Quais são os 7 elementos-chave da Metaliderança

Momentum nº 950

Ao longo do tempo e da evolução da sociedade vivenciamos diferentes estágios nos modelos de liderança adequados à realidade e aos desafios daquele momento.

Esses modelos sempre conviveram com competências de líderes que podem ser consideradas transversais, pois podem estar presentes ou serem demandadas de forma atemporal, ou seja, não importam as circunstâncias do momento.

Os painéis e discussões que ocorrem anualmente durante a NRF em Nova York geram oportunidades para reflexões mais abrangentes que ocorrem em paralelo às análises dos temas mais táticos, operacionais e tecnológicos que permeiam a maior parte das apresentações e o que a feira e seus expositores mostram.

Do evento deste ano talvez possamos “destilar” o conceito da Metaliderança, que seria aquele que combina as demandas ligadas ao processo evolutivo que vieram da Sociedade 5.0, como temos mostrado e discutido, mas também na sua reconfiguração precipitada pelo que a pandemia recente agregou.

O prefixo Meta tem sido usado de forma crescente para exprimir aquele estágio posterior de algo. Do Metaconsumidor ao Metaretail e mais recentemente o Metaverso, em todos os casos se busca a visão do que está além do atual estágio conhecido.

Assim podemos falar também da Metaliderança, aquela que emerge com suas características e demandas adequadas à realidade atual e alinhada com as transformações que vivenciamos.

Podemos listar os sete elementos que nos parecem mais relevantes e devem ser considerados no elenco das demandas dos líderes nesta nova e reconfigurada realidade.

1. A vulnerabilidade nos aproxima

Líderes e liderados já vinham mais vulneráveis pela velocidade da transformação da realidade precipitada pela evolução exponencial da tecnologia e do digital impactando toda a realidade. Além disso, a disseminação exponencial das informações tornava tudo e todos menos “donos da verdade”.

A pandemia agregou novos desafios nesse processo, tornando todos mais vulneráveis ainda pelas contingências geradas pelo comportamento errante e imprevisível na evolução das diferentes cepas do vírus.

A ideia de que o líder é aquele que tem o melhor diagnóstico e a resposta mais adequada e rápida fica fragilizada, pois são muitos mais elementos a serem considerados e com uma velocidade de mudança sem precedentes – e aumentando.

A busca de modelos, estruturas e cultura cooperativos, abertos, flexíveis e dinâmicos se torna ainda mais importante para conviver com esse cenário em profunda e permanente mutação, que vulnerabiliza tudo e todos e talvez seja um dos elementos mais relevantes no modelo da Metaliderança.

Parece mais importante CHEGAR a respostas adequadas à realidade em permanente mutação do que TER a resposta pronta usando os elementos tradicionais de análise e conhecimento.

2. Flexibilidade acima de tudo

Ficou claro que a imponderabilidade e a mutação rápida de elementos são parte estruturais da realidade reconfigurada. E isso desafia modelos rígidos e estruturados de organização que no passado tinham seu mérito por prever e considerar tudo que fosse possível e dessa forma acelerar respostas para situações conhecidas e previsíveis. Tudo que envolve o universo das startups e sua crescente relevância mostra que os líderes e as organizações devem rever seus conceitos ligados à sua forma de ser, agir e pensar, valorizando a cultura da flexibilidade e capacidade adaptativa em que esses elementos são mais requeridos.

Não significa minimizar em nada a importância da organização, dos processos, da estrutura, mas sim repensar tudo isso com uma ótica mais aberta, plural, diversa e flexível. E logicamente não existe a fórmula “one size fits all”, ou seja, uma única alternativa que sirva para todos em qualquer circunstância. Cada negócio, realidade, mercado, cultura e história pede uma resposta específica, desde que todas contaminadas pelo vírus da flexibilidade e adaptabilidade.

3. Inova ou te devoro

Talvez um dos mais claros elementos no atual e futuro cenário é a necessidade de inovar de forma ampla, geral e irrestrita. Quanto mais não seja, como atitude e cultura. Nos negócios, nos modelos de gestão, na avaliação de cenários, ameaças e oportunidades e, logicamente, nos produtos e serviços. A inovação parece ser o elemento catalizador da transformação da sociedade em todos seus aspectos. E na Metaliderança o propor, estimular, reconhecer e premiar a inovação parece ser um elemento crítico na forma de buscar novas respostas para antigas e novas perguntas. E sempre lembrando, como fez Clara Harris em sua marcante apresentação, que o estimulo à inovação pressupõe uma condescendência diferente comparada com o passado com relação ao erro.

