Impulsionado pelo álbum da Copa do Mundo de 2026 e por outros itens relacionados ao Mundial, o segmento de jogos e figurinhas vendeu sete vezes mais unidades em maio na comparação anual. O avanço da categoria foi responsável por 13,5% de todo o crescimento em volume do varejo alimentar no mês, segundo dados do Radar Scanntech.
A cesta de bazar, que compreende jogos e figurinhas, registrou o maior crescimento do varejo alimentar em maio, com avanço de 11,2% no faturamento e 10,0% nas unidades vendidas. No cenário geral, o faturamento do varejo alimentar manteve o ritmo de crescimento nominal observado no acumulado do ano (1,6%), e o comportamento do consumidor segue estável e mais defensivo no ponto de venda.
O crescimento foi impulsionado pela aceleração dos preços médios (4,5%), enquanto as unidades vendidas recuaram 2,8%. Os dados da Scanntech indicam ainda que o cliente tem buscado embalagens maiores (1,0%) como estratégia para diluir o gasto. Ao mesmo tempo, observa-se redução na frequência de compras, refletida na retração de 2,7% no fluxo das lojas.
“Pelo lado dos preços, a inflação mensal da cesta de produtos embalados apresentou sinais de desaceleração em maio, encerrando o mês em 0,17% na comparação com abril de 2026. A variação dos preços médios no período (0,40%) ficou próxima da inflação da cesta”, afirma Felipe Passarelli, Head de Inteligência de Mercado da Scanntech.
Os dados indicam que o impacto do futebol deve se manter nas próximas semanas. Segundo a empresa, o fluxo de clientes nas lojas costuma crescer 8,3% nos dias que antecedem jogos de futebol em mundiais e, caso a seleção brasileira chegue à final, o potencial de crescimento nas vendas gerais pode chegar a 8,6%.
Dinâmica das cestas
Além do bazar, as cestas de perecíveis (4,5%) e mercearia (1,7%) foram as principais responsáveis pelo crescimento do faturamento no mês, impulsionadas sobretudo pelo aumento dos preços médios.
Entre as categorias, os maiores avanços foram registrados por legumes (20,3%), bovinos in natura (12,9%), energéticos (27,5%) e modificadores (10,2%).
Na contramão, a mercearia básica continua sendo a principal detratora do varejo alimentar, com queda de 8,6% no faturamento. O resultado negativo foi puxado tanto pela retração em unidades (-5,4%) quanto pela deflação no preço por quilo de itens essenciais, como açúcar (-20,1%), arroz (-16,1%) e café (-14,1%).
Além disso, a análise do comportamento do consumidor revela que as compras são organizadas em missões bem definidas, que variam de acordo com a categoria. Entre os destaques de crescimento de incidência nas cestas de compra estão frutas em perecíveis, petiscos e snacks em mercearia e papel higiênico em perfumaria.
Já na cesta de Perfumaria, o grande destaque de incidência foi o Papel Higiênico (0.3 p.p.).
Mudança de temperatura altera o carrinho de compras
A chegada do frio também influenciou a rotina do consumidor e impactou o varejo alimentar. Com a temperatura média de maio 4,6% abaixo da registrada em maio de 2025, categorias tipicamente associadas ao calor perderam espaço.
Na análise de incidência nas cestas de compra, maio apresentou uma inversão em relação a abril. Categorias associadas ao calor perderam presença nas compras dos consumidores, como cerveja (-0,65 p.p.) e refrigerante (-0,30 p.p.), em bebidas, além de desodorante aerossol (-0,97 p.p.), em perfumaria. Em contrapartida, itens relacionados ao inverno ganharam espaço nas cestas, com destaque para queijos (0,45 p.p.) e vinhos (0,15 p.p.).
Atacarejo segue pressionado e Centro-Oeste é destaque
Os supermercados de grande porte, com mais de 10 checkouts, lideraram o crescimento do mês entre os canais do varejo alimentar, com alta de 2,6% no faturamento. Já o atacarejo permaneceu estável (0,1%), com o menor repasse de preços (3,5%) entre os canais e retração mais acentuada nas unidades vendidas (-3,4%).
No recorte geográfico, o Centro-Oeste consolidou-se como o principal destaque positivo do País, liderando as altas com 3,6% em faturamento e registrando a menor queda em unidades (-0,4%). No extremo oposto, a região formada por Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo foi a única a encerrar o período em queda (-0,5% em valor), com retração de 4,4% nas unidades vendidas.
Estoque
O estudo também mostra que, em maio de 2026, a ruptura — quando um produto não está disponível para compra quando o cliente o procura — apresentou queda de 2,6 p.p. em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, apesar da melhora na disponibilidade dos produtos, o avanço da não venda acabou neutralizando parte desse ganho.
Imagem: Envato














