O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) pediu que a Corte de Contas apure os reflexos de medidas econômicas e tarifárias adotadas pelo governo dos Estado Unidos contra o Brasil, incluindo a recente intensificação de ofensivas contra o Pix.
No processo aberto no Tribunal, o subprocurador, Lucas Furtado, pede que o ministro relator, Antonio Anastasia, verifique quais das medidas implementadas pelo governo norte-americano do republicano Donald Trump possuem potencial de causar prejuízos ao erário e à soberania econômica nacional.
A análise técnica está a cargo da unidade AudBancos, responsável por examinar os atos da gestão norte-americana com foco nos impactos diretos sobre pilares estratégicos da economia brasileira.
Entre os pontos sob avaliação estão o eventual comprometimento das contas públicas federais, possíveis danos ao fluxo de comércio exterior e riscos à integridade e ao funcionamento da infraestrutura financeira pública, com destaque para o sistema de pagamentos instantâneos – Pix.
Segundo a representação, o objetivo é identificar se as medidas externas podem afetar a estabilidade do sistema financeiro nacional e gerar efeitos adversos de natureza fiscal, cambial ou operacional, exigindo eventual atuação preventiva ou corretiva por parte dos órgãos responsáveis.
Perdas
O Brasil enfrenta o risco de perder entre R$ 15 bilhões e R$ 38 bilhões em consumo das famílias como consequência das tarifas anunciadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
A combinação das sobretaxas de 25% e de uma taxa adicional de 12,5%, motivada por falhas no combate ao trabalho forçado, coloca sob pressão cerca de US$ 9,5 bilhões em exportações industriais brasileiras e pode comprometer a atividade econômica em 2026.
As estimativas de mercado apontam que o impacto das medidas sobre o Produto Interno Bruto (PIB) deve variar entre 0,3 e 0,6 ponto percentual em 2026. No cenário mais pessimista, o recuo equivale a R$ 76 bilhões em atividade econômica ao longo do ano. As projeções de crescimento para 2026, que antes oscilavam entre 1,2% e 1,7%, foram revisadas para baixo de forma generalizada pelo mercado após o anúncio das tarifas.
O consumo das famílias, que totalizou R$ 8,1 trilhões em 2025 e representou 64% do PIB, deve absorver entre 40% e 50% do choque, padrão histórico observado em episódios anteriores de choques externos sobre a economia brasileira. No cenário central, o impacto estimado sobre o consumo alcança aproximadamente R$ 22,5 bilhões, dos quais R$ 7 bilhões recairão sobre o varejo restrito e R$ 10,5 bilhões sobre o varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção.
O impacto se transmite pela economia por múltiplos canais: retração nas cadeias produtivas exportadoras, com efeito cascata sobre fornecedores de pequeno e médio porte; pressão cambial, que encarece máquinas e insumos importados; e inflação setorial concentrada em alimentos industrializados, bebidas, materiais de construção e transporte, categorias que afetam desproporcionalmente famílias de renda média e baixa.
Com informação do Estadão de Conteúdo (João Caires).
Imagem: Shutterstock














