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Hábito de consumo – a maratona do final de ano

É interessante observar o hábito de consumo do consumidor no final do ano.

Começa com o “esquenta Black Friday”, num jogo de sedução onde o varejo oferece promoções progressivas para provocar a vontade de consumo do consumidor. Essa vontade vai aumentando até que chega a tão esperada sexta-feira “Black Friday”.

É quando explode no peito do consumidor o medo de perder a oportunidade de pagar menos por algo. E o fenômeno acontece: é um corre-corre nas lojas para não perder as melhores ofertas.

Para quem não conseguiu chegar a tempo, ainda tem a segunda-feira “Cyber Monday”, exclusiva para as compras online com descontos incríveis. E acontece o corre-corre virtual, sobrecarregando positivamente os servidores de e-commerces e meios de pagamento.

Depois da corrida do consumo, vem a terça-feira, que ganhou o nome de “Giving Tuesday”, ou “Dia de Doar”. Um movimento mundial que incentiva a doação e convida todos a participar. Uma verdadeira corrente do bem concentrada em um único dia.

Este dia foi estrategicamente escolhido porque, após a maratona, fica mais evidente que alguns têm poder de compra, mas tantos outros não têm. A ficha cai e ficamos mais suscetíveis a doar e ajudar.

As causas sociais ganham palco e voz para expor a realidade de milhares de pessoas que vivem em situação desprivilegiada e precisam do apoio de todos nós. Neste dia, com esforço de muitos colaboradores, o volume de arrecadações atinge o pico do ano.

Doação feita, coração quentinho, seguimos rumo ao Natal, que nos convida a celebrar as relações com presentes que simbolizam nosso afeto. E, mais uma vez, somos lembrados de que há muitos esquecidos precisando de ajuda e motivos para celebrar também. E fazemos nossas doações e votos de um futuro melhor para todos.

Quando o ano novo começa, interrompemos as celebrações e nos colocamos a trabalhar com seriedade. O consumo cai. As causas sociais entram em seu período de escassez, até o final do próximo ano.

Doações o ano todo

O Brasil tem muitas causas sociais complexas que precisam de apoio e cuidado. É preciso juntar todos num movimento de doação que possa ser contínuo, que dure o ano todo. Para ser contínuo, não pode impactar no orçamento das famílias. Doar precisa ser mais fácil e viável para todos.

De acordo com o Ipea, o Brasil possui mais de 820 mil organizações da sociedade civil, OSCs (mais conhecidas como ONGs). Essas organizações precisam do apoio necessário para que consigam realizar o propósito que as fizeram nascer.

Somos 213 milhões de brasileiros. Se cada um puder fazer micro doações durante o ano todo, quanto impacto social isso poderia causar? Um dado importante: 78% dos não-doadores afirmam que provavelmente doariam se houvesse mecanismos que facilitassem a ação.

Varejo como protagonista

O varejo físico é o setor com maior acesso à população em geral e responsável por 91% do PIB do varejo.

Ou seja, o varejista é o candidato mais qualificado para carregar a bandeira da conscientização e inspirar seus consumidores a fazerem micro doações. Mas é claro que, para o varejista ser o canalizador destas doações, precisa existir uma solução fácil e viável para ajudá-lo nesta missão.

ESG e seus benefícios para o varejo

A sigla “ESG” vem ganhando cada dia mais visibilidade e convidando todas as empresas a se tornarem socialmente conscientes, sustentáveis e corretamente gerenciadas. O “S” se refere exatamente à responsabilidade e cuidado com a sociedade.

Todas as pesquisas (sem exceção) comprovam que seguir as estratégias ESG traz benefícios para as empresas que as incorporam, como garantir a fidelidade do consumidor e fortalecer a imagem positiva da empresa, entre outras.

Como incentivar o consumidor a doar o ano todo?

Já existem alguns movimentos que ajudam o varejo a convidar seus consumidores a contribuir com causas sociais.

Alguns vendem um produto específico e parte do valor é revertido para a causa. Outros trabalham com doação via arredondamento do valor da compra, direto no caixa. Há também quem ofereça descontos em novas compras para quem doar itens usados, entre outros.

A novidade que vem surgindo é o cupom rastreável social.

O varejista se torna um influenciador, inspirando sua audiência a apoiar as mesmas causas que a marca apoia e possibilitando que contribuam por meio do uso dos cupons rastreáveis sociais.

Pode ser um desconto que vira doação, uma compra com valor extra para ser doado, doação de uma porcentagem da compra com cupom, etc.

O consumidor fica livre para comprar o produto que quiser na loja e na hora de pagar, usa seu cupom para usufruir do benefício oferecido e fazer sua contribuição para a causa.

Desta forma, o varejo:

  • Ajuda a conscientizar seus consumidores sobre uma causa existente, que certamente muitos ainda não conhecem;
  • Expõe o propósito da marca, mostrando com qual tipo de causa tem maior afinidade e seu esforço ativo em contribuir com a sociedade;
  • Aumenta a credibilidade da marca (Goodwill) e fidelidade do consumidor;
  • Gera fluxo para as lojas e aumenta o faturamento (sim, as pessoas se sentem motivadas a comprar quando tem uma causa maior envolvida);
  • Oferece uma forma fácil e viável para qualquer um fazer sua doação (que muitas vezes se dará apenas favorecendo o consumo dos produtos da marca, evitando a concorrência).

Essa é uma nova forma de usar cupons para ajudar quem está pronto para ajudar de forma escalável.

“Se cada um ajudar um pouquinho, não vai faltar ajuda para ninguém.”

Janaína Camargo é COO da Ouvi.
Imagem: Shutterstock

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