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Home Artigos

Pressões sobre o consumo no foodservice

Eduardo Bueno de Eduardo Bueno
12 de novembro de 2025
no Artigos, Destaque do dia
Tempo de leitura: 3 minutos
foodservice

A economia brasileira tem mostrado sinais contraditórios, com impacto relevante sobre o consumo. Enquanto o País apresenta as menores taxas de desemprego da história, com o rendimento médio real atingindo patamares recordes, o endividamento e a inadimplência seguem corroendo o poder de compra da população. E, se de um lado a inflação da alimentação dentro do lar mostra maior controle, segundo o IPCA, a alimentação fora do lar permanece com inflação mais pressionada, com impactos diretos sobre o consumo do foodservice.

Em meio à moderação do consumo, o setor atingiu um gasto de R$ 55,4 bilhões no terceiro trimestre de 2025, um crescimento de 2% sobre o mesmo período de 2024, influenciado principalmente pela alta de 7% do ticket médio, enquanto o tráfego caiu 5%. A geração de visitas e aumento no número de pedidos segue como um desafio persistente para o setor.

Embora tenha sido um patamar recorde de gasto para um terceiro trimestre, inúmeros pontos de atenção surgem quando se faz uma análise detalhada.

Analisando os segmentos de consumo, nota-se um padrão: estabelecimentos sofisticados, de acesso restrito e consumo não cotidiano mostram forte crescimento de tráfego, com destaque para o high check (ou fine dining) e hotéis – movimento que já fora observado nos trimestres anteriores de 2025. Do outro lado, segmentos de baixo ticket também apresentam forte performance, destacando-se lojas de conveniência e o consumo de foodservice em super e hipermercados.

Ou seja, é notório o padrão que tem se firmado no setor: crescem o consumo sofisticado e pontual, e o consumo mais acessível, favorecido pelo contexto de preços ascendentes e pelo forte endividamento da população.

Entre esses dois grupos de segmentos, existe um amplo universo, que inclui redes de fast-food, lanchonetes, padarias, ambulantes, quilo, buffet e casual dining. Todos esses segmentos perderam tráfego em relação a 2024.

Embora alguns tenham tickets mais acessíveis e outros lancem mão de promoções agressivas, seus patamares de preço estão em uma faixa intermediária em comparação aos segmentos sofisticados e aos mais baratos. Ou seja, quando se analisa a performance dos diferentes estabelecimentos, sobretudo daqueles poucos que apresentam crescimento no tráfego e no fluxo de pedidos, o consumidor está realmente optando pelo consumo de menor preço possível ou gastando com experiência, produtos premium e serviços diferenciados (quando tem renda disponível para tanto).

Pensando nos canais de consumo, após forte performance no trimestre passado, o delivery teve queda em relação a 2024. Essa não é uma tendência para o canal, que já mostra um aquecimento relevante com a entrada de novos operadores, além do fortalecimento de promoções agressivas para geração de tráfego. O consumo no local de compra (denominado on-premise) ficou estável, mostrando que ainda existe um desafio para aumentar o consumo no foodservice, apesar da volta generalizada da população ao trabalho presencial.

Em termos de ocasiões, as faixas matinais e o almoço são os principais pontos de atenção (fortemente correlacionados com os diferentes canais que perderam visitas). Por que é importante destacar esses movimentos? Buscando economizar dinheiro, o consumidor tem deixado de tomar café da manhã fora de casa e, para o horário do almoço, tem optado por alternativas mais econômicas, como o consumo de marmitas, sobretudo aquelas preparadas em casa.

Mais uma vez, o foodservice cresce em gasto exclusivamente devido ao aumento do ticket médio. O tráfego segue como o principal e mais preocupante desafio do setor, afetando os mais variados segmentos de consumo. Com forte restrição na renda disponível, o consumidor redefine seu comportamento, priorizando preços menores e alternativas para o consumo do dia a dia.

Eduardo Bueno é gerente de Business Development na Gouvêa Inteligência.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Imagem: Envato

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Eduardo Bueno

Economista formado pela USP e pós-graduado em Gestão de Projetos pelo Insper, atualmente é coordenador de projetos na Mosaiclab e responsável pelo projeto CREST no Brasil. Tem experiência no mercado financeiro, consultoria macroeconômica, Analytics, Compras, além de implementação de projetos de SAP. Atua com inteligência de mercado desde 2015 e, desde 2017, com o setor de Foodservice, com passagem em um dos maiores operadores do setor no país.

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