As telas tomaram conta do nosso dia a dia, seja para o trabalho, seja para o lazer, elas sempre estão lá. E as crianças também foram “capturadas” por elas. Cerca de 78% dos pequeninos de 0 a 3 anos já estão em contato diariamente com telas, número que sobe para 94% entre os de 4 a 6 anos, de acordo com dados da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.
Já o Pinterest aponta, em seu primeiro Relatório de Tendências de Parentalidade, que as buscas por “atividades sem tela” na plataforma aumentaram 200% ano após ano e estão crescendo junto com “ideias de tradições de família” (+200%), “verão sem celular” (+340%) e até a definição de clima de “estética de detox digital” (+95%).
Diante desse cenário, especialistas e representantes do setor de brinquedos defendem uma abordagem equilibrada, em que a tecnologia possa conviver com experiências lúdicas tradicionais, preservando o papel do brincar no desenvolvimento infantil. “Não se trata de colocar tecnologia e brincadeira em lados opostos. O importante é entender que o brincar continua sendo a base do desenvolvimento infantil, e a tecnologia pode ser incorporada de forma saudável quando usada com propósito e equilíbrio”, afirma Synésio da Costa, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq).
O setor de brinquedos tem buscado integrar diferentes experiências dentro do universo infantil. Ao mesmo tempo em que surgem brinquedos tecnológicos com propostas educativas, categorias tradicionais seguem fortes no mercado, como jogos de tabuleiro, blocos de construção, bonecas, carrinhos e brinquedos de criatividade, que estimulam imaginação, interação social e habilidades cognitivas.
“A infância sempre acompanha as transformações da sociedade. O desafio é garantir que a tecnologia tenha seu espaço, mas sem substituir aquilo que é essencial para o desenvolvimento das crianças: o brincar”, conclui Costa.
