A popularização das canetas de GLP-1, utilizadas para emagrecimento e controle metabólico, está provocando transformações também no mercado de suplementação alimentar. A avaliação é de Mariane Morelli, CEO do Grupo Supley, hub de saudabilidade que reúne marcas como Max Titanium, Probiótica, Dr. Peanut e Snack That.
“Não é apenas uma revolução do medicamento, mas uma revolução do consumo”, afirma a executiva. “As pessoas não estão usando essas tecnologias apenas para emagrecer. Elas estão mudando a forma como enxergam saúde, bem-estar e qualidade de vida.”
Segundo Mariane, o setor já havia passado por uma importante inflexão durante a pandemia, quando o consumidor passou a valorizar mais a prevenção do que o tratamento de doenças. Agora, o avanço das terapias voltadas à perda de peso acelera uma nova mudança de comportamento. “O consumidor deixou de buscar apenas um objetivo estético e passou a enxergar saúde como uma construção diária”, diz.
Com faturamento superior a R$ 1 bilhão e crescimento de 13% em 2025, o Grupo Supley investe, em média, R$ 1 milhão por ano na ampliação da capacidade produtiva, com novos maquinários, por exemplo.

Hub de saudabilidade
A estratégia do grupo, segundo Mariane, é ocupar diferentes momentos de consumo dentro da jornada do bem-estar. Enquanto a Max Titanium está posicionada junto ao público que busca performance, estética e ganho de massa muscular, a Probiótica mira consumidores interessados em qualidade de vida.
Já a Dr. Peanut e a Snack That atuam na substituição de alimentos considerados menos saudáveis por alternativas mais equilibradas. “A gente quer estar na cesta do consumidor em diferentes momentos. Nem sempre ele está buscando suplementação. Muitas vezes ele quer apenas fazer uma troca mais saudável dentro da alimentação”, disse.
Um dos exemplos é a Dr. Peanut, líder no mercado brasileiro de pastas de amendoim, segundo a Euromonitor. A proposta da marca é oferecer produtos indulgentes, mas alinhados às novas demandas de consumo.
A era da proteína continua
Apesar das novas tendências, Mariane acredita que a proteína segue como protagonista da categoria. Segundo ela, o consumidor brasileiro busca cada vez mais alimentos ricos em proteína, mas sem abrir mão de sabor e prazer. “Não basta ser saudável. O brasileiro quer comer bem. A alimentação continua sendo um momento importante de prazer e convivência”, afirma.
Por isso, boa parte dos investimentos recentes da companhia tem sido direcionada ao desenvolvimento de sabores e experiências sensoriais. A estratégia acompanha um movimento observado em todo o setor, impulsionado pela expansão dos produtos proteicos para além do universo esportivo.
Personalização será o próximo salto
Se a proteína domina o presente, a personalização deve definir o futuro do mercado. Para Mariane, os avanços da inteligência artificial e dos dispositivos de monitoramento de saúde permitirão que a suplementação se torne cada vez mais individualizada. “O consumidor não quer mais um produto genérico. Ele quer entender que aquela solução foi pensada para ele”, afirma.
A executiva acredita que dados gerados por relógios inteligentes, exames e plataformas digitais irão transformar a forma como as empresas desenvolvem produtos nos próximos anos. “O desafio para a indústria é enorme porque trabalhamos com escala.
Mas a tendência é que a suplementação fique cada vez mais personalizada.” Educação como ferramenta de crescimento A velocidade da expansão da saudabilidade também surpreendeu a própria indústria. Mariane lembra que, há pouco mais de uma década, grande parte do esforço do setor era desmistificar conceitos relacionados à suplementação.
“Passei anos explicando que creatina não causava pedra nos rins e que suplemento alimentar não era anabolizante. Hoje vemos pessoas de 60 anos consumindo creatina diariamente”, afirma.
Diante desse cenário, a companhia passou a investir fortemente em produção de conteúdo e educação. O canal da Max Titanium no YouTube, por exemplo, reúne cerca de 2 milhões de inscritos com conteúdos voltados a treinamento, alimentação e suplementação. “A informação correta é fundamental para o amadurecimento do mercado.”
Combate à falsificação
O crescimento acelerado da categoria também trouxe desafios, especialmente relacionados à falsificação e à venda irregular de produtos. Conselheira da Associação Brasileira de Suplementos Alimentares (Brasnutri), ela defende o fortalecimento da regulação e das boas práticas de fabricação. “Todo mercado que se democratiza passa por esse processo. Cabe às lideranças do setor trabalhar para criar um ambiente mais seguro para o consumidor”, afirma.
Segundo ela, a associação atua em conjunto com a Anvisa e outros órgãos na identificação e combate a produtos falsificados.
Expansão e novos lançamentos
Hoje, o Grupo Supley conta com mais de 450 SKUs em seu portfólio. A operação também vem ampliando sua infraestrutura logística, com a recente transferência do centro de distribuição para Jundiaí (SP).
Na Naturaltech 2026, o grupo levou novidades em diferentes marcas do portfólio. “Nosso mercado vive de lançamentos. Não podemos ficar muito tempo sem apresentar novidades ao consumidor.” A Probiótica apresentou a monodose do 100% Pure Whey em quatro sabores — Chocolate, Morango, Baunilha e Leite —, além de promover degustações do novo sabor Chocolate Branco e do ELETROUP Morango com Maracujá, suplemento voltado à hidratação e à reposição de eletrólitos para praticantes de esportes de endurance, com 400 mg de sódio, 250 mg de potássio e 80 mg de magnésio.
A Dr. Peanut reforçou sua expansão em snacks com novos sabores da Doctor Bar, Chocolate com Coco e Speculoos. Já a Znack That apresentou snacks salgados saudáveis e proteicos, assados, sem fritura, sem glúten e com 10 g de proteína por embalagem, nos sabores Pesto e Parmesão, Cheeseburguer e Cebola e Salsa.
“A democratização da saúde preventiva já começou. Nosso papel é ajudar a tornar esse mercado cada vez mais acessível, seguro e relevante.”
Imagem: Reprodução/LinkedIn















