Falar sobre fraudes dentro das empresas é sempre um tema complexo. Embora todos saibam que elas ocorrem com frequência, na maioria das vezes não são documentadas nem punidas internamente.
“A fraude, em regra, é praticada por funcionários ou terceiros envolvidos e consiste, entre outras práticas, em desvios financeiros, relatórios com omissões de receitas ou aumento de despesas, desvios de itens de estoque e falsificação de compras”, explica José Augusto Barbosa, sócio da Audcorp, empresa especializada em auditoria.
Confira as 10 principais fraudes cometidas dentro de uma empresa:
- Furto: muito comum nas organizações, pode envolver desde pequenos itens, como materiais de escritório, até desvios de grande proporção.
- Apropriação indébita: ocorre quando o colaborador, já de posse de um bem da empresa, passa a tratá-lo como seu, como computadores e outros maquinários. Diferentemente do furto, nesse caso o agente já possui a posse ou detenção do bem.
- Desvio financeiro: bastante recorrente nas áreas financeira e comercial, acontece quando recebíveis são direcionados para contas pessoais, por exemplo. A prática é facilitada pela ausência de sistemas de controle.
- Desperdício voluntário: colaboradores desmotivados ou sem comprometimento permitem perdas financeiras ou de materiais por negligência, mau uso ou desmazelo.
- Corrupção: pode assumir diferentes formas, como suborno, propina ou superfaturamento. Inclui situações em que alguém solicita vantagem financeira para fechar negócios ou liberar atividades sob sua responsabilidade.
- Fraudes em gastos pessoais: quando o colaborador utiliza recursos da empresa em benefício próprio, como o uso do carro corporativo para fins pessoais, despesas particulares no cartão corporativo ou abastecimento de veículo próprio com vale combustível empresarial.
- Extravio ou falsificação de recibos e comprovantes: ocorre quando comprovantes de despesas corporativas são perdidos ou falsificados para gerar reembolsos maiores do que os gastos reais. A ausência de tecnologia de controle aumenta esse risco.
- Despesas não autorizadas: acontecem quando colaboradores extrapolam gastos em viagens corporativas, adquirindo serviços desnecessários, especialmente na falta de políticas claras de reembolso e viagens.
- Despesas duplicadas: situação em que a mesma nota fiscal é utilizada mais de uma vez para solicitar reembolso. É comum em empresas que fazem conferência manual dos recibos.
- Despesas escondidas: ocorre quando, em serviços externos, o colaborador solicita a inclusão de itens diferentes na nota fiscal para ocultar gastos não permitidos, como bebidas alcoólicas e cigarros.
“As principais fraudes geralmente ocorrem nas áreas em que há maior circulação de recursos financeiros, especialmente no caixa, estoques e contas a receber de clientes”, afirma Barbosa.
Como identificar fraudes?
Segundo Barbosa, as empresas podem identificar a ocorrência de fraudes a partir de alguns indícios, como:
- Diferenças entre registros financeiros e contábeis, incluindo contas a receber, contas a pagar e custos de produção;
- Cruzamento de informações contábeis com dados de fornecedores, clientes e terceiros;
- Divergências entre inventários físicos e os registros em sistemas informatizados;
- Ausência de documentação adequada nas transações financeiras e operacionais.
Após serem detectadas, as fraudes podem gerar ações em duas frentes distintas: a trabalhista e a criminal, com o objetivo de apurar responsabilidades e a prática de crimes.
Imagem: Envato















