A indústria de bebidas Baly anunciou recentemente o lançamento do Baly Tadala, bebida inspirada na tadalafila, medicamento utilizado no tratamento da disfunção erétil. Apesar do burburinho gerado entre consumidores nas redes sociais, a ação publicitária de divulgação do produto foi criticada pelo Conselho Federal de Farmácias (CFF).
De acordo com a entidade, em texto publicado em seu site oficial, o uso de trocadilhos e referências explícitas a um fármaco de prescrição, como a tadalafila, que, sem indicação adequada, pode provocar efeitos adversos como queda da pressão arterial e cefaleia intensa, entre outros, levanta preocupações do ponto de vista sanitário e da saúde pública.
“Ao associar um medicamento a uma bebida recreativa e a um contexto festivo, a campanha contribui para a banalização do uso de fármacos e pode estimular a automedicação”, destaca o CFF.
Procurada pela reportagem da Mercado&Consumo, a Baly Brasil afirmou que apoia o debate consciente e responsável sobre possíveis confusões entre alimentos, bebidas e medicamentos. “No caso do produto ‘Baly Tadala’, todas as normas sanitárias, regulatórias e de rotulagem foram cumpridas, de modo a indicar de forma clara ao consumidor que o produto é uma bebida energética e não possui qualquer fármaco.”, informou a companhia.
Estratégia de marketing
De acordo com Dayane Triton Cardoso, diretora comercial e de marketing da Baly Brasil, o nome “Tadala” foi adotado por já ter se tornado um termo de uso comum no Brasil, associado à ideia de energia e vigor. Segundo a executiva, a escolha é conceitual e dialoga com essa percepção amplamente disseminada na cultura popular, sem qualquer relação com medicamentos.
A Baly optou por conduzir o lançamento do produto exclusivamente pelas redes sociais da marca, apostando em imagens, vídeos curtos e memes para gerar curiosidade, estimular o compartilhamento e promover o engajamento orgânico.
Responsabilidade na comunicação
No texto publicado pelo CFF, a entidade também ressalta que “campanhas publicitárias que flertam com a medicalização do consumo recreativo exigem reflexão, responsabilidade e atenção das autoridades sanitárias e da sociedade”.
“A Baly seguiu rigorosamente todas as normas sanitárias, regulatórias e de rotulagem vigentes. O produto é enquadrado como bebida energética, não contém fármacos e não apresenta qualquer risco do ponto de vista toxicológico ou regulatório”, rebate Dayane.
Segundo ela, embora o conceito seja irreverente, a comunicação deixa explícito que se trata de uma bebida energética. Todas as informações obrigatórias estão claramente indicadas no rótulo, garantindo que não haja confusão com medicamentos.
Com informações de Conselho Federal de Farmácias (CFF).
Imagem: Reprodução (Instagram)














