O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), voltou a afirmar que o Banco Central (BC) teria, sob a gestão de Gabriel Galípolo, solicitado um empréstimo para o Banco Master ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Galípolo já negou que esse pedido tenha ocorrido.
A declaração ocorreu nesta terça-feira, 9, na abertura da audiência na CAE que ouve o presidente do Banco de Brasília, Nelson de Souza. “Tornei públicas algumas informações que o próprio presidente do Banco Central negou a existência; como, por exemplo, que o Banco Central, sob a gestão de Gabriel Galípolo, pediu empréstimo ao FGC para o Banco Master, de R$ 11 bilhões”, disse Renan.
Segundo o senador, como consequência desse pedido, o FGC teria liberado um empréstimo de R$ 6,7 bilhões. Ele afirmou que há um documento que comprova essa informação.
Em maio, quando participou de audiência na CAE, Galípolo negou que o pedido tenha ocorrido. Na ocasião, Calheiros disse que o BC teria enviado, em 2025, um pedido de R$ 11 bilhões ao FGC para viabilizar a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB). “A informação está errada. Não há nenhuma carta com valor de R$ 11 bilhões. O Banco Central jamais tentou viabilizar a venda”, disse Galípolo.
Liquidação do Master
O Banco Central reafirma no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) que a liquidação extrajudicial do conglomerado Master não gerou efeitos sistêmicos no Sistema Financeiro Nacional (SFN). O documento refere-se ao segundo semestre do ano passado e foi divulgado nesta segunda-feira, 25.
“Os mecanismos de proteção associados ao FGC foram acionados conforme o modelo institucional vigente, evidenciando a capacidade de absorção de choques e a resiliência do sistema financeiro”, diz a autoridade monetária.
O BC observa que, após a liquidação, os clientes ressarcidos pelo FGC direcionaram recursos principalmente para instituições financeiras de maior porte e de maior relevância sistêmica, em linha com o esperado em eventos de resolução bancária.
Também destaca que “a crise pontual com o conglomerado Master não gerou impacto relevante nas taxas praticadas em instrumentos garantidos pelo FGC”.
Emenda que a manutenção do amplo acesso das instituições financeiras ao mercado de captações reforça a confiança dos depositantes na higidez do SFN.
No REF, o BC também avalia que não há risco relevante para a estabilidade financeira. Diz que o SFN segue com capitalização e liquidez confortáveis, e provisões adequadas ao nível de perdas esperadas. “Além disso, os testes de estresse de capital e de liquidez demonstram a robustez do sistema bancário”, afirma.
Com informação do Estadão de Conteúdo (Marianna Gualter e Naomi Matsui).
Imagem: Agência Brasil














