A Omo Lavanderia pretende ampliar sua rede de franquias de aproximadamente 200 para 500 unidades nos próximos 18 a 24 meses, disse Valéria Silva, CEO da operação, à Mercado&Consumo. O plano de expansão acompanha a estratégia da empresa de transformar as lavanderias em espaços de conveniência, integrando serviços e soluções para consumidores que buscam economizar tempo.
A companhia opera dois modelos de negócio no Brasil. O primeiro é o de lavanderias compartilhadas instaladas em condomínios, formado por cerca de 2,5 mil unidades próprias. O segundo reúne as lavanderias especializadas e de autosserviço localizadas nas ruas, que funcionam por meio de franquias.
A meta para a operação em condomínios é alcançar 3 mil unidades até o fim de 2026. Já a rede franqueada está presente em 26 estados, com operações especializadas e lojas de autosserviço.
Segundo Valéria, a expansão é sustentada por mudanças no perfil dos imóveis e das famílias brasileiras. Apartamentos menores, redução das áreas destinadas ao serviço doméstico e famílias com menos integrantes ampliam a procura por lavanderias compartilhadas. “Os imóveis diminuíram de tamanho e, muitas vezes, não possuem área molhada”.
A Omo Lavanderia entra nos empreendimentos por meio de parcerias com construtoras, que já incluem o serviço no projeto e na comunicação dos imóveis, ou por acordos com condomínios existentes, após aprovação dos conselhos e síndicos.

Lavanderia deixa de ser serviço eventual
Durante muitos anos, as lavanderias foram utilizadas principalmente para peças especiais, como vestidos de festa, ternos, casacos e edredons. Esse comportamento começa a mudar à medida que o serviço passa a fazer parte da rotina de um número maior de consumidores.
Segundo Valéria, dados acompanhados pela empresa indicam que apenas cerca de 5% dos brasileiros economicamente ativos utilizam atualmente lavanderias especializadas ou de autosserviço. A expectativa é que essa participação dobre nos próximos cinco anos.
A executiva avalia que o mercado brasileiro ainda está distante do nível de maturidade observado em países como os Estados Unidos, onde as lavanderias fazem parte da rotina das famílias e, em alguns casos, oferecem cafeterias, áreas infantis e outros serviços.
Valéria visitou uma lavanderia nos Estados Unidos com aproximadamente 450 máquinas. No Brasil, o modelo mais comum da rede começa com seis equipamentos, distribuídos entre máquinas de lavagem e secagem.
“É um serviço que veio para ficar e que ainda deve se incorporar à cultura do brasileiro”, afirmou.
Espaços passam a incorporar novos serviços
A empresa já testa formas de ampliar a experiência nas lojas enquanto o consumidor aguarda os ciclos de lavagem e secagem, que podem durar cerca de 75 minutos.
Entre as soluções adotadas por algumas unidades estão mesas de coworking e cadeiras de massagem. Lojas localizadas em centros de serviços também podem se beneficiar da proximidade com salões de beleza, supermercados e outras operações.
“Pensamos na lavanderia como um centro de conveniência”, disse Valéria.
A rede também oferece máquinas exclusivas para a lavagem de roupas, cobertores e acessórios de animais de estimação. A separação busca evitar contaminação cruzada e atender à procura crescente de famílias com pets.
A solução está disponível tanto nas lavanderias compartilhadas em condomínios quanto nas lojas de rua que optam por incluir o equipamento. Segundo a executiva, a procura por esse tipo de máquina vem crescendo nos últimos três anos.
Outra novidade é a instalação de máquinas maiores nas unidades de autosserviço, capazes de lavar edredons e peças que não cabem em equipamentos residenciais convencionais.
Modelos atendem públicos diferentes
A Omo Lavanderia trabalha com formatos voltados a diferentes perfis de consumo. As unidades especializadas atendem, principalmente, clientes que precisam de serviços para peças delicadas, roupas especiais ou itens que exigem tratamento profissional.
Já as lojas de autosserviço têm maior presença entre moradores de apartamentos compactos, estudantes e consumidores que não possuem máquina de lavar em casa ou buscam reduzir gastos com água, energia e produtos.
As menores franquias começam em áreas de aproximadamente 18 metros quadrados. A rede também possui modelos instalados em contêineres.
Valéria afirma que, ao considerar o investimento na compra e manutenção de uma máquina, além das despesas com água, energia e produtos, a utilização de lavanderias pode ser financeiramente competitiva para parte dos consumidores.
Expansão considera diferenças regionais
A rede pretende crescer tanto nas capitais quanto em cidades menores, adaptando sua estratégia às características de cada região.
Atualmente, cerca de 43% das franquias estão concentradas no estado de São Paulo. O restante está distribuído por outras regiões do País.
Segundo a CEO, a presença nacional exige ajustes de comunicação e operação. No Nordeste, por exemplo, a empresa passou a desenvolver campanhas específicas para o São João após ouvir as demandas dos franqueados locais.
“Quem está na ponta traz os insights que ajudam a rede a crescer em cada mercado”, afirmou.
A empresa evita adotar critérios rígidos de expansão baseados apenas no número de habitantes ou no clima da cidade. Unidades localizadas em regiões quentes podem apresentar desempenho semelhante ao de operações em cidades frias, desde que o modelo esteja adequado à demanda local.
Franqueados da própria rede impulsionam crescimento
Parte da expansão deverá ser conduzida por multifranqueados que já operam unidades da marca. A Omo Lavanderia possui parceiros com seis, sete e até oito lojas.
Na avaliação de Valéria, crescer com franqueados que já conhecem o modelo reduz riscos e fortalece a operação. Ainda assim, a empresa mantém um processo de seleção que avalia disponibilidade, capacidade financeira e envolvimento do candidato com o negócio.
A executiva destaca que, mesmo no autosserviço, a presença do proprietário é importante durante os primeiros meses da operação.
“Uma lavanderia de autosserviço também precisa dos olhos do dono, principalmente no início”, disse.
A empresa projeta retorno do investimento em aproximadamente três anos, considerando um cenário conservador. O ponto de equilíbrio costuma ser alcançado entre 12 e 18 meses, embora os resultados variem conforme a localização e a atuação do franqueado.
As lojas de autosserviço faturam, em média, cerca de R$ 20 mil por mês. Algumas unidades fora da curva chegam a registrar faturamento mensal próximo de R$ 70 mil.
Tecnologia avança nas operações
A Omo Lavanderia também vem investindo em tecnologia própria. A empresa desenvolveu aplicativo, web app e totens de pagamento para as lojas de autosserviço.
O totem foi implementado em dezembro e já está presente em cerca de 80% da operação, segundo a executiva. A solução atende consumidores que não querem baixar o aplicativo ou utilizar o sistema pelo navegador.
Para Valéria, a combinação entre apartamentos compactos, novos formatos familiares, digitalização e busca por conveniência cria uma oportunidade de longo prazo para o segmento.
“O mercado está crescendo, mas precisa continuar se adaptando às necessidades do consumidor”.
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