Airbus reforça meta de entregas e aposta em retomada

Até o final de outubro deste ano, dado mais recente, a Airbus entregou 560 aeronaves para 81 clientes.

Apesar dos desafios enfrentados pela indústria, a Airbus tem capacidade para cumprir a meta de 720 aeronaves entregues até o final de 2023. A previsão foi reforçada pelo CEO da fabricante para América Latina, Arturo Barreira, que falou ao Broadcast sobre as perspectivas para o segmento em meio à retomada pós-pandemia, potencial do mercado latino-americano e investimentos em sustentabilidade.

Até o final de outubro deste ano, dado mais recente, a Airbus entregou 560 aeronaves para 81 clientes. Com isso, para cumprir a meta, deve destinar aproximadamente 160 aviões às companhias aéreas nos últimos dois meses de 2023. “Será um final de ano agitado, mas somos capazes de atingir o objetivo. Já fizemos isso antes, é completamente possível”, afirma Barreira.

Se a projeção se cumprir, o número de entregas ainda estará abaixo dos níveis pré-pandemia, com uma média mensal de 60 aviões. Em 2019, foram 863 aeronaves, quase 72 por mês. Contudo, para Barreira, a tendência é de crescimento, com o pior tendo ficado para trás, após o setor ser afetado por problemas na cadeia produtiva, com falta de peças e desaceleração da indústria, que vem voltando a ganhar ritmo. A alta do petróleo com o conflito entre Ucrânia e Rússia também pesou.

O CEO da Gol, Celso Ferrer, afirmou recentemente que a empresa esperava uma renovação de frota mais rápida. “A incerteza sobre o cronograma é a peça mais difícil desse quebra-cabeça”, disse, sem citar fabricantes específicas, durante teleconferência de resultados do terceiro trimestre.

Já para o CEO da Azul, John Rodgerson, os atrasos são generalizados e impactam a capacidade das aéreas. No entanto, aos poucos, a situação tem melhorado, avaliou, ao ser questionado sobre o assunto também durante a teleconferência de resultados mais recente da companhia.

Com a expectativa da retomada, a Airbus estima atingir a marca de 75 aeronaves por mês até 2026, superando os números registrados antes da pandemia. O otimismo da fabricante é apoiado por alguns fatores. Entre eles, os esforços das aéreas para renovar a frota em busca de maior eficiência. Além disso, aviões mais novos também contribuem para a redução de emissões em meio à agenda mais sustentável defendida pelo setor nos últimos anos.

América Latina

Só na América Latina, a frota em serviço deve praticamente dobrar em 20 anos, estima a Airbus. A projeção é que o número de aeronaves em operação suba para 2.630 ante 1.140 atualmente. O tráfego de passageiros também deve dobrar no período, passando de 0,44 viagens anuais per capita em 2019 para 0,87 em 2042.

As viagens na região serão impulsionadas pelo crescimento da classe média de 400 milhões para 490 milhões de pessoas em 2042, 67% da população da América Latina e do Caribe. A forte atuação de empresas de baixo custo é outro fator positivo citado pela companhia, com Brasil e México sendo os maiores mercados para elas.

Barreira classifica o mercado brasileiro como um dos mais importantes para a Airbus entre os vizinhos, considerando o tamanho do País e a força econômica. “Vemos potencial para a aviação continuar a se desenvolver não só no mercado doméstico, mas também regional”, afirma. “Dessa forma, vai impulsionar o crescimento da região.”

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A Airbus produziu 750 dos aviões que estão em operação atualmente na América Latina, enquanto conta com uma carteira de pedidos de 520 aeronaves.

Sustentabilidade

A Airbus espera que o Brasil e seus vizinhos exerçam papel importante na agenda de descarbonização do setor. “Estamos convencidos de que a América Latina está em uma posição fantástica para fornecer combustível de aviação sustentável (SAF), inclusive para outras regiões”, diz o executivo.

Em agosto, a Airbus e o Grupo Latam fecharam um acordo para financiar conjuntamente um estudo liderado pelo Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT). Os pesquisadores devem apresentar, até abril de 2024, recomendações viáveis para descarbonização da aviação no Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México e Peru.

O material deve apresentar análises sobre os diferentes cenários para a implantação até 2050 do SAF, além de explorar os caminhos relacionados ao hidrogênio de baixo carbono, captura direta de ar e bioenergia com captura e armazenamento de carbono.

Ainda há um longo caminho a ser percorrido. Atualmente, menos de 1% do combustível usado mundialmente no setor de aviação é desse tipo. Outro desafio para ampliar o uso é desenvolver a tecnologia necessária para que as aeronaves voem apenas com SAF.

Barreira destaca que hoje as aeronaves e helicópteros Airbus são capazes de operar com uma mistura de até 50% de SAF. O objetivo é que a capacidade atinja 100% até 2030 para aeronaves comerciais e militares, assim como helicópteros.

Apesar de considerar o SAF essencial para tornar a aviação mais limpa, o CEO diz que não existe uma “bala de prata” que sozinha levará o setor a zerar as emissões até 2030. Para atingir esse objetivo, a companhia aposta também na substituição de equipamentos mais antigos para aumentar a eficiência e reduzir emissões. As aeronaves mais novas da Airbus, que têm sido compradas nessa onda de renovação, chegam a ser entre 20% e 25% mais eficientes.

Com informações de Estadão Conteúdo (Elisa Calmon)
Imagem: Shutterstock

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