os argumentos americanos.

Na época da abertura da investigação, a Broadcast mostrou que o governo enxergava a medida como uma investida econômica dos EUA para embasar o tarifaço em motivos econômicos e até mesmo evitar contencioso local.

O que diz a CNI

Entre os pontos elencados pela CNI, está a defesa do Pix, sob o argumento de que o sistema de pagamento eletrônico “não restringe nem onera as empresas americanas” por ser semelhante ao sistema de pagamento instantâneo FedNow, criado e implementado pelo Federal Reserve Board dos Estados Unidos.

“Ao oferecer transações rápidas, econômicas e seguras, o Pix aumentou a inclusão financeira, reduziu a dependência de dinheiro físico e aumentou a eficiência no varejo e no comércio eletrônico, beneficiando as empresas americanas”, alegou a entidade brasileira.

A CNI também respondeu especificamente sobre o mercado de etanol, dizendo que o Brasil não adota atos, políticas ou práticas irracionais ou discriminatórias em relação ao etanol que onerem ou restrinjam o comércio com os EUA. “O Brasil tem trabalhado com os Estados Unidos para acelerar a absorção global da demanda por etanol e outros biocombustíveis por meio de iniciativas como a Aliança Global para Biocombustíveis”,

argumentou o documento, assinado pelo presidente da entidade, Ricardo Alban.

A CNI ainda explicitou que o Brasil aplica uma alíquota tarifária efetiva de apenas 2,7%, em média, sobre produtos americanos, enquanto a alíquota tarifária efetiva é de 4,7% e 3,2%, em média, aplicada a produtos indianos e mexicanos, respectivamente.

Desmatamento, corrupção e pirataria

A entidade brasileira citou esforços do governo para combater o desmatamento e prevenir a exploração de madeira ilegal, além do “aprimoramento contínuo” das políticas anticorrupção no Brasil.

Sobre o Judiciário brasileiro, a CNI pontuou que o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou condenações que foram consideradas como tendo sido obtidas em violação aos direitos constitucionais e ao devido processo legal dos réus. “Críticas a essas decisões judiciais isoladas não indicam fragilidades sistêmicas. Ao contrário, a salvaguarda das garantias constitucionais demonstra o compromisso do Supremo Tribunal Federal com o devido processo legal e com a defesa do Estado de Direito”, disse a entidade.

A confederação ainda colocou que o Brasil possui “um longo compromisso” com a proteção dos direitos de propriedade intelectual e sustentou que o País conseguiu obter “melhorias significativas no processamento de patentes” por meio de uma série de medidas institucionais e tecnológicas destinadas a aumentar a eficiência e a qualidade dos serviços de propriedade industrial.

“Nenhum ato, política ou prática adotada pelo Brasil é injustificável, nem onera ou restringe o comércio dos EUA. Portanto, a Seção 301 não autoriza o USTR a impor tarifas ou outras ações contra o Brasil”, completou a CNI, citando o superávit comercial americano com o Brasil e frisando a aliança histórica entre os dois países.

“Diferenças ocasionais e temporárias na esfera política não devem prejudicar esta parceria centenária, que continua a florescer em dimensões culturais, econômicas e comerciais”, concluiu o documento.

A resposta completa do governo brasileiro à USTR também é aguardada para esta segunda-feira, último dia do prazo para defesa.

Com informação do Estadão de Conteúdo (Flávia Said).
Imagem: Shutterstock

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