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Ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani é uma das atrações do Global Retail Show, em 13 de setembro

Face da retórica mais radical do ‘trumpismo’ e pivô em escândalos do atual governo americano, o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani vai participar por videoconferência como uma das estrelas de um evento para o grandes nomes do varejo brasileiro, o Global Retail Show.

Ele fará uma palestra sobre perspectivas de geopolítica global após uma fala de Marcos Troyjo, que integrou o governo Bolsonaro e agora é presidente do Banco dos Brics. O evento, no dia 13, organizado pela empresa Gouvêa, tem entre os palestrantes empresários como Flávio Rocha, apoiador de Bolsonaro.

Em entrevista ao Estadão, Giuliani repete temas centrais em seus discursos mais inflamados e caros à estratégia de campanha de Trump, além de informações distorcidas.

Qual sua relação com Bolsonaro? Quem os apresentou?

Já fiz trabalhos no Brasil. Meu último projeto no Brasil foi a Amazônia, onde fizemos um projeto de redução da criminalidade (em 2018, o Ministério Público estadual abriu uma investigação por suposta irregularidade em dispensa de licitação na contratação da empresa de Giuliani por R$ 5,6 milhões). Estive no Brasil durante a Copa do Mundo (2014) e houve muitas manifestações sobre a corrupção no governo. É uma coisa muito boa. Gostaria que chineses e russos fizessem isso com seus governos. Percebi que algo estava acontecendo em sua sociedade. Bolsonaro é um homem honesto, um homem religioso, e ainda mais do que religioso, um homem espiritualizado. Ele está fazendo isso pelos motivos certos. A última vez que o encontrei pessoalmente foi em setembro do ano passado, quando ele veio para a ONU, embora tivesse sido operado alguns dias antes.

Do que falaram no encontro?

Ele me descreveu o que passou e o que está tentando fazer. E eu oro por ele, por sua saúde. Vocês simplesmente têm muitos políticos corruptos e tem que ter alguém que corte isso de cima para baixo.

Por que Trump está perdendo para Biden, segundo as pesquisas eleitorais atuais?

Não, não, não. A vantagem de Biden nas últimas pesquisas foi reduzida. Eu diria que ele está liderando por 10 (pontos). Hillary liderava por 14 (no pico da liderança, Hillary tinha 7,5 pontos a mais do que Trump na média das pesquisas, segundo o site FiveThirtyEight). Portanto, não sei, afinal, ela não está na Casa Branca, não é?

As pesquisas são feitas com estimativas de quem vai votar. Então, se eu estimo que mais democratas vão votar nos republicanos, os democratas que vão ganhar a votação e vice-versa. O que realmente se torna importante para mim é o nível de entusiasmo. As pessoas que estão apoiando Biden o fazem porque odeiam Trump. Esse é um motivo para votar, mas não é um motivo realmente poderoso para isso. Pessoas que apoiam Trump acreditam que ele foi um dos nossos maiores presidentes. Ele trouxe mais progresso para a comunidade negra do que qualquer presidente anterior. Logo antes da pandemia o desemprego afro-americano foi o mais baixo da história. O emprego afro-americano foi o maior da história. E os salários dos afro-americanos e hispânicos eram os mais altos (a taxa de desemprego entre negros atingiu o ponto mais baixo da história com Trump, mas em uma sequência de quedas no desemprego que teve início e foi mais ampla no governo Obama. A média de renda familiar entre os negros piorou com Trump). Você sabe, eu amo muito a sua cidade, São Paulo. Estive lá há cerca de 10 anos em um desses restaurantes onde cortam toda a carne, e eu encontrei um garçom e o jeito dele era igualzinho ao de Barack Obama. Juro por Deus, igualzinho ao Obama.

A maioria dos americanos desaprova a forma como o presidente está lidando com a pandemia.

A cobertura (da mídia) sobre o presidente tem sido muito injusta. Trump fez um trabalho realmente notável com a covid em comparação aos outros. Ele foi o primeiro a cortar movimentações (voos) entre os EUA e China. Naquela época, pessoas como Nancy Pelosi e Andrew Cuomo e De Blasio encorajaram as pessoas a não se afetarem muito com isso, para irem a festas, saírem. Foi o presidente o primeiro a agir e dizem que ele não o fez rápido o suficiente. Se os democratas estivessem governando este país, teriam mantido o país aberto. Os lugares com os piores números são dois Estados democratas sobre os quais o presidente quase não tem controle, Nova York e New Jersey. Nova York tem o maior número de mortes per capita ou qualquer outra coisa. Um dos maiores do mundo. Se você fosse tirar Nova York, New Jersey, os números nos EUA não seriam tão ruins (Nova York e New Jersey não são mais os Estados com maior número de casos acumulados no total, nem por 100 mil habitantes).

A inteligência do próprio governo americano identificou há algumas semanas Andriy Derkach como um nome ligado à tentativa russa de influenciar nas eleições americanas e prejudicar Joe Biden. Qual sua relação com ele?

