O setor de franquias no Brasil atravessa um ciclo de maturidade e expansão que merece atenção e, mais do que uma simples recuperação, o que observamos é a consolidação de um modelo de negócio fundamentado em escala, suporte estruturado e, sobretudo, previsibilidade. Após um 2025 histórico, com faturamento recorde de R$ 301,7 bilhões, as projeções da Associação Brasileira de Franchising (ABF) para 2026 apontam para um crescimento robusto entre 8% e 10%.
Parte dessa performance está diretamente ligada à previsibilidade que o modelo oferece. Ao ingressar em uma rede franqueada, o empreendedor passa a operar com processos definidos, marca consolidada e suporte contínuo, o que reduz riscos e aumenta a eficiência da operação. Não por acaso, o tempo médio de retorno do investimento no setor costuma variar entre 18 e 36 meses, de acordo com a ABF.
Nesse contexto, o varejo brasileiro também demonstra sua resiliência histórica. O consumo no País tende a se adaptar, mas dificilmente desacelera de forma abrupta. O consumidor ajusta escolhas, busca melhor custo-benefício e prioriza categorias essenciais, mas segue ativo. Esse comportamento sustenta a base do crescimento de diversos segmentos, especialmente aqueles mais conectados ao dia a dia das famílias.
É justamente nesse ponto que o varejo infantil ganha protagonismo dentro do franchising, pois se trata de um segmento com demanda recorrente e baixa elasticidade, já que o consumo acompanha o próprio desenvolvimento das crianças. Mais do que isso, é um mercado profundamente ligado ao emocional, no qual confiança, propósito e identificação com a marca desempenham papel decisivo na jornada de compra. Vender produtos nunca foi suficiente: é preciso construir vínculos consistentes com os compradores.
Ao mesmo tempo, o crescimento no franchising exige um olhar atento para a consistência da marca. Expandir não significa apenas abrir novas unidades, mas garantir que cada operação represente, na prática, os valores e a experiência que sustentam o negócio. Esse equilíbrio entre padronização e sensibilidade local é o que diferencia as redes que crescem com solidez daquelas que apenas se expandem.
Olhando para os próximos meses, a tendência é de continuidade desse movimento positivo. A expectativa de melhora gradual nas condições de crédito, aliada à evolução digital do varejo e à expansão para novos mercados, deve favorecer ainda mais o franchising. Nesse cenário, segmentos resilientes, como o infantil, tendem a se destacar.
A minha visão é de que o consumidor brasileiro seguirá presente, ainda que mais criterioso. E, justamente por isso, marcas com identidade clara, proposta de valor consistente e capacidade de execução serão as mais beneficiadas. O franchising, nesse contexto, se consolida não apenas como uma estratégia de crescimento, mas como um dos modelos mais sólidos para capturar as oportunidades de um varejo em constante transformação.
Diego Colli é CCO da Pampili.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Imagem: Envato














