Neighborhood & Neighborfood – Vizinhança & Gastronomia de Vizinhança

Os hábitos dos consumidores mudam segundo suas prioridades, necessidades e contexto social. Talvez seja clichê usar a expressão “a pandemia acelerou”, mas de fato ela acelerou o movimento de negócios gastronômicos de vizinhança.

Há uma década, cruzar a cidade para frequentar bares e restaurantes era muito comum. Com o passar dos anos, esse movimento foi sendo alterado e os bares e restaurantes próximos a bairros tradicionais ou revitalizados pelo desenvolvimento imobiliário passaram e se destacar na preferência dos consumidores.

O primeiro motivo, sem dúvida, foi o crescimento de opções de qualidade do ponto de vista gastronômico e de serviço, somado a preços reduzidos em relação aos chamados “points” e facilidades, como estacionamento gratuito, possibilidade de ir a pé, dispensa da cobrança de taxa de serviço, tolerância a maior informalidade na vestimenta de clientes, entre outros.

Esse movimento é sustentado por 3 grandes pilares:

  • Crescimento do consumo de alimentos preparados fora de casa, o qual classificamos como foodservice;
  • Desejo do consumidor pela hiperconveniência;
  • Movimento de democratização gastronômica.

Ano a ano o brasileiro avança no consumo de alimentos preparados fora de casa, sedimentando um hábito muito comum em países mais desenvolvidos, como Estados Unidos. Saímos de 24% de participação do consumo fora de casa do brasileiro em 2002 para 34% em 2019, enquanto nos Estados Unidos esse número em 2019 foi de 49%.

Certamente esse é hábito muito afetado em momentos de crise, mas crescente em todas as classes sociais. Durante a pandemia, até como válvula de escape a toda a pressão vivida e impedimento de sair de casa, o delivery de alimentos apresentou um crescimento de 3 dígitos, que na média anual no ano de 2021 foi consolidado em 25%. Em 2019, esse número era de apenas 15% da participação do faturamento dos negócios de alimentação fora do lar.

A tolerância do consumidor ao trânsito e intempéries das grandes cidades é cada vez menor. O seu deslocamento só se justifica se for para um local com uma promessa e entrega muito diferentes do que ele tem nas imediações da sua casa, além de comemorações ou encontros com amigos.

Atualmente o Brasil conta com mais de 130 faculdades de gastronomia, segundo dados do Guia de Carreira e, portanto, os novos negócios surgem por meio do empreendedorismo desses graduados e de investidores que entendem a importância de terem profissionais técnicos à frente dos seus negócios.

Na cidade de São Paulo, vemos bairros como Mooca, Tatuapé, Ipiranga e Santana despontarem com ofertas cada vez mais diversificadas e sofisticadas. Em Salvador, o bairro da Pituba parece ser o novo queridinho para novos negócios, como é o caso do Red Burguer e da Cervejaria e Bar Boia e Proa, ambos com propostas bastantes disruptivas no mercado local, na Barra da Tijuca ferve com novas possibilidades também. E esse movimento segue no Brasil todo.

Mas os bairros não são território somente de negócios autorais. Franquias e redes organizadas de alimentação que antes concentravam seus negócios em shopping centers enxergam com atratividade os aluguéis mais baixos e a possibilidade de criar lanços com seus clientes e suas famílias inserindo-se eu seu cotidiano.

Gosto de dizer que o mercado de foodservice é um caleidoscópio. A cada crise, sofre, mas sempre se reinventa com potência e novas cores.

Vamos brindá-lo!

* Dados: Mosaiclab
Cristina Souza é CEO da Gouvêa Foodservice
Imagem: Shutterstock

Cristina Souza

Cristina Souza

Cristina Souza é sócia-fundadora e CEO da Gouvêa Foodservice, empresa da Gouvêa que apoia o setor com metodologias híbridas e ágeis.

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