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Market4u planeja expansão internacional; EUA devem ser primeiro destino

CEO Eduardo Córdova diz que startup brasileira quer ser maior player de mercado autônomo do mundo

A startup brasileira Market4u, que acaba de adquirir a concorrente Numenu, planeja agora dar seguimento aos planos de expansão internacional. As negociações mais adiantadas da rede de mercados autônomos são com os Estados Unidos e a expectativa é que a chegada àquele país seja acelerada por uma nova rodada de investimentos ainda neste mês. Alguns países da América Latina, como México e Chile, também estão nos planos.

A Market4u tem cerca de 1.500 pontos em funcionamento espalhados por 84 cidades de todos os Estados do Brasil, 90% deles em condomínios. As demais ficam em empresas, clubes e academias. Do total de lojas em operação, 1.200 são franquias – modelo lançado pela empresa no ano passado. “Lançamos as franquias em setembro e crescemos em seis meses o que tínhamos previsto para cinco anos”, conta o CEO Eduardo Córdova em entrevista ao portal Mercado&Consumo.

“Acreditamos que, no futuro, todo condomínio vai ter um mercado autônomo. Esse modelo não substitui o varejo; é um novo canal de vendas”, diz. A concorrência internacional não assusta. “É um tipo de negócio novo não só aqui no Brasil, mas no mundo todo. Nos Estados Unidos, está ainda mais presente nas empresas”, diz. Para ele, a tendência é que os mercados autônomos substituam as tradicionais vending machines.

As lojas seguem um modelo que vem sendo chamado de mercado de honestidade. Elas não têm atendentes e os clientes compram alimentos, bebidas e produtos de limpeza fotografando o código de barras do produto e usando um aplicativo para pagar. O índice de falta de pagamento varia de 2% a 2,5% e, como os ambientes são controlados, o condômino devedor pode ser contatado rapidamente.

Atualmente, a empresa tem 150 franqueados com operação ativa, cada um com oito unidades, em média. O valor da taxa de franquia é de R$ 50 mil para até dez pontos de venda. Cada ponto de venda custa entre R$ 15 a R$ 20 mil, entre equipamentos e estoque. Cada unidade tem, em média, 500 SKUs e a oferta é customizada de acordo com as características dos clientes de prédio. Os produtos mais vendidos costumam ser sorvetes, cervejas, refrigerantes, chocolates e vinhos.

Market4u planeja expansão internacional; EUA devem ser primeiro destino
Nas lojas da Market4u, clientes compram alimentos, bebidas e produtos de limpeza fotografando o código de barras

A origem da Market4u

Eduardo Córdova fundou a primeira empresa em parceria com o amigo Sandro Wuicik em 2016. Triatletas, eles tinham dificuldade de comprar produtos para bicicletas nos horários dos treinos, geralmente no começo da manhã. Criaram, assim, a Bike Station, uma máquina de vendas automáticas de acessórios, alimentos e ferramentas de manutenção com funcionamento 24 horas em locais públicos.

O sucesso do projeto atraiu investidores e os clientes passaram a pedir que as máquinas fossem instaladas também em condomínios. Eles perceberam, nesses locais, uma oportunidade de ir além dos produtos de nicho. Ajustaram o mix e formataram a Market4u.

A primeira loja foi aberta em fevereiro de 2020, antes mesmo de a Covid-19 se espalhar pelo Brasil e forçar os consumidores a ficarem em casa. Mas foi a pandemia que fez a concorrência disparar. Um exemplo foi o da própria Numenu. A empresa, que nasceu em 2017 oferecendo chicletes, snacks e carregadores de celular dentro em carros de aplicativo, viu 99% das vendas caírem por causa das restrições de circulação. Antes de ser comprada pela Market4u, ainda em 2020, migrou para condomínios.

“Eles conseguiram entrar nos melhores prédios de São Paulo, que têm despesas pequenas, voltados para o público jovem. Em novembro e dezembro o negócio estava escalando e começamos a conversar. A negociação demorou seis meses”, conta Eduardo Córdova. A equipe da ex-concorrente continua no negócio. “Nosso segmento é novo e não existe ninguém com experiência profissional grande nele. Muitas coisas que eles aprenderam são diferentes daquelas que nós aprendemos.”

O CEO da Market4u cita a parceria com a indústria como diferencial importante da empresa. “Vemos, pelos movimentos B2C, que a indústria quer se aproximar do consumidor e ter dados dele. Quer saber quem é o Eduardo e quais são os hábitos dele para se comunicar de maneira individual com esse consumidor.” Como nas lojas autônomas todas as compras são mapeadas e documentadas, elas se tornaram uma rica fonte de informações para os fabricantes.

Market4u planeja expansão internacional; EUA devem ser primeiro destino
Oferta das lojas Market4u é customizada de acordo com as características dos clientes do condomínio

Conceito popular no Brasil

A Market4u enfrenta atualmente a concorrência de outras startups, como Nutricar (que começou com carrinhos dentro de escritórios), Onii e VendPerto. Até grandes redes de supermercado, como Carrefour e Hirota, passaram a apostar no modelo de lojas de conveniência autônomas. “O conceito de proximidade e conveniência está cada vez mais popular e crescente aqui no Brasil. É uma ótima iniciativa para as empresas de varejo diversificarem sua atuação e, com isso, capturarem ainda mais valor na relação com os consumidores”, analisa o sócio-diretor da Gouvêa Consulting Alexandre Machado.

Para ele, no entanto, algumas barreiras ainda precisam ser ultrapassadas. “Entre elas, está o funcionamento em ambientes não controlados, ou seja, terminais de ônibus, estações de metrô e centros comerciais, por exemplo. Além disso, existe a necessidade de baixar um app para executar as compras, o que dificulta o acesso para pessoas menos digitalizadas e também aumenta a fricção.”

O consultor destaca também que o controle do abastecimento e a logística são pilares importantes deste modelo de negócio. “O preço ao consumidor precisa ser competitivo para que ele aumente a frequência de compra e não recorra a este modelo de loja somente em momentos de extrema necessidade.”

Imagens: Divulgação

Aiana Freitas

Aiana Freitas

Aiana Freitas é editora-chefe da plataforma Mercado&Consumo. Jornalista com experiência na cobertura de tendências de consumo, varejo, negócios, finanças pessoais e direitos do consumidor.

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