Uso de inteligência artificial será essencial no mercado de fusões e aquisições em 2024

Gartner aponta que o novo foco em IA deve impulsionar negociações no próximo ano

Em 2024, as principais tendências em fusões e aquisições (M&A) incluirão desbloquear oportunidades e negócios envolvendo tecnologia em meio à ambiguidade macroeconômica; utilizar inteligência artificial (IA) para aprimorar processos de fusões e aquisições; adquirir negócios baseados em inteligência artificial; e navegar por um ambiente regulatório cada vez mais complexo.

A aposta é do Gartner, empresa especializada em pesquisa e aconselhamento. “A atividade global de fusões e aquisições continua sua marcha descendente desde os níveis recordes em 2021, com uma queda de 50% desde o momento de pico”, afirma Mark Carroll, vice-presidente e analista do Gartner. “Desafios macroeconômicos e regulatórios reforçam essa tendência, mas um renovado foco em tecnologia, especialmente em inteligência artificial, oferece ventos favoráveis para que executivos reingressem de maneira significativa no mercado de fusões e aquisições no próximo ano”, diz.

Desbloqueio de oportunidades

A ambiguidade macroeconômica desbloqueia oportunidades em tecnologia de fusões e aquisições – a primeira tendência – persistirá em 2024, segundo o Gartner, com sinais mistos, de positivos a negativos, distorcendo as expectativas sobre inflação, recessão, emprego, custo de capital, confiança empresarial e dos consumidores.

Empresas de tecnologia startups anteriormente caras terão dificuldade em levantar sua próxima rodada de financiamento de risco e buscarão alternativas, incluindo serem adquiridas por compradores estratégicos.

A recomendação da consultoria é para que companhias bem capitalizadas aproveitem o momento buscando aquisições de empresas menores, focadas em tecnologia (techquisitions) e com avaliações mais baixas, tendo, portanto, menos acesso a financiamentos e a condições econômicas mais claras.

Inserir IA em processos

O Gartner afirma que o uso de inteligência artificial terá um impacto profundo na melhoria da velocidade, eficiência e desempenho geral dos processos de fusões e aquisições – a segunda tendência listada. No entanto, os detalhes de como ou onde a tecnologia será usada estão surgindo para identificar o que é prático agora versus as possibilidades de longo prazo.

Nesse caso, a recomendação é aplicar a IA primeiro dentro dos processos internos de fusões e aquisições, desenvolvendo e testando casos de uso diversos. Em particular, a análise de contratos é uma aplicação impactante para usar a inteligência artificial e melhorar atividades relacionadas a negociações de cartas de intenção (LOI), diligência de contratos, acordos definitivos, negociações de TSA, renovações e integração de contratos.

Novas abordagens

Embora fusões e aquisições de empresas baseadas em inteligência artificial ainda não sejam uma tendência para muitas companhias, o Gartner destaca que o foco empresarial nessa tecnologia levará a uma onda de atividade de negócios em 2024 – a terceira tendência do próximo ano.

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De acordo com a pesquisa de CEOs feita pela empresa neste ano, a IA foi identificada como a principal tecnologia disruptiva a impactar as indústrias. Portanto, o conselho é para que a aquisição de empresas de inteligência artificial seja uma prioridade em todas as estratégias de negócios em 2024.

Aqueles que não têm as habilidades ou horizonte de tempo para construir capacidades por conta própria podem recorrer a fusões e aquisições para obter rápido acesso à tecnologia.

Mais fiscalização

A quarta e última tendência destacada pelo Gartner é o aumento da fiscalização regulatória de negócios de fusões e aquisições, especialmente por motivos anticoncorrenciais e segurança nacional. Este fator poderá dificultar grandes negócios em 2024.

Essa tendência, entretanto, deve incentivar muitos negócios menores e mais diversificados na indústria, o que pode criar uma vantagem competitiva. “A fiscalização regulatória mais rigorosa, que pode ter um efeito inibidor em transações de fusões e aquisições de grande porte, também pode criar uma oportunidade competitiva para empresas mais bem posicionadas e um maior volume de negócios menores”, afirma Chris Ganly, vice-presidente e gerente de equipe do Gartner.

De acordo com a executiva, aqueles mais focados em negócios maiores, será importante adotar uma abordagem mais proativa junto aos órgãos reguladores em 2024. Ela avalia que as fusões e aquisições “permanecem sendo um motor de crescimento para a maioria das empresas” e o sucesso dependerá de como os executivos irão lidar com as inclinações do mercado.

“Alcançar o sucesso com fusões e aquisições significará posicionar as empresas para a liderança de mercado por muitos anos”, conclui Chris.

Imagem: Shutterstock

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