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Home Economia

Correios ainda precisam de R$ 8 bi para fechar contas, diz chefe da estatal

Ainda será definido se essa captação terá ou não aporte do Tesouro

Redação de Redação
30 de dezembro de 2025
no Economia, Notícias
Tempo de leitura: 4 minutos
Correios renegociaram 98,2% das dívidas com fornecedores, com economia de R$ 321 milhões

O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, disse nesta segunda-feira, 29, que o plano de reestruturação da companhia foi concebido com a necessidade de captar R$ 20 bilhões e que ainda é preciso obter R$ 8 bilhões para fechar a conta. Segundo o executivo, ainda será definido se essa captação terá ou não aporte do Tesouro.

Na última sexta-feira, 26, a estatal assinou um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos. De acordo com Rondon, a nova captação ainda não está em negociação. “Vamos seguir o mesmo rito de agora”, afirmou ontem em entrevista coletiva, destacando que o mercado será ouvido. De acordo com Rondon, a receita operacional da empresa é de R$ 18 bilhões e é preciso aumentá-la para R$ 21 bilhões até 2027.

O presidente dos Correios disse que o Programa de Demissão Voluntária (PDV) como parte do processo de reestruturação da companhia deve gerar economia anual de R$ 2,1 bilhões, com impacto pleno a partir de 2028. O programa será aberto em janeiro de 2026 com potencial de adesão de até 15 mil empregados entre 2026 e 2027, além do fechamento de mil agências hoje deficitárias.

Segundo ele, o PDV exige “algum grau” de investimento para ter uma redução de 18% nos gastos com folha de pagamento. Ele disse que será gasto R$ 1,1 bilhão com o programa para obter uma economia anual de R$ 1,4 bilhão.

“A primeira vantagem do PDV é que ele é voluntário e a gente não esteriliza a força de trabalho da empresa, não aumenta a judicialização, há um acordo que nasce e se resolve por si. Outra coisa é que a gente consegue programar o PDV dentro da dinâmica de necessidade da empresa.”

Segundo Rondon, as iniciativas de redução de despesas devem somar R$ 5 bilhões até 2028. Ele também destacou a alienação de imóveis sem uso operacional, com expectativa de gerar R$ 1,5 bilhão em receitas extraordinárias. O presidente da estatal disse que o ritmo de resultado até setembro, de prejuízo de R$ 6 bilhões, não vai se alterar até o fim do ano. A expectativa é de que o plano de reestruturação comece a dar resultados positivos em 2027.

Plano de saúde

Rondon disse que o plano de saúde da empresa, o Postal Saúde, tem de ser “completamente revisto”. “Tem de mudar a lógica, porque hoje ele onera bastante”, afirmou. Ele acrescentou que a expectativa é de economizar entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões anuais, a partir de 2027, com revisão do plano de saúde.

O Estadão mostrou que a crise financeira dos Correios está atingindo o plano de saúde da empresa. A dívida da estatal com a rubrica, segundo o seu balanço mais recente, atingiu em setembro R$ 740 milhões, mais do que o dobro da dívida de R$ 348 milhões de dezembro de 2024.

Promessa de recuperação

Rondon afirmou ontem que a primeira fase do plano de reestruturação da estatal é recuperar o caixa até março de 2026. “Por isso a gente vem falando nas últimas semanas da captação de recursos”, declarou em entrevista coletiva para detalhar o plano do reestruturação da companhia. De acordo com Rondon, sem intervenção, o resultado seria de R$ 23 bilhões de prejuízo em 2026. “A correção de rota precisa ser feita de forma rápida”, disse.

Rondon afirmou que o plano inclui revisão da governança, metas para funcionários e reconhecimento por desempenho. Já o empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos (Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal), assinado na sexta-feira passada, “vai permitir adimplência, recuperar qualidade da operação e retomar confiança”, segundo o presidente da empresa.

Rondon disse que, em 2026 e 2027, será colocada em prática a fase de reorganização. O plano terá revisão de pessoal, parcerias, redesenho de operações e gestão de ativos. Segundo o presidente da estatal, a expectativa é de que essa fase tenha impacto positivo de R$ 7,4 bilhões.

De janeiro a setembro, os Correios acumulavam prejuízo superior a R$ 6 bilhões e tinham déficits recorrentes desde 2022, superiores a R$ 10 bilhões.

O presidente dos Correios disse que a perspectiva é de que o resultado da estatal seja “um pouco pior” em 2026 antes de uma melhora em 2027. “O problema de liquidez da empresa que a gente enxerga em 2025 vai ser resolvido pelo desembolso de agora e o de 2026 parte pelo desembolso de agora e parte por uma nova captação que a gente vai fazer”, disse. Ele afirmou ainda que os R$ 12 bilhões captados com os cinco bancos serão pagos mensalmente após três anos de carência.

Universalização

Rondon afirmou que a empresa enfrenta déficit estrutural de mais de R$ 4 bilhões anuais por conta do cumprimento da universalização do serviço postal em locais remotos. De acordo com ele, 90% das despesas da estatal têm perfil fixo, e a folha de pagamento dos funcionários corresponde a 62% do total.

Ele disse ainda que houve um ponto de “inflexão” no modelo tradicional de correios em 2016, quando encomendas passaram a ter uma relevância maior como fonte de receita do que cartas. “Isso é uma coisa que aconteceu também no resto do mundo”, afirmou.

Tesouro acompanha reestruturação da empresa, diz Ceron

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, disse ontem que o órgão vai monitorar “de perto” a execução do plano de reestruturação dos Correios. A empresa precisa captar mais R$ 8 bilhões para fechar suas contas, o que pode ser feito por meio de um aporte do Tesouro.

“Eles estão prevendo, de fato, até 2027, ter algum aporte ou uma operação complementar de suporte à reestruturação que eles estão planejando. Então, é algo que a gente vai acompanhar de perto”, disse Ceron. Para ele, os aportes não tornam a estatal “dependente” do Tesouro.

Com informações de Estadão Conteúdo (Lavínia Kaucz, Mateus Maia, Cícero Cotrim e Renan Monteiro)
Imagem: Shutterstock

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