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Home Economia

Safra de café do Brasil alivia aperto na oferta, mas não deve derrubar preço

Nos últimos três anos a produção brasileira ficou aquém do esperado, fustigada por geadas e estiagem

Redação de Redação
3 de janeiro de 2026
no Economia, Notícias
Tempo de leitura: 3 minutos
Safra de café do Brasil alivia aperto na oferta, mas não deve derrubar preço

O mercado acompanha com expectativa a safra brasileira de café, a maior do mundo, em 2026, pois poderá aliviar o aperto na oferta mundial do produto. Pelo menos nos últimos três anos a produção brasileira ficou aquém do esperado, fustigada por geadas e estiagem. No momento, o quadro climático nas regiões produtoras do País é quase normal, tirando um período de pouca chuva entre setembro e meados de outubro. “Boas quantidades de chuvas vêm sendo registradas em muitas praças produtoras, trazendo otimismo aos cafeicultores, à medida que isso tende a favorecer o potencial produtivo da nova temporada”, disseram os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

Até janeiro, as chuvas serão fundamentais para o “pegamento” e crescimento dos chumbinhos, futuros grãos de café. Na sequência, até abril, mês que precede a colheita, a regularidade das chuvas será essencial para expansão e enchimento dos grãos. “Ou seja, ainda há um longo caminho de incerteza climática e com potencial volatilidade das cotações”, ponderaram analistas do banco BTG Pactual.

As adversidades climáticas têm prejudicado cafeicultores ao redor do mundo, não só no Brasil. Ásia, África e América Central também passam por dificuldades na produção de café por causa do clima. O Vietnã, segundo maior produtor de café do mundo, enfrentou clima adverso nos últimos anos e, mesmo na atual safra, tufões e tempestades ameaçam a produção. Por enquanto, a estimativa é de colheita de cerca de 30 milhões de sacas de 60 kg, o potencial produtivo do país. Brasil e Vietnã, juntos, representam pouco mais da metade da produção mundial de café.

No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deverá apresentar a primeira previsão sobre a safra 2026 no fim de janeiro. A safra 2025 está projetada em 56,5 milhões de sacas. Mesmo sendo um ano de bienalidade negativa, o resultado representa o terceiro maior registrado da série histórica da Conab, atrás apenas dos anos de 2020 e 2018, ambos de bienalidade positiva da planta, e uma alta de 4,3% se comparado com o volume obtido no ano passado (54,22 milhões de sacas).

Além do esperado aumento na oferta, outros fatores contribuem para antever pressão sobre os preços internacionais do grão, como o fim do tarifaço dos Estados Unidos sobre o café brasileiro (com exceção do produto solúvel, industrializado, que continua com tarifa de 50%), que tende a melhorar a disponibilidade do produto no maior consumidor mundial da bebida. Além disso, o adiamento do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), para janeiro de 2027, diminui a urgência de compra pelos consumidores europeus.

Em contrapartida, os baixos estoques mundiais e o consumo global consistente devem limitar a queda das cotações, que atingiram recorde em 2025. O café armazenado na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) registra níveis historicamente baixos. Há quatro anos era de cerca de 1,5 milhão de sacas e foi diminuindo gradativamente até alcançar míseras 400 mil sacas atualmente. Especialistas avaliam que o consumo de café deve ter diminuído por causa da alta de preços. No entanto, a bebida é de difícil substituição. Ao mesmo tempo, observa-se crescimento do consumo em novos mercados, como na Ásia, notadamente a China. Há algumas décadas, para efeito de estatísticas, a China representava quase um traço. Atualmente, o país asiático já aparece com relevância nas planilhas. A China passou do top 20 dos destinos das exportações brasileiras de café em 2022 para algo entre top 10 a top 8, em 2025.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), os futuros de arábica iniciaram escalada há cerca de três anos, conforme se confirmava frustração de safra no Brasil. A cotação chegou a bater inacreditáveis 410 centavos de dólar por libra-peso no fim de abril deste ano, em comparação com 227,50 cents na mesma época do ano anterior, um aumento de 80%. Atualmente, a libra-peso é cotada em cerca de 350 cents.

Nesse contexto, espera-se uma estabilidade até queda limitada dos preços do café no curto prazo, estimou o analista Marcelo Moreira. “Creio que o gatilho para Nova York voltar a subir acima dos 400 cents a 450 cents será apenas com base em algum efeito climático. Com o custo do dinheiro elevado, o consumidor final deverá continuar comprando ‘da mão para a boca’ aguardando a entrada da próxima safra brasileira”, avaliou.

Com informações de Estadão Conteúdo (Tomas Okuda)
Imagem: Shutterstock

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