O ministro da Fazenda, Dario Durigan, avaliou nesta terça-feira, 9, que uma eventual proibição das apostas esportivas online (bets) poderia ter efeito prejudicial ao estimular e ampliar o mercado ilícito. “A minha visão é que precisamos ser muito duros na regulação, reconhecendo que é um problema”, declarou em entrevista ao UOL.
Além do apertar na regulação, ele citou a diminuição da publicidade, o aumento de tributação, regras de transparência e autoexclusão e bloqueio de sites irregulares. “Vamos organizar operações, tendo em vista todas as informações que a gente recebe, para coibir a aposta irregular e abuso que pode prejudicar as famílias”, declarou o ministro.
Na segunda, dia 8, o Ministério da Fazenda informou que os dados de empresas de prêmios e apostas no País terão “ampla transparência”. Ou seja, todos os processos concluídos das bets serão tornados públicos. O Ministro da Fazenda disse que há informações sensíveis nos processos, mas não há sigilo. “Vamos divulgar dados proativamente”, declarou.
Ele argumentou que as bets passaram quatro anos ganhando peso na economia e uma série de setores depende da publicidade. Durigan argumentou que não há resistência em discutir a atuação dessas empresas, tendo em vista a arrecadação governamental com o setor. Ele disse ainda que as bets precisam ser tratadas como tratamos cigarro, com aperto da regulação.
Faturamento das bets
As empresas de apostas online, conhecidas como bets, faturaram R$ 2,2 bilhões em janeiro — um crescimento de 44,4% ante o mesmo mês de 2025. O resultado representa a segunda maior alta já registrada pela Pesquisa Conjuntural do Setor de Serviços (PCSS), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Os dados do estudo evidenciam a velocidade da expansão das bets na economia digital. Em janeiro de 2025, o faturamento do setor era de R$ 1,5 bilhão. Para a FecomercioSP, mais do que um nicho específico, o segmento consolidou-se como um mercado relevante, com reflexos econômicos, regulatórios e sociais crescentes. Diante desse cenário, a partir deste ano, a federação passa a monitorar a atividade dentro da PCSS, permitindo uma leitura mais precisa do crescimento e dos possíveis efeitos sobre o varejo e os serviços tradicionais.
Com informação do Estadão de Conteúdo (Renan Monteiro e Mateus Maia).
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