Redução ponto porcentual na taxa de juros Selic é insuficiente e piora endividamento, diz CNI

Entidade pede aceleração dos cortes da Selic na próxima reunião do Copom

Corte da Selic é decisão correta mas insuficiente para reverter prejuízos à economia

O corte de 0,25 ponto porcentual na taxa de juros Selic, anunciado nesta quarta-feira, 29, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, “ainda é insuficiente”, na avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo a entidade, nem mesmo a volatilidade nos preços do petróleo em razão da guerra no Oriente Médio justifica essa “cautela excessiva” do BC em relação ao ciclo de cortes dos juros, “postura que sufoca ainda mais a economia”.

“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial. Ao mesmo tempo, o endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”, o presidente da CNI, Ricardo Alban.

O executivo defende que o BC precisa intensificar os cortes da Selic a partir da próxima reunião do Copom, a ser realizada 16 e 17 de junho. “Uma taxa de juros mais baixa deixou de ser apenas desejável e passou a ser essencial para recuperamos a produtividade e o bem-estar da população brasileira”, afirma Alban.

A CNI projeta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vai fechar 2026 dentro do intervalo de tolerância da meta, cujo teto é fixado em 4,5%. No comunicado divulgado nesta quarta, no entanto, o Copom elevou a projeção para o IPCA acumulado neste ano de 3,9% para 4,6%.

A entidade destaca ainda que a manutenção da Selic em níveis elevados piora o endividamento corporativo e a inadimplência, que atingiram níveis jamais vistos, prejudicando principalmente micro e pequenas empresas.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A prévia da inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou para 0,89% em abril. No acumulado de 12 meses, o índice acelerou para 4,37%, contra 3,9% em março.

O IPCA cheio de abril só será divulgado em 12 de maio.

Pelo novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

No modelo de meta contínua, a meta passa a ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em abril de 2026, a inflação desde maio de 2025 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em maio de 2026, o procedimento se repete, com apuração a partir de junho de 2025. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de março pelo Banco Central, a autoridade monetária elevou, de 3,5% para 3,6%, a previsão do IPCA em 2026, mas a estimativa será revista, por causa do comportamento do dólar e da inflação. A próxima edição do documento, que substituiu o antigo Relatório de Inflação, será divulgada no fim de junho.

As previsões do mercado estão mais pessimistas. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 4,86%, acima do teto da meta, de 4,5%. Antes do início da guerra no Oriente Médio, as estimativas do mercado estavam em 3,95%.

Com informação do Estadão de Conteúdo/Agência Brasil (Sandra Manfrini).
Imagem: Shutterstock 

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