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Sociedade 5.0: Como a pandemia impactou a transformação digital do Japão

Yoko Ishikura, uma das maiores especialistas no assunto, estará no Latam Retail Show; ela deu entrevista à Mercado&Consumo

O conceito de Sociedade 5.0, criado no Japão, parte do princípio de que os talentos humanos precisam não só ser desenvolvidos para acompanhar a transformação tecnológica, como de que as pessoas precisam estar no centro da criação das tecnologias. A pandemia de Covid-19, no entanto, mostrou que ainda há muito para avançar mesmo no país asiático.

“A infraestrutura digital e a alfabetização no Japão estão tão atrasadas que não estavam em dia quando um desastre global como a Covid-19 nos atingiu”, conta Yoko Ishikura, professora emérita da Universidade Hitotsubashi e uma das maiores especialistas no assunto, em entrevista exclusiva à Mercado&Consumo.

Consultora independente do Fórum Econômico Mundial, ela será uma das principais palestrantes do Latam Retail Show, maior evento B2B de varejo e consumo no Brasil, que será realizado no mês que vem e terá cobertura especial do portal.

Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista (para informações sobre o LRS 2021, clique aqui).

Mercado&Consumo: Qual é a definição da Sociedade 5.0?

Yoko Ishikura: A Sociedade 5.0 é definida como o “novo modelo social da era pós-Covid-19 para estabelecer o capitalismo sustentável por meio da cocriação de diversos valores pela transformação digital”. O objetivo é atingir uma “sociedade super inteligente”, na qual a tecnologia digital pode ser aplicada para tornar a vida das pessoas feliz e confortável, independentemente da idade, sexo, origem, onde vivem, etc.

Várias coisas devem ser observadas [para que isso seja possível]. Uma delas é que a tecnologia é um meio, não o objetivo. Outra é saber que as pessoas têm necessidades diversas para levar uma vida feliz e confortável, ou seja, não existe um “tamanho único” para todas. Além disso, a Sociedade 5.0 é uma iniciativa público-privada do Japão para responder a iniciativas de outros países, como “4ª Revolução Industrial” iniciada pelo Fórum Econômico Mundial e a “Indústria 4.0” originada na Alemanha. Ela segue o desenvolvimento e a evolução do ser humano. A Sociedade 5.0 está tentando cocriar valores diversos por meio da transformação digital para refletir as mudanças encontradas na sociedade.

M&C: Como a Sociedade 5.0 mudou no Japão durante os últimos meses desde o início da pandemia de Covid-19?

YI: O maior impacto no Japão foi que todos – setor privado, governo e outras instituições, como escolas e o público em geral – ficaram cientes de algumas coisas. Uma é de que nosso objetivo e nossas ações para a Sociedade 5.0 por meio da transformação digital são ainda mais significativos sob uma pandemia global. Outra é que a infraestrutura digital e a alfabetização no Japão estão tão atrasadas que não estavam em dia quando um desastre global como a Covid-19 nos atingiu. Rastrear infecções não é possível, pois não temos dados digitais de saúde para fazer isso. O trabalho em casa, necessário para responder ao aumento da Covid-19, tem sido difícil, especialmente para pequenas e médias empresas, devido à infraestrutura inadequada e práticas baseadas em papel. A educação online, enquanto as escolas estavam fechadas, não foi possível porque os alunos do ensino fundamental não tinham dispositivos e os professores não estavam preparados para ensinar online.

M&C: Você vê diferenças entre a transformação digital ocorrendo no Japão e em outros países ao redor do mundo?

YI: O panorama da transformação digital no Japão é bastante heterogêneo. No setor privado, principalmente nas grandes empresas, os esforços para prosseguir com a transformação digital têm se acelerado devido à consciência da necessidade urgente de recuperar o atraso para competir. As PMEs têm um longo caminho para implementar até mesmo um experiência digital parcial, pois carecem de recursos  – muitas estão com dificuldade de sobreviver. A criação da Agência Digital a partir de 1º de setembro, uma entidade governamental exclusiva e abrangente para promover e implementar a experiência digital no Japão, é o ponto de partida para resolver esses problemas.

Assim, a experiência digital no Japão não está avançada como em países como Dinamarca, Estônia e Estados Unidos. No entanto, com a experiência de todos com a Covid-19, a maioria das pessoas agora está ciente da urgência do tema. Nesse sentido, o Japão tem um enorme potencial para se desenvolver, embora ainda tenha um longo caminho a percorrer.

M&C: Você já disse que novos produtos e serviços nos trouxeram centenas de facilidades, “mas também nos levaram para o lado negro da tecnologia”. O que é esse “lado negro”?

YI: Os dados são a base da experiência digital, ainda mais do que a tecnologia em si. Sem dados abundantes, atualizados em tempo real e granulares, produtos e serviços para satisfazer as diversas necessidades das pessoas não podem ser desenvolvidos. Atualmente, grandes empresas de TI acumulam e mantêm uma quantidade enorme de dados, da mesma forma que alguns governos, como o da China.

Os problemas em torno dos dados incluem questões como: quem possui os dados? Como os dados são usados ​para vigilância e rastreamento, curadoria e recomendação? Como os dados são utilizados para várias atividades com Inteligência Artificial? Qualquer uma dessas questões pode ter um grande potencial e, ao mesmo tempo, ameaças sem precedentes para a sociedade e para os indivíduos.

Imagem: Divulgação

Aiana Freitas

Aiana Freitas

Aiana Freitas é editora-chefe da plataforma Mercado&Consumo. Jornalista com experiência na cobertura de tendências de consumo, varejo, negócios, finanças pessoais e direitos do consumidor.

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