O mercado de moda circular vive um dos momentos mais fortes de sua história no Brasil — e um dos responsáveis por impulsionar essa mudança é o Peça Rara Brechó. Nascida em Brasília há 18 anos, a rede construiu um modelo de varejo baseado em peças usadas, higienizadas e curadas, e hoje soma cerca de 130 lojas espalhadas pelo País.
Em entrevista ao Bora Varejar, a presidente do conselho do Peça Rara, Bruna Vasconi, relembrou a trajetória da marca, que começou de maneira informal, ganhou escala atendendo à demanda crescente de consumidores e fornecedores e se consolidou como um dos principais cases de economia circular no Brasil.
A história do Peça Rara começou em 2006, quando Bruna, então estudante da Faculdade de Psicologia e mãe de dois filhos, vendia itens infantis para complementar a renda. A percepção de que existia um público pronto para comprar e fornecer peças usadas motivou a criação da primeira loja. Toda a operação era totalmente artesanal, com controle feito em folhas de papel carbono e etiquetas preenchidas à mão.
A demanda surpreendeu: a pequena loja chegou a atender mais de 100 pessoas por dia – interessadas em comprar ou vender roupas infantis. Logo vieram as primeiras expansões e a inclusão de peças femininas, masculinas e de decoração, formando um modelo completo de reutilização de itens pessoais e domésticos. De Brasília, a rede se expandiu para outros Estados.
Entrada no franchising
A virada do Peça Rara para o franchising começou em 2019 e teve um reforço decisivo em 2021, com a entrada do Grupo SMZTO, de José Carlos Semenzato, como investidor. A partir daí, a marca acelerou e inaugurou dezenas de unidades por ano, mesmo em plena pandemia — período que também trouxe desafios e oportunidades, como a oferta de pontos comerciais desocupados.
Outro marco veio com a chegada da atriz Deborah Secco como sócia. O movimento, sugerido inicialmente por Semenzato, ganhou forma quando a atriz manifestou interesse real pelo propósito da economia circular. Hoje, Deborah participa ativamente de campanhas, conteúdo e decisões estratégicas, além de adotar o consumo circular em 95% do próprio guarda-roupa, segundo relatado pela própria Bruna.
Desafios culturais
Os primeiros anos do Peça Rara foram marcados por desafios culturais. Havia resistência do público adulto em consumir roupas usadas, enquanto os itens infantis avançavam mais rápido. A estratégia foi transformar a experiência de loja: organização impecável, limpeza, fragrância agradável e atendimento qualificado, quebrando estigmas e educando o consumidor sobre o valor da economia circular. “A gente passou dois anos educando as pessoas para essa mudança de mentalidade.”
Com o tempo, o preconceito diminuiu — e hoje, diz ela, há até consumidores que só compram novos quando não encontram versões usadas em bom estado. “As pessoas passaram a enxergar propósito, exclusividade e responsabilidade ambiental no consumo de segunda mão”, afirma.
Para Bruna, a economia circular é tanto um modelo de consumo quanto uma causa. “É um movimento transformador — financeiro, ambiental e humano”, afirmou. “Para quem ainda não experimentou, vale conhecer, comprar, vender ou até empreender nessa área. A economia circular é presente e futuro.”
Confira abaixo a entrevista completa da presidente do conselho do Peça Rara, Bruna Vasconi, à Mercado&Consumo:

Esse conteúdo foi feito por Inteligência Artificial com base na entrevista concedida por Bruna Vasconi ao podcast Bora Varejar. O texto foi revisado e aprimorado pela redação da Mercado&Consumo.
Imagem: Divulgação