Conheci Andriy depois de terminar de investigar o caso Biden. Por sua posição como parlamentar, ele foi capaz de revisar todo o arquivo da promotoria que havia sido acobertado pelo governo ucraniano pelos democratas. Esses são todos os documentos de arquivo (pega uma pilha de pastas e coloca na sua frente). Não vi todos eles, mas muitos deles. Isso era corrupção para permitir que Biden seja eleito. Biden passou sua vida basicamente vendendo seu escritório por enormes quantias de dinheiro. Ele fazia isso quando era senador. Ele tem um esquema. Biden falhou em todas as missões de política externa em que esteve envolvido. Quando ele foi para a Ucrânia, seu filho foi contratado para trabalhar em uma empresa que era a mais desonesta da Ucrânia. A mídia americana vêm encobrindo os subornos de Biden há cerca de 30 anos. O maior desafio que teremos em política externa é a China. A China quer substituir os EUA. A pior coisa para o mundo seria se a China assumisse o lugar dos EUA. A China é um regime brutal, cruel e homicida. Eles têm bem mais de um milhão de pessoas em campos de prisioneiros. Eles mataram mais pessoas nos últimos 20 anos do que qualquer outro país, provavelmente, exceto o Irã. E eles nos deram a covid-19, iniciada na China. Tudo começou em Wuhan.

O sr. ainda fala com Derkach? O governo americano considera que ele é parte da tentativa de interferir nas eleições contra Biden.

Não falei muito com ele. Eu mesmo investiguei isso. Provavelmente fui o melhor promotor dos últimos 50 anos. Eu processei a máfia siciliana. Fui bem sucedido. Ajudei a Colômbia a acabei com as FARC, processei Wall Street antes mesmo que as pessoas soubessem como processar crimes de colarinho branco. Este é o meu negócio. Eu notei que havia evidência sendo mantida longe do povo americano, pelo partido democrata e pela mídia. As pessoas que acreditam que Biden é o único que pode derrotar Trump. E ele é um homem que está sofrendo, sem dúvida, de Alzheimer ou de alguma forma de demência. Ouvi de três médicos que entrevistei ontem à noite (Giuliani não apresenta relatórios ou exames) que o caso dele não é apenas leve. É um caso importante de demência. Ele não consegue se lembrar de sua esposa. É uma tragédia, esse homem não tem capacidade intelectual para realizar o trabalho mais importante do mundo.

Gostaria de voltar a falar das investigações sobre interferência estrangeira na eleição. O próprio governo afirma que há tentativa de interferência.

Não recebi nenhuma informação da Rússia. Cada informação que recebi, recebi dos Estados Unidos. As informações que recebi da Ucrânia estão todas documentadas. Eu tenho todos os documentos. Tenho as conversas gravadas em fita. Não há absolutamente nenhuma informação russa no decorrer da minha investigação. Não falei com um único russo. Isso é propaganda democrata. Tudo isso é informação ucraniana-americana, não propaganda russa.

Robert Muller gastou dois anos nisso e descobriu que Donald Trump e ninguém na campanha de Trump tinham qualquer conluio com a Rússia. Portanto, esta é uma questão morta. Foi uma tentativa de um grupo de democratas de impedi-lo de ser presidente. E depois que ele foi eleito, eles queriam removê-lo do cargo. Não vou dizer que foi um golpe, mas foi uma tentativa ilegal de destituir o presidente dos Estados Unidos.

O sr. disse que o movimento Black Lives Matter será designado como organização terrorista. O presidente Trump pensa em designar os manifestantes ligados ao movimento como terroristas?

Eu pessoalmente não olho para as divisões sociais. A beleza da América ao longo dos séculos é que nós assimilamos. Agora, há outra escola de pensamento diferente, liderada pelos democratas, que tenta nos dividir com base na política de identidade. Eles tentam nos dividir em tantas subcategorias quanto possível para serem eleitos. O povo americano nesta eleição vai rejeitar esse tipo de intolerância. Todos nós ficamos muito chateados com a morte do senhor (George) Floyd. O presidente ficou muito chateado. Essas pessoas tinham todo o direito de protestar, mas o que aconteceu é que rapidamente há uma organização que é um grupo terrorista, Antifa, e a outra provavelmente será em breve designada como um grupo terrorista, Black Lives Matter. Eles tomaram os protestos pacíficos e os tornaram violentos. Tivemos destruição de lojas, destruição de delegacias de polícia, muitos, muitos veículos destruídos. Vimos saques massivos em cidades democratas em todo o país. (…) Eles querem basicamente acabar com a propriedade privada, acabar com a polícia, com as forças armadas, e eventualmente querer acabar com a religião porque, como você sabe, os marxistas são ateus. Eles basicamente querem destruir completamente o estilo de vida americano. Tudo o que o BLM quer fazer é explorar um caso, tiroteios ocasionais em negros, por algum branco, criar muita violência e tentar derrubar nosso governo.

Matéria originalmente publicada no jornal O Estado de S.Paulo.
* Imagem reprodução

Redação

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