Não é nada novo, mas se tornou ainda mais atual, o erra rápido, corrige e continua.

4. Mais plural e diversa

Se tem algo que mudou de patamar na hierarquia das demandas emergentes nos conceitos de liderança nos últimos tempos é a questão de pluralidade e diversidade.

No sentido de consciência, abertura, sensibilidade, estímulo e valorização.

Em verdade o mundo aparentava ser menos desigual no passado e se mostra agora mais diverso e plural pela multiplicação de oportunidades e espaços para as manifestações individuais e coletivas de opiniões, demandas e ideias.

Também subproduto da multiplicação de canais e ferramentas, essa ampliação deu voz a minorias, ou maiorias, que no passado silenciavam ou se submanifestavam.

Dentro e/ou fora das organizações essas minorias e maiorias devem ser consideradas e potencializadas em sua força transformadora. Cabe aos Metalíderes administrar uma cultura de convívio virtuoso dessas diferenças por sua contribuição como elemento relevante nos processos de inovação, flexibilidade e capacidade adaptativa.

5. Coordenar mais do que liderar

Os conceitos mais tradicionais envolvidos em liderança, como motivar, estimular, ouvir, dar exemplo, pensar de forma situacional, individualizar, servir e muitos outros mais permanecem como elementos importantes. Mas, aparentemente, a competência também demandada agora dos Metalíderes é sua condição de promover uma mais ampla coordenação envolvendo o coletivo e que inclua a visão dos cenários em transformação, a análise ampla das oportunidades e ameaças presentes e futuras, a avaliação estruturada, quantificada e ponderada de alternativas e a adoção e implementação da melhor opção.

6. O tempo como fator ainda mais crítico

Em verdade o tempo sempre foi elemento crítico. Mas agora se tornou ainda mais decisivo, exatamente pela aceleração dos elementos em transformação e o custo maximizado da oportunidade perdida pela distância que se abre entre os “first movers” e os seguidores.

Estruturalmente nada diferente, mas em termos de capacidade de mobilização, implementação e ação, tudo se tornou mais sensível e decisivo.

E neste momento se torna relevante fazer conviver essa demanda que considera o aspecto mais crítico do tempo com os demais elementos, como inovação, pluralidade, diversidade e coordenação de forma virtuosa para atingimento de resultados presentes e futuros gerando engajamento o mais abrangentemente possível.

7. Razão de ser

Também era uma demanda em crescimento nos últimos tempos, especialmente pelos segmentos mais jovens, e atingiu seu ponto mais alto no quadro atual pelo aumento exponencial da oferta de tudo e a disseminação do sentimento de vulnerabilidade.

Esse aumento exponencial da oferta de produtos e serviços proporcionado pela tecnologia e o digital gerou uma demanda para o que está além desses produtos, serviços e propostas na questão da razão de ser das marcas, das empresas e dos negócios e da própria liderança. Tornou-se fundamental mostrar por que fazemos o que fazemos e inspirar que outros também o façam.

O cenário mais recente que disseminou o sentimento de vulnerabilidade exponenciou a necessidade de nos mostrarmos por inteiro, para além da ponta do iceberg dos produtos, marcas e negócios e nos posicionarmos em relação a causas, movimentos, iniciativas e mobilizações que, de alguma forma, contribuam para o reequilíbrio possível das desigualdades que foram ampliadas na realidade recente.

O tema da Metaliderança não se esgota nesses 7 elementos que devem ser vistos como uma contribuição para o repensar individual e coletivo do que emerge como demanda para os líderes em todos os setores e atividades precipitada pela evolução da Sociedade 5.0 pós-pandemia.

Nota: Nesta terça feira, 1º de fevereiro, acontecerá o Interactive Retail Trends – Pós-NRF com uma análise completa do que foi visto, analisado e discutido durante a NRF 2022 e seus impactos no mercado brasileiro (clique aqui para mais informações). O evento tem presença confirmada de Luiza Helena Trajano, Abilio Diniz, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, líderes do Ecossistema Gouvêa e mais convidados especiais.

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e publisher da plataforma Mercado&Consumo.
Imagem: Shutterstock

Marcos Gouvêa de Souza

Marcos Gouvêa de Souza

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem, membro do IDV – Instituto para o Desenvolvimento do Varejo, do IFB – Instituto Foodservice Brasil, Presidente do LIDE Comércio e membro do Ebeltoft Group, aliança global de consultorias especializadas em varejo em mais de 25 países. Publisher da plataforma Mercado & Consumo.

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