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Dengo e Bemol mostram poder da responsabilidade socioambiental no varejo

1ª Semana do Varejo com Causa debate doações feitas nas lojas pelos consumidores e seus impactos sociais

Para algumas marcas do varejo fora do eixo Rio-São Paulo, falar de impacto social e ambiental não é uma opção. Investindo nas comunidades em que estão inseridas, essas empresas colhem benefícios para elas enquanto veem consumidores e produtores se desenvolverem. Denis Minev, diretor-presidente da Bemol, e Estevan Sartoreli, co-fundador e CEO da Dengo Chocolates, acreditam que o impacto social de uma empresa, potencializando sua localidade, é um assunto a ser tratado como central no plano de negócios, não apenas um detalhe tratado como simples questão de doação ou solidariedade.

Os dois empresários falaram durante painel da 1ª Semana do Varejo com Causa, evento criado para debater com empresários do ramo do varejo sobre as possibilidades de impacto social envolvendo empresas, produtores e consumidores e sobre a cultura de solidariedade entre os clientes. Os debates foram organizados pelo Grupo MOL, em parceria com o Movimento Arredondar e a CAUSE, e a Mercado&Consumo é parceira de mídia do projeto.

A Bemol, por exemplo, que atua diretamente na região amazônica, nas cidades de Manaus, Porto Velho, Boa Vista e Rio Branco, é a maior contribuinte de ICMS do setor comercial no Estado do Amazonas. Também investe em projetos de energia solar, conectividade wi-fi, crédito e banco digital.

Denis Minev conta que a Bemol pensa no impacto e nos resultados financeiros de maneira conectada. Nas lojas que vendem eletrodomésticos, por exemplo, a opção é pela oferta apenas de aparelhos com maior eficiência energética. Isso diminui um pouco a margem de lucro da empresa de varejo, mas garante menos impacto ambiental e mais economia para os consumidores.

“Pensamos em causar impacto, fidelizar os clientes e, depois, em aumentar a rentabilidade. A questão dos problemas de conectividade, por exemplo. Levamos wi-fi para regiões onde a oferta de internet é muito precária. Queremos causar um impacto social positivo nessas pequenas cidades, mas, claro, também queremos que, com esse wi-fi, eles possam acessar o e-commerce da Bemol e virar nossos clientes. É uma forma de habilitar nosso negócio. A marca se fortalece imensamente”, diz Minev.

Cacau baiano e pequenos produtores

A Dengo, por sua vez, se preocupa com um processo de fabricação sustentável, valoriza o cacau baiano e trabalha com uma rede de pequenos e médios produtores do sul do Estado. O trabalho, que começou com seis produtores locais, agora conta com 200. A marca paga um prêmio médio 85% acima do preço fixado da commodity como forma de transferência de riqueza – o que fez, no último ano, a renda das famílias produtoras e fornecedoras de cacau aumentar em 25%.

“Acredito em um varejo com causa. O mundo precisa cada vez mais de negócios comprometidos com o impacto socioambiental e menos negócios que pensam apenas na própria marca. Damos assistência técnica para quem quer saber como produzir cacau de qualidade pós-colheita e acompanhamos o trabalho dos produtores que querem nos oferecer um cacau com os padrões de qualidade que precisamos. E a valorização do cacau baiano passa também por um chocolate mais gostoso e saudável. Quanto mais cacau na formulação do doce, menos açúcar e mais demanda para o produtor. Ganha o consumidor e ganham os trabalhadores locais”, conta Estevan Sartoreli.

Diante do público, as marcas são cada vez mais cobradas para agir socialmente. A pesquisa “Varejo com Causa – Como redes varejistas impulsionam doações no Brasil?”, divulgada nesta semana, mostrou que os brasileiros acreditam que as empresas são responsáveis por solucionar problemas socioambientais mais do que as ONGs. A pesquisa Trust Barometer de 2020, da Edelman, encontrou resultado similar: para 97% dos brasileiros, as marcas devem resolver problemas sociais e 55% das pessoas acham que empresas têm mais poder de ação do que setores públicos.

Mas Sartoreli ressalta que empresas de varejo preocupadas com o impacto social não podem prescindir de parcerias com o setor público: “O setor privado ganha em agilidade e competitividade, mas sem o poder público não conseguimos promover transformações em grande escala. Seria miopia achar que a transformação que queremos promover na indústria do cacau na Bahia só vai ser feita pela Dengo. Uma grande mudança não vai vir do heroísmo de um único negócio, mas do diálogo com o setor público e também com a academia, o terceiro setor e até com a concorrência”, analisa.

Os empresários também lembram que há uma série de desafios para as empresas de varejo, que nasceram locais, se expandirem pelo território sem perder seu “DNA comunitário”. Para a Bemol, os principais desafios para a expansão na região amazônica são as questões de logística e comunicação. “Em lojas em cidades no interior do Amazonas, tudo é mais difícil. Não há uma logística bem estabelecida, os mercados são muito informais e temos poucas informações sobre os consumidores. Por exemplo, nosso modelo é calcado no crédito e 70% de nossas vendas são feitas emprestando dinheiro ao cliente. Mas nessas pequenas cidades amazônicas encontramos pessoas na casa dos 40 ou 50 anos sem nenhum tipo de cadastro. Nunca abriram uma conta bancária, nunca fizeram um empréstimo, não têm um perfil no Serasa”, explica Minev.

Imagens: Divulgação

Redação

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