O mercado que cresce mais que o varejo tradicional

O setor de revenda e segunda mão deve crescer 39% até 2024, enquanto o varejo tradicional tem estimativa de 6%

O futuro do varejo pode estar no mercado de segunda mão? Bom, é o que mostram os últimos dados do setor. Estima-se que o valor do mercado de revenda dos EUA e do mundo mais que dobre até 2026. No ano passado, houve um crescimento de 32% do mercado dos EUA que deve atingir um valor de US$ 82 bilhões nos próximos quatro anos.

Este movimento está sendo impulsionado, principalmente, pela Geração Z (nascidos a partir de 2000) e seus ideais de consumo consciente, sustentabilidade, procura por preços mais baixos (disparado pela questão econômica após a pandemia) e a oportunidade de uma lucrativa atividade paralela.

Segundo o Relatório de Revenda de 2022, da GlobalData, cerca de 41% dos consumidores procuram primeiro roupas de segunda mão quando estão comprando. Já entre a Geração Z e os Millennials este número sobe para 62%. Quase metade (46%) da Geração Z e dos Millennials consideram o valor de revenda de um item de vestuário antes de comprá-lo.

No mundo todo, não faltam exemplos de grandes marcas que já perceberam o movimento e estão se adaptando ao mercado de revenda e segunda mão. A varejista de móveis e artigos de decoração IKEA possui um serviço de recompra e revenda de produtos, o Buy Back & Resell – que permite que os clientes vendam de volta móveis usados da marca em troca de crédito nas lojas ou renovem os seus móveis por meio da revenda na própria loja.

A marca de roupas esportivas para a prática ao ar livre Patagonia, reconhecida como um ícone do consumo responsável, incentiva os consumidores a comprar menos. A empresa conserta gratuitamente as roupas usadas dos clientes e, quando eles querem se desfazer delas, ajuda-os a vendê-las. Possui uma plataforma para venda e reparo de artigos e equipamentos usados, a loja online Worn Wear, onde é possível encontrar peças com preço reduzido, porém com qualidade e funcionalidade garantidas. A bandeira declaradamente anticonsumista não impediu o crescimento da empresa.

A The RealReal, plataforma online de compra e venda de marcas de luxo, foi fundada em 2011, é uma das líderes do segmento e abriu capital na bolsa de Nasdaq em 2019, mostrando todo o potencial deste mercado. Possui três lojas em Nova York e Los Angeles, além de mais 11 escritórios de consignação espalhados pelos EUA. A marca garante a autenticidade de cada uma das peças vendidas, um time especializado é responsável por toda a avaliação e verificação de autenticidade dos produtos, que passam por um longo processo, incluindo fotografia, precificação, copy e colocação de SKU (Stock Keeping Unit) até chegar nas lojas e no site. Com o mantra “buy well, make well, re-sell” e seu conceito de economia circular, a The RealReal fala diretamente com as gerações de novos consumidores.

A StockX, plataforma que funciona como uma fusão de bolsa de valores com marketplace, é uma amostra do fortalecimento do mercado de revenda, permitindo ao usuário a compra e venda de uma infinidade de itens e ainda ganhar dinheiro com isso. Fundada em 2015, começou apenas negociando tênis, popularmente conhecidos como sneakers. De lá para cá, já foram adicionados outros produtos. Além de intermediar todas as negociações, o StockX verifica se os artigos são realmente originais. Como o mercado é baseado na raridade do produto, a autenticidade é fundamental para o funcionamento do negócio.

No Brasil, o grupo Arezzo&Co entrou no mercado de roupas e acessórios seminovos com a compra da TROC – brechó de roupas e acessórios – especializada em peças second hand de qualidade e de marcas de moda premium e luxo, um de seus diferenciais é a disponibilização de serviços de curadoria, cadastro, precificação e venda de peças usadas em sua plataforma.

Esses são alguns exemplos da força do segmento que até 2030 promete ser duas vezes maior que o mercado de fast-fashion, segundo os dados do Cross-Border Commerce Europe, e no qual vale a pena os varejistas estarem de olho.

Mauricio Queiroz é CEO do Grupo MQ.
Imagem: Shutterstock

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